Pelo segundo ano, o Brasil terá sete representantes na Libertadores. E não terá oito porque a Chapecoense caiu diante do Nacional do Uruguai, uma das equipes mais tradicionais do torneio, na fase preliminar. Mesmo assim, são muitos brasileiros e um dos grupos tem até dois clubes do país. Os times brasileiros contam com orçamentos altos e principalmente expectativas muito altas. Os melhores times do país, teoricamente, estarão na disputa do principal torneio da América do Sul.

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Grêmio

Jogadores do Grêmio comemoram (Foto? Getty Images)

Como se classificou: atual campeão

Panorama do time

O time comandado por Renato Portaluppi irá defender o título sem ter perdido seus principais jogadores. O zagueiro Geromel, um dos melhores, se não o melhor do Brasil, segue como capitão do time; o meio-campo Arthur negocia a sua saída, mas por enquanto segue no time, defendendo e ajudando na criação de jogadas; Luan, melhor jogador da última edição, comanda as ações ofensivas do time. Renato faz um trabalho elogiável desde que assumiu o Grêmio, tornando o time não apenas competitivo, mas com um futebol envolvente e bonito. O início de ano com o time reserva foi ruim, mas não deve afetar o time no torneio continental.

Principais transferências

Com os pilares do time mantidos, o Grêmio buscou reforços. Trocou o lateral direito Edílson pelo atacante Alisson, repondo um dos jogadores que saiu, Fernandinho. Lucas Barrios também deixou a equipe, mas não foi uma saída tão lamentada. O argentino naturalizado paraguaio já não fazia bons jogos. Foi trazido o centroavante Hernane, ex-Bahia, para o seu lugar. A dificuldade é encaixar, especialmente no ataque. O meia Douglas ainda não voltou ao time e não foi inscrito na Libertadores.

O grupo

O Grêmio entra como o grande favorito no seu grupo. Defensor, Cerro Porteño e Monagas são seus adversários. O Cerro Porteño é a equipe mais perigosa, sendo o campeão paraguaio com melhor pontuação. É o time de Nelson Haedo Valdez, veterano que já atuou por muitos anos no futebol europeu. O time brasileiro não deve ter problemas para se classificar.

Flamengo

Henrique Dourado, do Flamengo (Foto: Flamengo)

Como se classificou: sexto colocado no Campeonato Brasileiro

Panorama do time

Um dos melhores elencos do país, o Flamengo tem uma enorme responsabilidade na edição 2018 da Libertadores. A campanha de 2017 foi frustrante, parando ainda na fase de grupos. É um time cheio de jogadores de peso, como o meia Diego, o goleiro Diego Alves, o meia Éverton Ribeiro e o atacante Paolo Guerrero, que começa a competição suspenso pelo seu caso de doping. Tanto o Flamengo quanto o jogador tentam uma redução da pena que o liberaria para jogar já em março. Se não, ele atuará apenas nos últimos jogos da fase de grupos, em maio. Nas últimas três participações, foi eliminado na fase de grupos. O desafio é ir além, ainda mais para um time de tamanho investimento.

Principais transferências

A incerteza do caso de Guerrero fez com que o Flamengo buscasse outro centroavante de peso: Henrique Dourado, o Ceifador, que chega do Fluminense para ser o responsável por marcar os gols do time. Chegou também Marlos Moreno, um jogador que vira opção pelo lado. Isso sem contar quem já estava lá, como Geuvânio, que pouco jogou. Os principais reforços acabam não sendo contratações e sim da base. Lucas Paquetá ganhou espaço no time e se tornou titular em 2017. Vinícius Júnior deve começar como reserva, mas é provavelmente a principal arma do técnico Paulo César Carpegiani vindo do banco.

O grupo

O grupo do Flamengo não dá margem para bobeira. O River Plate é o principal adversário, com altos investimentos. O time argentino vem mal das pernas no Campeonato Argentino, mas, em termos de nomes, é quem mais preocupa. Os outros dois times são bastante perigosos também. O Independiente Santa Fe é um time que também vem mal no campeonato nacional, mas conta com a boa fase de Wilson Morelo, atacante que tem marcado muitos gols. O Emelec é um velho conhecido do Flamengo em termos de tradição. Campeão equatoriano, é um time forte em casa e conta com Pedro Quiñonez, experiente e ídolo do time e contratou Jefferson Montero, um jogador que causa problemas às defesas adversárias.

