Quando Fernando Hierro trouxe Andrés Iniesta e David Silva para atuarem pela faixa central contra o Irã, tinha uma ideia de jogo. A qualidade técnica dos veteranos seria essencial para exercer o domínio de posse de bola contra os persas e tentar encontrar as brechas. Os dois não conseguiram ser tão preponderantes assim. A fortíssima marcação armada por Carlos Queiroz dificultou bastante a vida da Roja e, mesmo que os espanhóis forçassem os passes mais do que o normal, estava difícil encontrar o espaço. O caminho ao gol, porém, só se abriu quando os dois craques se combinaram. Uma tabela iniciada pela dupla rompeu o paredão iraniano, com um drible desequilibrante do camisa 6 e a ajuda primordial de Diego Costa fazendo o pivô – além, é claro, de um bocado de sorte na bola espirrada.

A Espanha dependeu bastante de Sergio Ramos nesta quarta. O zagueiro atuou praticamente como um meio-campista, se aproximando de Sergio Busquets e distribuindo passes. Isco foi outro a destoar, tentando quebrar a marcação com seus dribles e, se movimentando a partir da ponta esquerda, dando mais passes do que qualquer outro em Kazan. Iniesta vivia mais de lampejos, oscilando ao longo da noite. Enquanto isso, David Silva buscava infiltrar mais, sendo o principal finalizador do duelo. Até que os dois veteranos se combinassem para algo diferente no segundo tempo.

O lance começa na sobra de um escanteio cobrado pela Espanha, do lado esquerdo do ataque. Após o corte da zaga, Iniesta ganha o rebote na intermediária e volta ao meio-campo para iniciar a jogada, quando o Irã, ainda se reorganizando pelo posicionamento diferente na bola parada, se defendia com duas linhas de quatro e tinha dois jogadores mais soltos para pressionar na marcação. Iniesta encontrou a primeira brecha ao passar por Vahid Amiri. Contou com David Silva encontrando um espaço entre as linhas e tocou, recebendo de volta. Então, veio o momento-chave do camisa 6. Saeid Ezatolahi fez uma partida praticamente impecável na cabeça de área. Praticamente porque, quando saiu para dar o bote em Iniesta, tomou um drible e ficou pelo caminho. Foi o que quebrou a barreira persa.

Diante da liberdade a Iniesta, a linha de zaga também não havia fechado os espaços da maneira devida. Precisou se deslocar um pouco mais à esquerda, preocupada com a permanência de Gerard Piqué no ataque e com a arrancada de David Silva. Já pela direita, surgiu um clarão para Diego Costa, em chance rara ao longo do confronto. O giro do centroavante sobre o zagueiro Morteza Pouraliganji o deixou em ótimas condições e, com uma pitada de sorte, o corte de Ramin Rezaeian bateu em sua perna antes de entrar. Saía o gol da vitória.

Um jogo tão parelho acaba sendo decidido em minúcias. E uma circunstância específica gerou a situação favorável à Espanha. A boa tabela, juntamente com o drible para tirar o adversário do caminho, foram vitais para destravar o jogo, diante do mínimo erro de organização dos iranianos. Que Iniesta não tenha impressionado como pode, tem sua parte nesta vitória. Mais uma vez.