Concorrer com a Premier League é o novo mote da liga espanhola de futebol (LFP). Haverá uma série de medidas para fazer com que La Liga se torne mais interessante e concorra com a Premier League por espaço no mundo. O presidente Javier Tebas falou sobre uma medida inovadora e incrivelmente estúpida para fazer os estádios ficarem cheios: multar os times que mostrarem espaços vazios nas transmissões de TV. Isso mesmo.

LEIA TAMBÉM: O raro tricampeonato continental do Sevilla dimensiona a grandeza de um time histórico

A ideia é uma dessas que alguém deve ter dito: “Ei, por que não multamos quem não enche estádio?”. Pois é o que acontecerá. Pense que a ideia é fazer o campeonato melhor, mais atraente para o público internacional. A liga espanhola quer ter uma transmissão própria, como a Premier League, e, assim, irá multar quem tiver espaços vazios em seus estádios na transmissão oficial, porque isso impactaria de forma negativa para quem assiste.

Tebas comparou o número de torcedores que são donos de carnês de temporada na Inglaterra, 15 milhões, e os da Espanha, apenas cinco milhões. O dirigente acredita que é possível chegar em oito ou nove milhões para aumentar a média de público.

“Na temporada que vem vamos trabalhar com uma câmera central fixa, que a Premier League já tem. O regulamento que prevê diferentes padrões e na próxima temporada haverá sanções econômicas para os clubes que não estiverem com todos os lugares ocupados na câmera”, disse Tebas em entrevista à agência EFE.

La Liga teve uma média de 28.191 pessoas por jogo na temporada 2015/16, o que a coloca como a terceira maior média do mundo, atrás da Bundesliga (43.300) e Premier League (36.452).

A ideia de ter mais gente no estádio é ótima. O meio de se chegar a isso que não parece muito inteligente. É preciso analisar como tornar os jogos mais atraentes (e talvez mais acessíveis) para que os estádios estejam sempre cheios. Usar a premissa que a multa fará os clubes se movimentarem não é realmente uma ideia muito producente. Até porque a intenção não parece ser de fato encher os estádios, mas sim criar uma maquiagem para a TV.

Por exemplo: se o Corinthians encher o setor leste e atrás dos dois gols, mas não o setor Oeste, na TV o estádio parecerá cheio. Isso porque o setor oeste não aparece nas câmeras. Parece ser essa a ideia: maquiar. Se La Liga quiser ser uma liga mais forte e mais relevante, até como atração de TV, para o resto do mundo, terá que fazer mais do que maquiar.

Ao menos há uma boa notícia: os direitos de transmissão serão vendidos de maneira diferente a partir da próxima temporada, como foi anunciado no dia 1º de maio. A venda passará a ser coletiva, e não mais individual, o que beneficiava amplamente Barcelona e Real Madrid. Os dois clubes continuarão sendo os que mais arrecadam, mas dividirão o bolo muito mais do que fazem atualmente.

Nos novos contratos, que valem a partir da temporada 2016/17, os direitos de transmissão de La Liga irão reservas 10% do total para os clubes da segunda divisão. Deste dinheiro, 70% será dividido igualmente entre os clubes deste escalão. Entre os times da primeira divisão, os 90 % restantes serão divididos em três partes. Metade do dinheiro será dividido igualmente entre os clubes. Uma segunda parte será de acordo com o desempenho do time. Outra será de acordo com o tamanho do clube.

Atualmente La Liga tem 45 contratos internacionais de direitos de transmissão, mas tem a expectativa de chegar a 80, incluindo chegar em países como a Nigéria e outros da África. Por isso a preocupação em como os estádios irão aparecer na TV. Dizem que quando se tem um problema, você já tem meio caminho andado se já sabe qual é esse problema. Pena que La Liga, e seu presidente, ainda não percorreram o resto do caminho, porque maquiar para aparecer na TV não é exatamente solução.