O torcedor atento, que acompanhou as eliminatórias da América do Sul e a Copa das Confederações em 2005, deve ter percebido, pelo menos uma vez, as peripécias de um grandalhão de cabelos encaracolados atuando com a camisa da seleção argentina. Talvez essa vaga lembrança que o atento torcedor tenha do zagueiro – que mais parece um ‘brucutu’ dinamarquês – seja das inúmeras faltas duras e, às vezes, desleais cometidas sobre as pernas de Robinho, Adriano, Kaká e companhia.

Porém (sempre há um porém), nem tudo são espinhos na curta trajetória futebolística do jogador. Ao que tudo indica, suas marcas registradas não são somente o jogo duro e cara feia. Pelo menos é o que dizem o técnico José Pekerman e os torcedores argentinos, que afirmam categoricamente que o marrudo defensor também é hábil, veloz e polivalente.

Oriundo de uma pródiga escola, que gerou para o futebol o bom zagueiro – e, agora, um técnico medíocre – Daniel Passarela, no mínimo, é merecedor de respeito e uma certa atenção dos adversários. Seu nome? Trata-se de Fabricio Coloccini, titular da seleção de José Pekerman e da zaga do Deportivo La Coruña, da Espanha.

Imbróglio à italiana

Não coloquem numa mesma mesa, para saborear um prato italiano, diretores de Boca Juniors e Milan, pois corre-se o risco de voar macarrão para todos os lados do restaurante. Isso em razão dos mesmos terem disputado o passe do atleta argentino. Coloccini, ainda jovem promessa – acabara de subir ao profissional do Boca Juniors -, foi protagonista de uma ferrenha disputa nos tribunais desportivos. Tido como uma grata revelação, ainda atuando pelo San Lorenzo, buscou vôos mais longos e aterrissou nas categorias de base do clube mais popular da Argentina. Recém lançado aos profissionais no Torneio Apertura de 1998, Coloccini só teve tempo para atuar em uma única partida pelo Boca – no qual marcou um gol -, e já se transferiu para o Milan, da Itália.

Até hoje, na Argentina, muito se fala da confusão que se armou em torno dessa negociação. Mais ou menos o que aconteceu no Brasil, quando da conturbada transferência de Ronaldinho Gaúcho do Grêmio para o PSG. O clube milanês se interessou pelo jovem zagueiro e tratou de acertar sua transferência com o pai do atleta. Ao perceber que havia levado um ‘chapéu’, a diretoria xeneize recorreu à mandatária Fifa para tentar haver parte do valor total da transferência. O caso, chegando à Fifa, foi dado como uso de má fé pelas partes negociadoras. Com isso, ficou determinado que o Milan deveria depositar uma boa quantia na conta bancária do Boca, para restituir parte dos prejuízos.

Um título que nenhum brasileiro tem

Fabrício Coloccini pode até não gozar da confiança e estima dos fãs do futebol mundial, mas possui no currículo um valioso predicado almejado por todos – inclusive pelos jogadores do país pentacampeão do mundo: a medalha de ouro olímpica, conquistada com maestria em 2004, em Atenas, pelo time que tinha entre outras revelações, Tevez e Mascherano. Coloccini pretende manter o nível de jogo, que o levou a titularidade no La Coruña, para não ser preterido do grupo que vai à Alemanha buscar tão sonhado tricampeonato mundial.

As andanças de Coloccini

As mudanças de clube que um jogador de futebol faz na carreira tanto podem ser um indicador de que ele foi um craque, como podem mostrar, também, que ele foi um mero coadjuvante nos times em que atuou. Aos 24 anos, Coloccini já vagou por vários clubes, entre a Argentina (San Lorenzo e Boca Juniors), Itália (Milan) e Espanha (Alavés, Atlético de Madrid e La Coruña) e ainda não se pode dizer se ele é craque ou brucutu.

Ao que parece, ficará na coluna do meio. Não é craque, mas perfila no elenco da segunda escola do futebol mundial e atua num país tradicional, a Espanha. Não é brucutu, mas acumula desavenças com os jogadores rivais que sofrem com as suas entradas desleais. Resta esperar para ouvir o que os ventos do futuro dirão sobre a carreira desse atleta.