Cruzeiro

Jogadores do Cruzeiro comemoram (Foto: Cruzeiro)

Como se classificou: campeão da Copa do Brasil

Panorama do time

O Cruzeiro chega com uma alta expectativa para a Libertadores. Campeão da Copa do Brasil, o time terminou 2017 em alta e ganhou ainda mais força com as contratações. Tem no banco Mano Menezes, um técnico experiente, e conta com o brilho de Thiago Neves, seu principal jogador na última temporada. Seguem no time o goleiro Fábio, o zagueiro Léo, o volante Henrique e o meia De Arrascaeta. O alvo é o título e o elenco montado tem condições de chegar lá.

Principais transferências

A principal contratação do time foi o atacante Fred, que estava no Atlético Mineiro e trocou de rival em Minas para voltar ao time pelo qual se destacou nacionalmente. O jogador de 34 anos não foi o único reforço. Edílson chegou para ocupar a lateral direita, vindo do atual campeão Grêmio. Mancuello chegou do Flamengo para ser opção de meio-campo, assim como Bruno Silva, que veio como destaque do Botafogo. No ataque, o time contratou David, do Vitória, que se destacou no último Campeonato Brasileiro e substitui Alisson, transferido ao Grêmio.

O grupo

O grupo 5 é um dos mais complicados. Tem o Vasco, um duelo nacional que é sempre duro, o Racing, um dos grandes argentinos e que se reforçou muito bem, como a volta do atacante Ricardo Centurión, ex-São Paulo e Boca Juniors, que voltou ao seu clube de coração, além de ter Lautaro Martínez, um dos jogadores em grande fase e é cotado para ir à Copa pela Argentina. A Universidad de Chile não vive fase iluminada como há alguns anos, mas tem um time experiente, com jogadores de seleção chilena, como Pinilla, Herrera, Jara e Beausejour.

Vasco

Jogadores do Vasco comemoram (Foto: Vasco)

Como se classificou: sétimo colocado no Campeonato Brasileiro

Panorama do time

Em um time que tinha objetivo de não ser rebaixado em 2017, a vaga na Libertadores veio como um prêmio até acima do esperado. O time comandado por Zé Ricardo passou por duas fases preliminares, sendo a última dramática – venceu por 4 a 0 a ida contra o Jorge Wilstermann e perdeu de 4 a 0 a volta, classificando apenas nos pênaltis. Tem a sua tradição sul-americana como trunfo em um time que passou longe da Libertadores nos últimos anos – esteve pela última vez no torneio em 2012. O elenco ainda é uma incerteza, com alguns jovens promissores como Evander e Paulinho, além da confiabilidade do goleiro Martín Silva. Wagner é outro que se mantém no time e pode ser um jogador experiente para ajudar o time.

Principais transferências

O time perdeu alguns jogadores de nome, como o zagueiro Anderson Martins e o meia Nenê. Luis Fabiano também foi desligado do clube, com problemas de lesão. Os reforços são os possíveis: chegaram o zagueiro Werley e Erazo, os laterais Fabrício e Rafael Galhardo, o volante Leandro Desábato, o meia Thiago Galhardo, os atacantes Rildo e Riascos. Giovanni Augusto chegou por empréstimo do Corinthians com a expectativa de dar mais qualidade à criação do time.

O grupo

Está em um grupo difícil e a classificação será complicada. Tem o Cruzeiro, o grande favorito da chave; o Racing, um time que parece sair na frente dos vascaínos em qualidade; e a Universidad de Chile, que tem jogadores experientes. O Vasco já mostrou capacidade de superação e precisará mostrar isso nos seis jogos desta fase para seguir surpreendendo e avançar ao mata-mata. O grupo é equilibrado e, por isso, o time não poderá dar bobeiras como aconteceu no jogo de volta contra o Jorge Wilstermann para seguir vivo.

Santos

Gabriel Barbosa, do Santos (Foto: Santos FC)

Como se classificou: terceiro colocado no Campeonato Brasileiro

Panorama do time

O Santos tem sido uma presença constante na Libertadores e chega mais uma vez depois de ser terceiro colocado no Campeonato Brasileiro de 2017. Será um time reformulado, se não tanto no elenco, ao menos no comando, com Jair Ventura assumindo a equipe, depois da ótima campanha com o Botafogo no último ano. Terá o desafio de tentar novamente ir longe no torneio, que ganhou pela última vez em 2011, ainda com Neymar.

