Não dá para saber se Santi Cazorla voltará a jogar no mesmo nível de antes, aos 33 anos. Sequer se conseguirá se firmar novamente como titular do Arsenal. Mas para quem não disputa uma partida competitiva desde outubro de 2016, e correu riscos até mesmo de amputar a perna neste intervalo, aparecer no gramado do Estádio Emirates batendo bola já é uma vitória daquelas. A imagem alentadora aconteceu antes que os Gunners entrassem em campo pela Liga Europa, empatando com o Atlético de Madrid na semifinal da competição. A recuperação do espanhol, afinal, foi a melhor notícia do dia no norte de Londres.

Em dezembro de 2016, Cazorla operou o tendão na zona plantar do pé direito. Depois de retirar os pontos, a ferida continuava se abrindo e ele passaria pelo centro médico mais oito vezes para tratar o problema. Era possível ver o próprio tendão através do corte profundo, com uma enorme gangrena. Diante da falta de resolução, o meia resolveu interromper o tratamento na Inglaterra e ir à Espanha, se consultar com um médico local. Foi quando o doutor Mikel Sánchez percebeu a gravidade da infecção, que danificou o osso do calcanhar e, segundo suas palavras, “comeu” oito centímetros do tendão de Aquiles. A batalha, mais do que nunca, era para voltar a uma vida normal.

O tratamento de Cazorla incluiu uso de antibióticos, para combater a infecção. Depois, reconstruiu o tendão, fazendo também um transplante da pele do antebraço, para cobrir o buraco na altura da ferida. Em setembro do ano passado, voltar a correr já parecia uma vitória. De qualquer maneira, a recuperação ainda teve outras complicações menores, como um edema ósseo. Já na última semana, o espanhol voltou a ser pauta no clube, positivamente. Arsène Wenger garantiu que o trabalho físico do veterano estava se saindo bem. Inclusive, o comandante deu esperanças de que a volta aconteça antes do fim da temporada. “Sentimos muito a falta dele”, comentou o treinador.

O esforço de Cazorla é importante até mesmo para a sua continuidade no Arsenal. O contrato do meia se encerra em junho.  Segundo Wenger, o clube irá avaliar a renovação a partir das condições físicas do veterano, considerando se ele conseguirá manter o nível competitivo na Premier League. Por tudo o que o espanhol passou e por aquilo que se dedicou, merece uma nova chance.