Levir Culpi traz boas lembranças ao torcedor do Atlético Mineiro por sua última passagem, claro. Conquistou o retorno do clube à elite do Brasileirão, ao faturar a Série B de 2006, e também liderou o time no célebre título do Campeonato Mineiro de 2007 – quando goleou o Cruzeiro, treinado exatamente por Paulo Autuori. A volta do treinador ao Galo, porém, também é um tanto quanto enigmática. Culpi deixou os alvinegros para trabalhar no Japão e, desde então, ficou por lá. Por quase seis anos treinou o Cerezo Osaka, em duas passagens.

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Tempo suficiente para que fosse esquecido pela maioria dos torcedores brasileiros. Mas durante o qual Levir Culpi fez um bom trabalho de reconstrução com o Cerezo. Não foi tão vencedor quanto Oswaldo de Oliveira, tricampeão japonês com o Kashima Antlers. Ainda assim, dá para colocar o brasileiro entre os melhores técnicos que passaram pela J-League durante a última década. Tradicional frequentador do meio de tabela, o clube de Osaka havia acabado de cair para a segunda divisão quando Culpi assumiu, sob a missão de fazê-lo retornar à elite.

O objetivo não era tão fácil quanto o do Atlético Mineiro em 2006. Apenas dois clubes sobem no Campeonato Japonês, e o Cerezo Osaka bateu duas vezes na trave, quinto colocado e quarto nas duas primeiras temporadas do brasileiro. Ao mesmo tempo, o treinador ia renovando o elenco, lançando algumas das maiores promessas do futebol japonês nos últimos anos. E com vários jovens no time que o clube confirmou a volta à primeira divisão em 2009, vice-campeão da J-League 2.

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Shinji Kagawa começou a ganhar mais espaço no time principal com ele, assim como Hiroshi Kiyotake, Takashi Inui e Yoichiro Kakitani, quatro peças importantes na seleção que disputará a Copa de 2014. Foram os 27 gols de Kagawa no acesso da segundona de 2009, aliás, que chamaram atenção do Borussia Dortmund, pelo qual foi o melhor jogador da Bundesliga dois anos depois. O produtivo ataque, aliás, garantiu a fama do futebol ofensivo da equipe, que passou dos 100 gols naquela campanha.

Mesmo sem seu craque, Levir Culpi teve uma ótima temporada no retorno à J-League. Conduziu o time até a terceira posição no campeonato de 2010, a melhor da história do Cerezo, se classificando para a Liga dos Campeões da Ásia. No ano seguinte, todavia, o desempenho não foi tão bom. Com um desmanche ainda maior, o time ficou em 12º  na tabela, além de cair nas quartas de final do torneio continental para o Jeonbuk, vice-campeão do torneio. No final de 2011, Culpi deixou o cargo para passar mais tempo com a família, apesar do interesse do Cerezo em continuar com ele.

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Já a segunda passagem de Levir Culpi pelo Cerezo Osaka começa em agosto de 2012, após a demissão de Sérgio Soares. Pegou o time correndo risco de rebaixamento e o manteve na primeira divisão. Na temporada seguinte, com mais tempo para desenvolver seu trabalho, o treinador acabou a J-League em quarto, recolocando Osaka na Liga dos Campeões da Ásia. No entanto, outra vez o brasileiro preferiu encerrar seu contrato, desta vez para voltar a trabalhar no Brasil – neste intervalo, Culpi chegou a recusar uma proposta do Cruzeiro e por pouco não assumiu a coordenação das seleções de base após a saída de Ney Franco, algo que só não se concretizou pela demissão de Mano Menezes.

É difícil prever como será a readaptação de Levir Culpi. Mas, a princípio, o técnico não deve encontrar nenhum problema. As características de seu trabalho no Japão, aliás, podem até auxiliá-lo. Afinal, uma das maiores reclamações sobre o time de Paulo Autuori era a falta de produtividade no ataque, algo sobre o qual Culpi fez fama no Japão. Além disso, a atenção sobre as categorias de base só tende a ajudar, considerando a geração de nomes promissores preparados pelo Galo nos últimos tempos – especialmente para não deixar o time tão dependente dos medalhões em má forma, como Ronaldinho e Tardelli. Se os atleticanos têm boas memórias de Levir Culpi, também podem ter confiança de que não ganharam um técnico apenas no ostracismo em uma liga menor.

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