O Allianz Parque completou 100 jogos nesta quinta-feira. O São Paulo é um visitante assíduo. Apareceu seis vezes. Perdeu seis vezes. No melhor jogo do Palmeiras na temporada, e em muito tempo, os donos da casa não tomaram conhecimento do adversário e venceram o Choque-Rei por 2 a 0. Placar que não reflete o que foi a partida: poderia ter sido muito mais.

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Foi uma atuação próxima do impecável do Palmeiras, principalmente na defesa, setor que deu pouquíssimas oportunidades para o adversário. O ataque também produziu bastante e, principalmente, pressionou o tempo inteiro, forçando diversos erros do São Paulo na saída de bola. Para levar a nota 10, faltou tomar decisões melhores em alguns lances. A impressão é que a facilidade era tamanha que todo mundo queria a chance de marcar o seu gol.

A melhor notícia para o palmeirense foi a postura da equipe. No clássico contra o Corinthians, disputou um jogo normal. Contra o São Paulo, disputou um clássico. Felipe Melo ditou o ritmo logo no primeiro minuto, com uma entrada duríssima em Petros que merecia o cartão amarelo. A intensidade verde era muito maior que a tricolor. Logo aos 4 minutos, quase saiu o primeiro gol do Palmeiras. Uma cobrança de escanteio passou por todo mundo e pegou até Borja de surpresa, que não conseguiu finalizar. A sobra ficou com Felipe Melo, que também não conseguiu finalizar.

Mas tudo bem. Haveria outras chances, principalmente na bola aérea, que parecia deixar a defesa do São Paulo em pânico. Aos 9, Lucas Lima cobrou o escanteio e Antônio Carlos cabeceou com firmeza para fazer 1 a 0. Cueva respondeu com um chute de fora da área, que seria a única chegada mais ou menos perigosa dos visitantes no primeiro tempo.

Jean talvez não conheça o histórico dos goleiros do São Paulo no Allianz Parque, onde Rogério Ceni e Dênis levaram gols marcantes. Quase se enrolou ao tentar sair jogando, mesmo com a pressão de Lucas Lima, em sua melhor partida pelo Palmeiras. Correu o jogo inteiro, marcou a saída de bola, orquestrou o meio-campo, arrancou, abriu o jogo, fez passes para finalização e ainda matou uma bola pornográfica. Borja, por outro lado, parece ter feito a lição de casa porque em certo momento tentou surpreender Jean com um chute do meio-campo.

O colombiano foi outro que brilhou, apesar de ainda mostrar deficiências técnicas (como erros de passes que deveriam ser muito simples). Aos 31 minutos, pressionou Militão, e Dudu foi acionado pela direita. Com muita tranquilidade, virou para Victor Luís pegar um belo voleio. Jean defendeu, mas deu rebote, e Borja conferiu para fazer 2 a 0. Antes do intervalo, ainda houve duas grandes oportunidades alviverdes, com Willian, impedido por grande defesa de Jean, e Dudu, que bateu para fora.

Dorival Júnior tomou uma medida incomum no intervalo: queimou as três substituições ao mesmo tempo. Trocou Hudson, que quase fez um gol contra, Marcos Guilherme e Brenner por Shaylon, Nenê e Tréllez, respectivamente. A equipe de fato melhorou. Levou sustos com três chegadas do Palmeiras nos primeiros três minutos, uma finalização ruim de Borja impedido e chutes de fora da área de Lucas Lima e Willian, mas pelo menos também conseguiu levar algum perigo. Shaylon de uma cavadinha para Tréllez, que dividiu com Marcos Rocha e acertou o travessão. Mas trocar três de uma vez no começo do segundo tempo é mais sinal de escalação equivocada e de um técnico perdido do que correção de rota.

A partida ficou mais equilibrada. Também porque o Palmeiras tirou um pouco o pé do acelerador para não se desgastar demais. A maneira com que havia atuado no primeiro tempo exigiu demais do físico dos jogadores. O São Paulo chegou duas vezes com perigo, em cabeçada de Tréllez e um chute de Militão para fora, em cobrança de falta. O Palmeiras também fez suas substituições. Colocou Moisés e Gustavo Scarpa em campo. Scarpa, ainda se adaptando ao novo time, sofreu uma falta perigosa, que quase resultou em gol de Lucas Lima, e chegou perto de fazer um golaço de fora da área, depois de limpar dois marcadores.

O resultado, em termos de tabela, devolve ao Palmeiras a melhor campanha da primeira fase do Campeonato Paulista, que pode ser confirmada no próximo domingo, contra o Ituano. Mais importante do que isso, reflete a primeira grande atuação de um time do qual muito se espera neste ano. A única ressalva talvez seja a fragilidade do adversário. Perder no Allianz Parque, infelizmente para o torcedor tricolor, tornou-se rotina para o São Paulo. Mas poucas vezes ele esteve tão longe da vitória quanto nesta quinta-feira.

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