O Brinco de Ouro da Princesa vive dias inesquecíveis. Depois de longa penúria, o Guarani finalmente voltou a ocupar as manchetes de maneira gloriosa. A conquista do acesso à Série B marcou um passo fundamental à reconstrução que a apaixonada torcida alviverde almeja. O Bugre, entretanto, quer mais. Vai faminto em busca também da taça da Terceirona. E mostrou isso da maneira mais insana possível nas semifinais, diante do ABC. A derrota por 4 a 0 no Frasqueirão, no jogo de ida, parecia por fim às pretensões dos campineiros. Ledo engano. O Brinco de Ouro atravessou uma noite delirante neste domingo, com a remontada do Guarani no placar. Vitória inapelável por 6 a 0, em atuação incendiária de Fumagalli. Aos 39 anos, o veterano fez três gols e deu uma assistência, além de ajudar a forçar uma expulsão do outro lado e ainda acertar o travessão. Façanha para eternizá-lo ainda mais como ídolo bugrino, saindo carregado para uma volta olímpica diante da torcida.

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O número às costas já indicava a ocasião especial para Fumagalli. O meia usava o 250, em alusão ao número de jogos que completa pelo Guarani. E, logo aos oito minutos, o maestro começou mostrando que era possível. Cobrança de falta certeira, que Leandro Amaro desviou de cabeça para as redes. Fumagalli continuou doutrinando e fez o segundo em outra bola parada, aos 24. Mandou no ângulo de Edson, em batida perfeita. Pouco depois, o ídolo quase faria mais um de falta, acertando no travessão. E sua discussão com Jones Carioca rendeu dois cartões amarelos seguidos ao jogador do ABC, que ficou com um a menos. Naquele momento, os potiguares já estavam destroçados.

O Guarani voltou como um trator ao segundo tempo. Fumagalli, impecável. O meia faria seu segundo tento na noite aos três, em chute desviado. Pois aos nove, o impossível já tinha se tornado pó. Cruzamento de Auremir que o veterano tratou de cutucar para as redes. Rendeu uma comemoração ensandecida do camisa 250, abraçado por uma avalanche de companheiros. Enquanto isso, a euforia também contagiava os teimosos que resolveram acreditar nas arquibancadas. Os apaixonados que não se desenganaram. Entre eles, outros ídolos notáveis bugrinos, como Amoroso e Evair.

Naquele instante, os pênaltis já pareciam lucro ao ABC. Em outra bola de Fumagalli, Pipico carimbou o travessão pela segunda vez. Por fim, o massacre se concretizou aos 31. Chutaço de Alex Santana da entrada da área, indefensável para Edson. E coube a Pipico fechar a conta, três minutos depois, desviando de cabeça. Para quem já tinha conseguido um grande feito ao reverter a situação no jogo do acesso, contra o ASA de Arapiraca, o Guarani foi ainda mais fantástico. Das viradas mais épicas do futebol brasileiro em décadas.

A comemoração ao apito final, logicamente, foi efusiva. Os mais de três mil presentes cantavam o hino do clube, enquanto os reservas e a comissão técnica corriam ao centro do gramado. O agradecimento contou com uma roda de oração, além das palmas para aqueles que se entregaram tanto. Fumagalli, com todas as honras, terminou como o mais festejado. Já o técnico Marcelo Chamusca ressaltou justamente a maneira como o Guarani disse não ao impossível. Na decisão, os bugrinos enfrentam o Boa Esporte, que venceu os dois jogos contra o Juventude. Vão com uma sede de quem já cumpriu seu objetivo inicial nas quartas e fez história nas semis, mas pode abrilhantar ainda mais a campanha levantando o troféu.