Inglaterra e Itália não são dos países que costumam dar a maior atenção à Liga Europa. Que Chelsea e Manchester United tenham erguido a taça nos últimos anos, os títulos foram mais por ocasião. Pelo potencial, os representantes da Premier League poderiam se sair bem melhor. Enquanto isso, o desdém dos italianos impactou diretamente no coeficiente da Serie A no Ranking da Uefa. Nesta quinta, Atalanta e Everton abriram suas campanhas com perspectivas diferentes. A Dea revive o sonho continental após 26 anos. Já os Toffees, investindo alto, buscam um atalho à Champions. E o placar final do que se viu no Estádio Mapei não poderia ser mais surpreendente. Os nerazzurri não tomaram conhecimento do orçamento maior dos visitantes e fizeram uma partidaça, reforçando os predicados que ficaram evidentes desde a temporada passada. Vitória por 3 a 0, que põe a Atalanta na ponta do Grupo E.

Gian Piero Gasperini perdeu alguns de seus destaques, especialmente os agora milanistas Franck Kessié e Andrea Conti, mas dá para dizer que o mercado foi até positivo, diante das perspectivas. Depois da campanha histórica na Serie A, a Atalanta manteve a maior parte de seu elenco e ainda trouxe alguns bons reforços pontuais. E a frutífera parceria entre Papu Gómez e Andrea Petagna se provou mais uma vez atordoante. Os dois homens de frente comandaram o passeio da Dea durante o primeiro tempo.

O Everton até começou bem, ameaçando esporadicamente a Atalanta. A partir dos 20 minutos do primeiro tempo, entretanto, o que se viu foi um massacre nerazzurro. Foram 11 finalizações e três gols dos italianos até o intervalo, enquanto os ingleses sequer arremataram. O primeiro tento veio aos 26, em escanteio de Papu que Andrea Masiello completou na pequena área. Aos 41, o camisa 10 deixaria o seu. Petagna inverteu o jogo com precisão e o argentino fintou a marcação, antes de acertar um belíssimo chute de fora da área. Por fim, três minutos depois, Petagna atacaria de garçom novamente, em bela enfiada para Bryan Cristante, no meio da zaga dos Toffees.

Se quisesse forçar um pouco mais, a Atalanta ampliaria a goleada no início do segundo tempo. Foram mais algumas boas chances desperdiçadas nos 15 minutos iniciais, incluindo uma bola na trave de Remo Freuler. O Everton demorou a esboçar uma reação e, mesmo assim, acabou sendo pouco eficaz. Nem mesmo a presença de alguns dos seus jogadores mais renomados, como Wayne Rooney e Gylfi Sigurdsson, foi capaz de intimidar os nerazzurri. Em uma chave tão parelha, que conta também com Lyon e Apollon Limassol, os três pontos valem bastante.

Depois dessa mostra de força, a Atalanta será um time a se acompanhar ainda mais de perto na Liga Europa. Por mais que o elenco esteja mais recheado, será difícil conciliar a Serie A com a copa continental. E o início pouco empolgante na liga nacional, apesar das derrotas aceitáveis para Napoli e Roma, deixam as dúvidas sobre as possibilidades de se repetir uma campanha tão boa em uma frente que exige máxima regularidade. A Liga Europa pode não oferecer tantas garantias, mas a Dea já demonstrou sua vontade de marcar seu nome na competição. Em uma partida, já fez mais que boa parte de seus compatriotas nas últimas edições do torneio.