Deportivo Quito 1 x 0 Botafogo foi o jogo do sofrimento. O Deportivo Quito sofreu porque não conseguiu impor uma pressão no segundo tempo para sair de campo com uma vantagem que lhe desse tranquilidade para a viagem ao Brasil. O Botafogo sofreu com a altitude. E o torcedor botafoguense sofreu vendo o futebol arrastado de sua equipe, que equilibrava as ações e não tinha repertório para transformar isso em oportunidade de gols.

Falar em “ainda sente falta de Seedorf” é meio exagerado, até porque o Botafogo terminou 2013 com um futebol cambaleante, que não lembrava o time competitivo do primeiro turno do Brasileirão. Mas, nesta estreia pela Libertadores, o Alvinegro pecou demais pela falta de toque de bola. A única jogada tentada era na bola longa: começar com lançamento e, quando possível, cruzar na área.

O Alvinegro fez 31 lançamentos ou passes longos partindo de seus jogadores de defesa (Jefferson, Edílson, Dória, Bolívar e Júlio César). É muita bola passando por cima da cabeça dos volantes, que supostamente deveriam sair jogando. Quando a jogada chegava no ataque, o cruzamento foi a opção em 12 oportunidades. E em apenas uma delas a bola chegou na cabeça do atacante. A isso ainda se somam os seis escanteios (um deles quase foi gol olímpico).

Claro que alguns fatores impulsionaram o Botafogo a usar esse expediente. O gramado ruim atrapalha o toque de bola. O cansaço provocado pela altitude por fazer que os jogadores, mesmo inconscientemente, tentem correr menos com a bola nos pés. Se ainda se considerar que Ferreyra é um centroavante grande e fixo, que adora jogo aéreo, e Jorge Wagner é um grande cruzador, havia um cenário propício para se tentar bolas longas.

De qualquer modo, o Botafogo não pode cair nesse tipo de armadilha. No segundo tempo, foi possível perceber que se trata de um time tecnicamente superior ao equatoriano, e precisa botar a bola no chão para mostrar isso. É o melhor modo de reverter a desvantagem após a derrota em Quito.

Obs.: Os dados mencionados são do Footstats.