Observando o início da temporada e os últimos jogos do ano, vemos momentos muito distintos do Manchester United. O ataque do maior campeão inglês, criticado abundantemente em anos recentes, foi reforçado por Romelu Lukaku e marcou quatro no West Ham, no Swansea, no Everton, no Burton Albion, no CSKA Moscow e no Crystal Palace. Seis goleadas nas dez primeiras partidas e uma campanha equivalente à do Manchester City. Esboçou uma briga cabeça a cabeça pelo título. Mas, após empatar por 0 a 0 com o Southampton em casa, seu quarto jogo sem vitória, os Red Devils não são mais nem segundos colocados da Premier League.

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Nos raros momentos em que não estava reclamando que não gastou dinheiro o bastante, apesar de ter pago quantias altíssimas desde que chegou a Old Trafford, Mourinho disse que gostaria de dar um pouco de descanso para Lukaku, mas que ainda não poderia deixá-lo fora de uma partida. E deu para entender por quê. O atacante belga levou uma pancada na cabeça, aos 14 minutos do primeiro tempo, e precisou ser substituído. Ainda não se sabe a extensão do ferimento.

Mourinho contou, após a partida, que Ibrahimovic está fora por um mês, o que reduz ainda mais o poder de fogo do Manchester United. Péssima notícia. Contra o Southampton, Rashford entrou no lugar de Lukaku e, embora os donos da casa tenham feito um bom primeiro tempo, com um razoável volume de jogo e um pênalti em toque de mão de Yoshida que deveria ter sido assinalado pelo árbitro, não foi o suficiente para derrotar um time que venceu apenas três dos seus últimos 20 jogos.

O mais alarmante foi a segunda etapa. Caiu demais o rendimento do Manchester United. Mesmo atuando em casa, só fez o goleiro Alex McCarthy trabalhar uma vez na etapa final. Esta foi a surpresa do técnico Mauricio Pellegrino. Fraser Foster, que somava 76 jogos consecutivos de Premier League, não ficou nem no banco de reservas. No outro lado, De Gea precisou fazer boas intervenções antes e depois do intervalo.

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O Manchester United teve um gol bem anulado de Pogba e não conseguiu pressionar direito o Southampton, nem mesmo durante o mítico #FergieTime – os acréscimos dos jogos em Old Trafford, batizados em homenagem ao ex-treinador Alex Ferguson. Empatou com os Saints como havia empatado com o Burnley e o Leicester. Antes, foi derrotado pelo Bristol City, da segunda divisão, e eliminado da Copa da Liga Inglesa.

O ano termina cheio de interrogações para o Manchester United. Em resultados, e mesmo em desempenho, o trabalho de Mourinho é o melhor depois da aposentadoria de Ferguson. Mas estagnou. E, se ninguém consegue alcançar um time que vence todas as suas partidas como o Manchester City, a segunda posição parecia um feito muito atingível para os Red Devils, que agora estão um ponto atrás do Chelsea e apenas três à frente do Liverpool. José Mourinho reforçou seu personagem de velho rabugento nas declarações à imprensa, mas deveria tentar se concentrar mais em descobrir porque o seu time joga um futebol tão pobre com tanta frequência.