O Campeonato Brasileiro de 2013 terminou com uma confusão em Joinville e o deste ano começou com outra. Mas não foram vândalos brigando entre si. A Portuguesa entrou em campo para começar a campanha da Série B contra o time da casa, mas um oficial de justiça (atualização: na verdade, o vice-presidente da Portuguesa, não foi nenhum oficial de justiça), munido de uma liminar conseguida por um torcedor, interrompeu o jogo aos 17 minutos porque a decisão da juíza Adaisa Bernardi Isaac Halpern devolve os quatro pontos que o clube paulista perdeu no STJD por causa do caso Héverton e determina que ele jogue a primeira divisão.

Diferente das outras liminares, essa não foi cassada pela CBF. Provavelmente porque a entidade tinha certeza que a Portuguesa entraria em campo e torceu para ninguém notar. O presidente da Portuguesa, Ilídio Lico, afirmou que a partida foi interrompida contra a sua vontade, mas que precisou obedecer à orientação da justiça. Ele tentou pedir o adiamento da partida na última quinta-feira, mas a CBF, em recesso de páscoa, não respondeu.

Horas antes do jogo, o vice-presidente jurídico da Portuguesa, Orlando Cordeiro, pediu demissão justamente porque defendia que os jogadores não enfrentassem o Joinville. Disse que sabia que isso aconteceria. Agora, o clube corre o risco de sofrer represálias da Justiça porque disputou aqueles 17 minutos e da CBF porque abandonou o jogo.

O problema é que, tecnicamente, a Portuguesa não está na Série B. Pelo menos, até a liminar ser cassada. Então, quem sofreu o WO foi o Flamengo? O Fluminense? A Portuguesa tem que jogar no domingo contra o Goiás? Como ficam os torcedores que pagaram ingresso para ver o jogo em Joinville e viram a atuação de um oficial de justiça? E o Campeonato Brasileiro? Segundo a TV Globo, a CBF não reconhece a liminar e o STJD vai julgar se a Lusa vai perder por WO. Novamente, o STJD.

O Campeonato Brasileiro fica uma bagunça como, sinceramente, era previsível. Porque o presidente, da CBF, José Maria Marin, foi empurrando o problema com a barriga, torcendo para todos os envolvidos com a Portuguesa aceitarem o rebaixamento sem gritar. O presidente resignou-se, mas a torcida não. E o principal produto do futebol brasileiro sofreu mais um abalo.