Ivan Gazidis, executivo-chefe do Arsenal, e Bjoern Gulden, executivo-chefe da Puma, em foto no dia do anúncio, 27 de janeiro (Foto: divulgação Puma)

Com Arsenal, Puma usa única estratégia possível contra Nike e Adidas: abrir o cofre

Os grandes times de futebol do futebol europeu e, por que não dizer, mundial estão cada vez mais inseridos na briga entre as duas maiores fábricas de materiais esportivos, Nike e Adidas. Seja entre seleções ou entre clubes, as duas marcas dominam as principais potências. Há quem queira entrar nesse grupo e vem trabalhando nisso há algum tempo. Foi o que mostrou a Puma ao fechar o contrato com o Arsenal com os maiores valores de um fornecedor esportivo na Inglaterra, onde é disputada a liga mais valorizada no mundo em termos financeiros.

A Puma é uma gigante e tem muito mercado mundo afora. Na Copa de 2010, tinha sete seleções, contra 12 da Adidas e nove da Nike. Em 2014, a Nike será a principal marca, com 10 seleções, contra oito de Adidas e Puma. Só que quando pensamos em clubes, a dominância de Nike e Adidas é visível. Considerando os cinco principais países europeus e a América do Sul, a Puma tem poucos times entre os mais importantes.

A Adidas é a maior em quantidade de times patrocinados no mundo. A marca alemã patrocina Real Madrid, Milan, Chelsea, Bayern de Munique, Benfica, Lyon, Olympique de Marseille, Bayer Leverkusen, Hamburg, Schalke 04, Wolfsburg, CSKA Moscou, Flamengo, Palmeiras, Fluminense, Estudiantes, River Plate, Universidad de Chile, Millonarios, Sporting Cristal, Caracas e todos os times da MLS, para ficar em alguns exemplos.

A Nike é a patrocinadora do Barcelona, Atlético de Madrid, Arsenal, Manchester City, Manchester United, Internazionale, Juventus, Paris Saint-Germain, Ajax, PSV, Shakhtar Donetsk, Athletic Bilbao, Corinthians, Santos, Internacional, Bahia, Coritiba, Boca Juniors, Atlético Nacional, para falar só de alguns. Entre as seleções, patrocina Brasil, França, Inglaterra, Holanda, Estados Unidos, Portugal e Turquia.

Até fechar com o Arsenal, em acordo que começará a valer a partir da próxima temporada, a Puma tinha pouca participação entre os maiores clubes e seleções europeias. O principal clube é o Borussia Dortmund, vice-campeão da Liga dos Campeões em 2012/13. Na França, tem o Bordeaux, na Alemanha o Hoffenheim e o Stuttgart, na Itália tem o Palermo e na Espanha tem apenas o Espanyol.

Entre as seleções, a Puma é muito presente nas seleções africanas. Camarões, Argélia, Costa do Marfim e Gana, que virão ao Brasil, são patrocinadas pela marca. Na América do Sul, Chile e Uruguai também. Na Europa, só a Itália entre as seleções mais importante é patrocinada pela Puma, que tem cinco outras seleções: Áustria, República Tcheca, Macedônia, Eslováquia e Suíça. Todas periféricas. No Brasil, a Puma patrocina Botafogo, Goiás e Paysandu. Na América do Sul, tem ainda o Independiente, Universidad Católica, Independiente Medellín e Peñarol.  O Arsenal passa a ser o grande clube da Puma em termos mundiais, já que repercute mais que o Borussia Dortmund. A Itália segue sendo a seleção mais forte da marca.

Vendo esse panorama do mercado, não é de se estranhar que o valor que a Puma se propôs a pagar para o Arsenal, de £ 150 milhões por um contrato de cinco anos. É o maior contrato de um clube com uma marca esportiva na Inglaterra, mais do que o Manchester United com a Nike ou o Chelsea com a Adidas, para ficar em duas relações bastante sólidas. Quebrar essa hegemonia só seria possível com muito dinheiro. Algo que a Inglaterra já tinha visto acontecer.

A Warrior conseguiu isso ao tirar o Liverpool da Adidas em 2012. Na época,o contrato dos Reds era de £ 13 milhões por temporada. A Warrior pagou £ 25 milhões, quebrando o recorde de então, de £ 23 milhões por temporada da Nike com o Manchester United.

A Puma sabe que é preciso abrir o cofre se quiser entrar nos principais times dos principais mercados. Será preciso muito, mas muito dinheiro. Conseguir um time como o Arsenal é um sinal de força. Mas será preciso mais do que isso para seguir nessa briga. Seja no Brasil, seja na América do Sul, a Puma ainda é tímida. Vai ter que investir pesado para entrar na briga. Talvez mais como a Nike, que escolhe mais seus clubes patrocinados, do que como a Adidas, que tem presença maciça entre clubes pequenos, médios e grandes. Será uma briga interessante de assistir nos próximos anos.