A expectativa dos colombianos era enorme, assim como da maioria dos torcedores de outros países que gostam do bom futebol. A lesão de Radamel Falcao García foi lamentada por muita gente, mas também gerou uma grande corrente pela recuperação do centroavante. Ao menos para a pré-convocação, deu certo. El Tigre é o grande destaque na lista de 30 nomes da Colômbia para a Copa do Mundo. Menos de quatro meses desde a contusão no joelho, terá mais alguns dias para mostrar que está mesmo pronto para disputar a competição.

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O momento agora é de ver quais serão as condições físicas do artilheiro, se o retorno poderá acontecer mesmo um mês antes da previsão inicial. É óbvio que a presença de Falcao é importante, por toda a sua representatividade ao time. No entanto, não é imprescindível, considerando as boas opções que José Pekerman tem para o seu ataque. Jackson Martínez, Adrián Ramos, Carlos Bacca e Luis Muriel não são tão letais quanto El Tigre e nem possuem a mesma qualidade, mas continuam mantendo um bom nível na linha de frente.

A preocupação com Falcao neste momento, sobretudo, remete ao passado da seleção colombiana. A atual equipe é considerada a mais forte desde a que se classificou para a Copa de 1994. E, em termos de representatividade, o camisa 9 é a grande referência do time. Assim como era Carlos Valderrama, que também precisou superar uma lesão no joelho para ir ao Mundial dos Estados Unidos. El Pibe não chegou à competição em seu ápice, e isso é apontado por muitos também como uma das razões para o fracasso dos cafeteros.

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Em fevereiro de 1994, Valderrama se machucou em um compromisso pela Colômbia, durante amistoso preparatório contra a Suécia. Apesar do alarmismo precoce dos que afirmavam que o capitão da Colômbia iria ficar fora do Mundial, os exames posteriores mostraram que a recuperação pós-operatória duraria cerca de 90 dias. Em tempos nos quais a medicina esportiva estava em um estágio bem menos avançado, o meio-campista sofreu um problema menos grave: teve uma distensão nos ligamentos, enquanto Falcao os rompeu.

O retorno de Valderrama aconteceu bem antes do previsto. Em 54 dias, ele já estava em campo pelo Junior de Barranquilla, enfrentando o Cerro Porteño pela Copa Libertadores. Mesmo assim, o craque da seleção colombiana temeu pelo futuro de sua carreira, ainda mais diante dos comentários de que estava se arriscando demais às vésperas do Mundial. Por isso, chegou até a ficar sem falar com a imprensa durante semanas.

Valderrama estreou no Mundial de 1994 um mês e três dias depois de seu retorno aos gramados. Entretanto, estava longe de seu melhor. A Colômbia era totalmente dependente do ritmo ditado por seu camisa 10, que não foi tão eficiente quanto nas Eliminatórias. El Pibe esteve em campo durante os 90 minutos nas três partidas de seu país, mas só conseguiu levar os cafeteros à vitória na última rodada, quando ela já era inútil. Ficou marcado pelo fracasso tanto quanto outros destaques daquele time, como Rincón e Asprilla.

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O time de José Pekerman não é tão refém de Falcao quanto o de Francisco Maturana era de Valderrama. De qualquer forma, a volta do Tigre representa um salto de qualidade inegável. E o que os colombianos mais esperam é ter o seu craque inteiro para a Copa do Mundo. Para que possa fazer à diferença rumo aos mata-matas e também para espantar os fantasmas de 1994 que ainda insistem em ressurgir.