Principais transferências

Além do técnico Jair Ventura, quem chegou no elenco do Peixe foi o atacante Gabriel Barbosa, o conhecido Gabigol. Depois de fracassos na Internazionale e no Benfica, chega por empréstimo odo clube italiano até o fim do ano. Começou muito bem e pode ser o diferencial de um time que não tem grandes craques, mas tem bons jogadores. Além dele, chegou o lateral Dodô, que vem da Sampdoria, também por empréstimo. Um grande reforço pode vir do próprio clube: a volta de Vitor Bueno, que esteve ausente em grande parte de 2017 por lesão.

O grupo

É um grupo com times tradicionais, com três campeões. Além do Santos, Nacional, do Uruguai, e Estudiantes. Só mesmo o Real Garcilaso, do Peru, ainda não levantou a taça. A tradição é grande. O Estudiantes conta com o experiente Gastón Fernández, camisa 10 do time. O Nacional passou por duas fases preliminares, eliminando a Chapecoense em uma delas, e é um time que vem forte para brigar por vaga no mata-mata. Tirando o Garcilaso, os outros três brigam por classificação.

Corinthians

Jogadores do Corinthians comemoram (Foto: Corinthians)

Como se classificou: Campeão Brasileiro

Panorama do time

O campeão brasileiro chega com moral. Depois de um 2017 que começou com pouca expectativa e acabou com título Paulista e especialmente Brasileiro, o time comandado por Fabio Carille chega com a força conjunta como o principal trunfo. O problema será o time se remontar depois da perda de alguns jogadores. A confiança é que o time possa ser remontado por Carille. Não dá para duvidar da força do time, ainda que faltem jogadores em posições específicas. O conjunto segue sendo forte e, por isso, o time é um candidato a ir longe.

Principais transferências

O Corinthians perdeu três jogadores da base campeã brasileira em 2017: o zagueiro Pablo, o lateral Guilherme Arana e o atacante Jô. Chegou o zagueiro Henrique, que supre bem a falta de Pablo, além da recente chegada de Marllon, que chega para o banco; Junior Capixaba e, mais recentemente, Sidcley para a lateral esquerda; Júnior Dutra e Emerson Sheik para o ataque. Também voltou Lucca de empréstimo à Ponte Preta. O time trouxe ainda o volante Renê Júnior, que foi muito bem no Bahia. O time ainda sente falta de um centroavante, mas precisará se virar com o que tem.

O grupo

O grupo 7 tem os seus perigos. O Independiente é o campeão da Sul-Americana, com um time forte e que larga como um dos favoritos a classificar. É o Rei de Copas, tem tradição e um estádio duro para os visitantes. O Millonarios é um time que tenta chegar ao mata-mata usando o estádio El Campín, uma das suas armas. O Deportivo Lara é o mais fraco do grupo e perder pontos contra os venezuelanos será um erro fatal.

Palmeiras

Jogadores do Palmeiras comemoram (Foto: Palmeiras)

Como se classificou: segundo colocado no Campeonato Brasileiro

Panorama do time

Um dos melhores elencos do Brasil, o Palmeiras volta à Libertadores para tentar uma história melhor que a da temporada passada, quando caiu nas oitavas de final diante do Barcelona de Guayaquil. O time é forte, manteve a base e ainda trouxe reforços. Tem Dudu, capitão e ainda destaque, e ótimas opções de ataque com Willian, Keno e Borja, que começou o ano melhor do que vinha no ano passado. A novidade começa no banco, com o técnico Roger Machado assumindo o comando. Com um elenco de qualidade e um bom início de temporada, o que se espera é que o time vá longe na competição e dispute o título.

Principais transferências

O já estelar elenco alviverde ganhou alguns reforços de muito peso. Lucas Lima chegou para assumir um posto no meio-campo, tendo sido o jogador com mais assistências na temporada passada. Chegou também Gustavo Scarpa, o segundo no quesito assistências. O goleiro Weverton foi contratado, mas começou como terceira opção. O titular é Jaílson, com Fernando Prass no banco. Chegaram também os laterais Marcos Rocha e Diogo Barbosa. Victor Luiz voltou de empréstimo e também reforça o elenco.

O grupo

O Palmeiras não tem um grupo fácil. O Boca Juniors, líder do Campeonato Argentino e com o reforço de Carlos Tevez, é o principal concorrente. Tem ainda o Junior Barranquilla, o adversário da estreia, com Teo Gutierrez como o principal jogador. O elenco, porém, não é dos melhores e precisará somar pontos, especialmente em casa, se quiser brigar com os dois gigantes. Por fim, o Alianza Lima corre totalmente por fora, com um time bem abaixo dos concorrentes. A sua vantagem é estar em Lima, uma viagem desgastante para Palmeiras e Boca.