O Arsenal andava com o seu moral esfacelado. Eliminado na Copa da Inglaterra pelo Nottingham Forest, precisando se contentar com a Liga Europa, vindo de uma sequência ruim na Premier League. Apesar da Copa da Liga para ser um paliativo, a derrota para o Swansea veio como um duro golpe. E quando o janeiro prometia ser cruel, diante da falta de perspectivas no mercado, eis que tudo se transforma no norte de Londres. Alexis Sánchez não saiu de mão beijada e, em contrapartida, rendeu Henrikh Mkhitaryan. Pierre-Emerick Aubameyang chegou. Por fim, observando o investimento do clube, Mesut Özil optou pela renovação. Empolgação que se refletiu em campo, com um primeiro tempo inebriante dos Gunners no Estádio Emirates. Contra o trio de “novidades”, o Everton foi reduzido a pó. Goleada por 5 a 1, que os torcedores esperam não ser mera exceção.

As ações de Arsène Wenger no mercado impactaram na escalação. O treinador não se furtou a utilizar os seus reforços. Mkhitaryan, que tinha saído do banco contra o Swansea, desta vez apareceu entre os titulares. Já Pierre-Emerick Aubameyang, que era dúvida por questões físicas, pôde estrear. O gabonês entrou como homem de referência, municiado por Özil na armação, além de Mkhitaryan e Alex Iwobi nas pontas. Alexandre Lacazette esquentou o banco.

E, mais do que os três solistas, o Arsenal como um todo jogou muito bem. Foram 20 minutos de espetáculo, em que tudo deu certo aos anfitriões. O time de Wenger propunha o jogo de maneira ofensiva e bem trabalhada, trocando passes rápidos, colocando o Everton na roda. Além disso, os Toffees davam sua parcela de contribuição, recuando demais e errando na marcação. Aos seis minutos, saiu o primeiro gol, lembrando os Gunners de outros tempos – atuando por música, com toques precisos e infiltrações. Aubameyang se antecipou e deu um tapa para Mkhitaryan, abrindo na direita. O armênio cruzou rasteiro e Aaron Ramsey apareceu no centro da área para completar. Pouco depois, Mkhitaryan e Auba erraram o alvo por pouco, mantendo o bombardeio londrino.

O segundo gol aconteceu aos 14, a partir de uma cobrança de escanteio. Após o desvio de Shkodran Mustafi, Laurent Koscielny se esticou para completar na pequena área. E o massacre tomou forma aos 19. O Everton deixou um espaço imenso na entrada da área e Ramsey, como quis, bateu de longe. A bola desviou no meio do caminho e tirou o goleiro Jordan Pickford da jogada. Pela imponência e pela eficiência, até parecia que o time da casa conseguiria uma goleada histórica no Emirates.

A partir de então, o Arsenal diminuiu um pouco o ritmo e o Everton finalmente apareceu no ataque. Em contragolpe fulminante, Theo Walcott parecia pronto a descontar. O atacante se livrou da marcação, mas, na hora de arrematar, foi travado providencialmente por Mustafi. Então, chegaria a hora de Aubameyang buscar seu primeiro gol pelos Gunners. O gabonês teve grande chance ao receber excelente lançamento de Özil, mas finalizou mal, dando a chance da defesa de Pickford. Já aos 36, ninguém o impediu. Mkhitaryan ajeitou e, ligeiramente impedido, o centroavante deu uma cavadinha antes de correr para o abraço. Antes do intervalo, Nacho Monreal ainda ficou no quase, carimbando a trave.

Durante o segundo tempo, o Everton tentou manter a sua honra, pressionando no ataque e forçando mais erros do Arsenal. Oumar Niasse carimbou a trave, em lance no qual se chocou com Petr Cech – que tentou permanecer em campo, mas acabou substituído minutos depois por David Ospina. O tcheco ainda teve tempo de sofrer um gol, em cabeçada indefensável de Dominic Calvert-Lewin. A noite, de qualquer forma, era dos Gunners. E em especial de Ramsey, bastante participativo na definição, anotando o quinto gol aos 28. Mkhitaryan recuperou bola na lateral e cruzou para o meio-campista, livre, bater dentro da área. Foi o primeiro hat-trick da carreira do galês, enquanto o armênio também completou sua “tripleta de assistências”. Não se viu um segundo tempo tão arrasador do Arsenal, sobretudo pelos desleixos quando o time recuou, mas queda de ritmo não atrapalhou a noite magnífica.

Ao menos no ataque, o Arsenal agora tem peças para se recuperar na Premier League. E a goleada sobre o Everton serve de sinal. O primeiro grande desafio, de qualquer maneira, acontecerá no próximo sábado, quando os Gunners visitam Wembley para o dérbi contra o Tottenham. Será um jogo importante não apenas pelo significado, mas também pela briga na tabela. O time de Wenger chega a 45 pontos, a três dos rivais (que podem abrir até seis, dependendo do resultado contra o Liverpool neste domingo), e ocupa a sexta colocação. Encurta para cinco pontos a diferença em relação ao Top Four, além disso. Para se classificar à Liga dos Campeões via liga, contudo, precisará de um sprint. Se jogar como no primeiro tempo contra os adversários mais duros, possui fôlego para isso.

O Everton, por outro lado, volta a questionar as suas condições. Depois de uma injeção de ânimo no início do trabalho de Sam Allardyce, os Toffees estagnaram e venceram apenas um jogo nas últimas oito rodadas. Caem para o décimo lugar, vendo o pelotão de trás se aproximar. E ainda oferecem uma dose de empolgação ao Arsenal – que os londrinos desejam não se transformar em doce ilusão.