O Burnley fez uma campanha bem digna na edição passada da Premier League. Retornou à primeira divisão e não correu tantos riscos de rebaixamento, especialmente pelo excelente aproveitamento como mandante. Alguns jogadores importantes foram embora (sobretudo Andre Gray e Michael Keane), outras apostas chegaram, mas os Clarets conseguiram dar um passo além. Protagonizam um primeiro turno ainda mais consistente, se metendo entre alguns dos elencos mais estrelados da Inglaterra. E nesta terça, chegaram ao ápice: a vitória por 1 a 0 sobre o Stoke City colocou o time provisoriamente na zona de classificação à Liga dos Campeões, em quarto. É a melhor colocação do clube no Campeonato Inglês desde março de 1975.

Assim como boa parte das equipes inglesas, o Burnley teve os seus momentos de grandeza no passado. Os auges foram vividos no início da década de 1920 e também na de 1960, quando os Clarets conquistaram seus dois títulos nacionais. Já na primeira metade da década de 1970, embora o time tenha passado brevemente pela segunda divisão, encerrando sua maior sequência de participações na elite, conquistou a Charity Shield e frequentou a parte de cima da tabela do Inglês. Um gosto que não havia se vivido mais desde então, com a agremiação ficando na gangorra entre as quatro divisões profissionais da liga depois disso.

A ótima largada do Burnley na Premier League 2017/18, obviamente, tem a ver com a força em Turf Moor. São cinco vitórias conquistadas em casa, que ajudam a impulsionar a pontuação. No entanto, os Clarets também precisaram melhorar como visitantes para desta forma na classificação. Os quatro triunfos registrados até o momento superam com sobras a única vitória longe dos domínios alcançada na temporada passada. E não são adversários quaisquer. O Burnley derrotou Chelsea, Everton, Southampton e Bournemouth, além de ter empatado com Tottenham e Liverpool. As derrotas como visitante aconteceram apenas diante do líder Manchester City e do embalado Leicester.

Por trás da arrancada do Burnley está Sam Dyche, o treinador que assumiu os Clarets em 2012, quando o time ainda ocupava posições intermediárias na Championship, e conquistou dois acessos – mantido no cargo mesmo depois de ser rebaixado no retorno à Premier League em 2014/15. Não é o clube que mais marca gols, longe disso, assim como está entre os piores em algumas estatísticas ofensivas importantes. Mas a eficiência e a solidez defensiva ajudam a explicar o aproveitamento bem acima do esperado. Apenas Manchester City e Chelsea marcaram mais de um gol nos Clarets durante a atual campanha.

Em campo, o Burnley prima por ter um elenco homogêneo, mesmo sem grandes investimentos. A rotação funciona bem, especialmente diante da algumas perdas importantes por lesão, que têm perseguido os Clarets. Os gols se distribuem bastante, com Chris Wood liderando a artilharia com quatro gols. Já o protagonismo fica com o goleiro Nick Pope, que entrou em uma fogueira ao precisar substituir o machucado Tom Heaton e vem dando conta do recado, com boas atuações. Além dele, também merece menção a dupla de zaga formada por James Tarkowski e Ben Mee, além do meia Johann Berg Gudmundsson, autor de cinco assistências.

A quarta colocação do Burnley não deve durar muito, podendo ser ultrapassado nesta quarta por Liverpool, Arsenal e Tottenham. De qualquer maneira, figurar ao lado de equipes tão badaladas já vale bastante. A tabela dos Clarets nesta virada de ano é difícil, com duelos contra Tottenham, Manchester United e Liverpool, além de Brighton e Huddersfield. E o objetivo inicial ainda é somar os pontos que garantam matematicamente o time na Premier League para 2018/19. Descolar um lugar nas copas europeias parece duríssimo, considerando as exigências do campeonato. Independentemente disso, em uma liga de forças estabelecidas, ser o “sétimo elemento” é praticamente um título à maioria dos times. E o Leicester ensinou todos eles a sonhar.