A seleção da Colômbia pode se orgulhar da campanha que fez na Copa do Mundo. Afinal de contas, foi a primeira vez na história que os cafeteros chegaram às quartas de final, um desempenho superior ao da geração de Rincón, Asprilla e Valderrama, considerada a melhor do país. A Colômbia sai da Copa em um outro patamar. Se antes da disputa havia quem duvidasse da condição de cabeça de chave, hoje não há questionamentos: o time está entre os oito melhores do mundo de forma merecida e tem até aqui o craque da Copa. Os colombianos podem se orgulhar da campanha, mas não da atuação contra o Brasil.

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Explico: a seleção cafetera até impôs dificuldades à seleção brasileira, mas apenas quando foi para o abafa. Em nenhum momento a Colômbia repetiu as atuações que a levaram até esta fase. É claro que os adversários eram outros e que o Brasil fez sua melhor atuação na Copa no primeiro tempo, mas os colombianos poderiam ter feito muito mais.

Dois fatores influenciaram a má atuação cafetera: a escalação inicial e o comportamento dos jogadores.

José Nestor Pekérman surpreendeu ao fazer duas mudanças na Colômbia. Com a entrada de Guarín no lugar de Aguilar os colombianos queriam ter mais a bola e aproveitar os avanços pela zona central do campo para tentar surpreender a dupla de volantes mais móvel formada por Paulinho e Fernandinho. Já com Ibarbo no lugar de Jackson Martínez, a ideia era pressionar Maicon e manter as jogadas pelo lado de campo. Não deu certo. O ritmo frenético dos brasileiros aliada à falta de concentração e energia dos colombianos quebrou a lógica dos cafeteros, que não teve a bola e nem conseguiu desarmar o adversário.

No segundo tempo o Brasil diminuiu o ritmo, a Colômbia melhorou, mas a verdade é que em nenhum momento ameaçou a equipe dona da casa. O gol veio em um erro de Júlio César e o equilíbrio da partida aconteceu na base do abafa. Nada a ver com as atuações da Colômbia contra Japão, Costa do Marfim, Grécia e Uruguai.

O momento, porém, é de exaltação ao time. Os colombianos de fato caíram de pé, mas poderiam ter resistido mais. Méritos do Brasil, mas também deméritos da Colômbia.