Foi uma quinta-feira atípica ao Corinthians. A começar pelo burburinho que se instaurou nos bastidores do clube, para tirar a tranquilidade em um momento tão bom dos alvinegros. A possível saída de Fábio Carille deixa um bocado de temores aos torcedores e, como se não bastasse, Rodriguinho poderia ir junto ao Al Hilal, da Arábia Saudita. Por enquanto, não há nada certo. E os corintianos espantaram qualquer receio dentro de campo, com um massacre na visita ao Deportivo Lara. Os brasileiros golearam por 7 a 2 na Venezuela, em partida que não deixou de ter as suas particularidades – pela maneira que se desenrolou e por todos os seus eventos.

Depois do certo trabalho que o Deportivo Lara deu em Itaquera, demorando a sofrer o primeiro gol, desta vez o Corinthians não precisou se preocupar tanto. Os anfitriões se mandaram ao ataque e esboçaram uma pressão, fazendo Cássio trabalhar logo no início. Entretanto, se abriram ao contragolpe, que logo rendeu o primeiro gol alvinegro aos dez minutos. Jogada de Pedrinho, que avançou com toda a liberdade e passou a Jadson, batendo bonito no canto do goleiro. Rodriguinho poderia ter feito o segundo na sequência, mas perdeu com o caminho aberto. E no meio de tantos ataques fáceis aos corintianos, causando estragos contra um adversário desatento, o time ganhou um pênalti aos 27, em falta pueril sobre Rodriguinho.

Antes da cobrança, todavia, a primeira confusão da noite. Um objeto de vidro foi atirado pela torcida da casa e se estilhaçou, com cacos atingindo a cabeça do goleiro Luis Curiel. O arqueiro precisou receber atendimento, embora não tivesse sofrido ferimentos mais sérios, e quando a situação se acalmou, Jadson converteu a cobrança, ampliando a vantagem do Corinthians. Parecia uma noite para levar na maciota. Só parecia.

No final do primeiro tempo, o Deportivo Lara cresceu. Passou a forçar os defensores alvinegros. A primeira chance clara veio com Jesús Hernández, que bateu na saída de Cássio, mas Henrique salvou. Já aos 45, uma bomba de José Miguel Reyes morreu no canto. Lindo tento que recolocava os venezuelanos no duelo. E nos acréscimos, o empate não veio por muito pouco, em cabeçada de Carlos Sierra que bateu na parte externa da rede.

O intervalo fez bem ao Corinthians. O time voltou mais solto ao segundo tempo, aproveitando as debilidades do Deportivo Lara. A calmaria veio aos seis minutos, com Jadson completando sua tripleta. Jogada de Sidcley, para o meia dar uma batida seca na bola, em nova pintura. Contudo, quando os venezuelanos tentavam reagir, sua torcida voltou a atrapalhar. Na mesma meta onde Curiel foi atingido, um objeto foi atirado contra Cássio. O jogo parou, os jogadores tentaram acalmar os ânimos e, quando a peleja ia começar, mais uma vez jogaram algo contra o arqueiro corintiano. Foram mais de dez minutos até que os atletas conseguissem a colaboração de sua torcida, pedindo para que não voltassem a interferir. Mais incômodo que o vandalismo era ver a polícia posta na base das arquibancadas, sem fazer absolutamente nada para coibir os atos ou mesmo identificar os responsáveis.

Quando a bola voltou a rolar, já não parecia ter mais clima para um jogo competitivo. Virou uma pelada em plena Libertadores. Em sobra, Sidcley anotou o quarto aos 15. Sete minutos depois, o Deportivo Lara reduziu, graças ao oportunismo de Hernández. E na reta final, um show alvinegro. Aos 30, Romero acertou um voleio espetacular, daqueles para marcar qualquer carreira. Curiel fez dois milagres para evitar o sexto, até que o substituto Júnior Dutra aparecesse para conferir aos 44, abusando do desânimo dos anfitriões. Por fim, nos acréscimos, o camisa 9 voltou a mostrar serviço, aproveitando o rebote de Curiel para fechar a conta. Os corintianos voltavam com sete gols na bagagem e a classificação assegurada no Grupo 7.

O resultado contra o Deportivo Lara serve para elevar o moral de alguns jogadores. Pedrinho e Sidcley outra vez foram bem, assim como Jadson, o nome do jogo por seus três gols. Rodriguinho desperdiçou chances, mas isso não é problema pela maneira como tem ajudado o time. Romero ganhou um lance para voltar com seu discurso de que “tem técnica” e Júnior Dutra reivindica um pouco mais de minutos. Resta saber se vai ser mesmo Fábio Carille quem continuará avaliando isso.

Olhando para a tabela, ainda assim, a vitória tem muita valia, até pela maneira como o Deportivo Lara vinha sendo uma pedra no sapato dentro do grupo – vale lembrar que ganharam seus outros dois compromissos como mandantes. O Corinthians soma dez pontos e, na primeira colocação, só deixa a ponta em uma hecatombe, considerando a vantagem no saldo de gols. Na rodada final, mesmo uma derrota em casa com o Millonarios dificilmente atrapalharia, embora o triunfo seja importante pensando nos mandos de campo rumo aos mata-matas. Já o Independiente ficou com a mão na segunda vaga. Voltou de Bogotá com o empate por 1 a 1 e soma sete pontos, um a mais que o Lara e dois a mais que o Millonarios. Na próxima semana, o Rojo recebem os venezuelanos em Avellaneda, dependendo só de si.