No papel, a França possui uma das melhores seleções do mundo. No papel. Porque em campo nem sempre a qualidade individual prepondera aos Bleus. Nesta sexta, o time de Didier Deschamps parece ter feito dois jogos distintos contra a Colômbia no Stade de France. Arrasadores nos primeiros 30 minutos, os franceses não demoraram a abrir dois gols de vantagem. Mas diminuíram o ritmo no amistoso. E em segundo tempo fraquíssimo, os erros defensivos permitiram a virada dos Cafeteros por 3 a 2. Resultado que merece servir de sinal de alerta, especialmente pela maneira como os anfitriões se acomodaram. E que, em compensação, rendeu uma enorme festa dos sul-americanos diante dos 80 mil torcedores nas arquibancadas.

A França tinha um talento ofensivo exuberante a seu dispor em Saint-Denis. Kylian Mbappé e Thomas Lemar caíam pelas pontas, enquanto Antoine Griezmann vinha no apoio pelo centro, com Olivier Giroud servindo de homem de referência. Além disso, deixando Paul Pogba no banco de reservas, Deschamps optou por contar com dois dínamos na cabeça de área – Blaise Matuidi e N’Golo Kanté. O time marcava firme no campo de ataque, com sua segunda linha bastante adiantada. Assim, colocou a Colômbia contra a parede.

Faltava à França finalizar um pouco mais. No entanto, nas duas primeiras vezes que o time chutou a gol, balançou as redes. O primeiro tento saiu aos 11 minutos, em falha de David Ospina. O goleiro rebateu um cruzamento rasteiro Lucas Digne para o meio da área e permitiu que Olivier Giroud escorasse para dentro. Já aos 26, uma pintura estonteante dos Bleus. A partir de uma roubada de bola no campo de defesa, os franceses construíram um contra-ataque perfeito. Teve para todos os gostos: o toque de calcanhar de Griezmann, o corte seco de Mbappé e o chute caprichoso de Lemar, vencendo novamente Ospina.

O problema é que a França esfriou. E permitiu que a Colômbia descontasse já no fim do primeiro tempo, em bola cruzada por Luis Muriel que Hugo Lloris aceitou. Até houve a chance do terceiro antes do intervalo, mas Ospina se redimiu contra Griezmann. Já no segundo tempo, os Cafeteros cresceram. Ameaçando vez ou outra, empataram aos 17, em erro de saída de bola que Radamel Falcao García puniu. Por mais que mantivessem a posse de bola, os Bleus eram improdutivos, com pouca criatividade. Ficaram limitados a um chute de longe de Pogba e às bolas levantadas. E diante da falta de energia na marcação, sofreram a virada aos 40. Samuel Umtiti cometeu pênalti, que Juan Fernando Quintero converteu. Nos minutos finais, os franceses esboçaram uma reação, mas nada suficiente.

A Colômbia merece os seus créditos. O time de José Pekerman já viveu momentos melhores, até pela sequência ruim de resultados no segundo semestre de 2017, mas recobra o moral da maneira ideal. Reverteu um jogo difícil, soube se encaixar durante a partida e fez a diferença pela forma como mordeu no ataque. Justamente o oposto da França em sua derrocada, perdendo intensidade e abusando dos desleixos. As falhas cobraram o resultado, mas ao menos acontecem em um compromisso não tão importante. Fica de lição aos Bleus rumo à Copa do Mundo.