Desde 2011, nenhum clube de fora da Europa gastou mais em contratações do que o Guangzhou Evergrande. Os chineses desembolsaram cerca de € 162 milhões em reforços no período – € 9,6 milhões a menos que o Borussia Dortmund, por exemplo. Além disso, os salários estratosféricos pagos para atrair as estrelas internacionais também elevam os investimentos às alturas. Porém, engana-se quem pensa que a estruturação do Guangzhou como uma potência depende apenas do talento estrangeiro. Em 2012, os donos do clube inauguraram a maior escola de futebol do mundo.

Empresa estatal do ramo imobiliário, o Grupo Evergrande gastou cerca de € 165 milhões na construção do complexo, erguido em apenas 10 meses. A estrutura serve como categoria de base do Guangzhou, mas não apenas isso. Há uma espécie de internato no local, que abriga cerca de 2,6 garotos e 200 garotas de diversos cantos do país. Eles treinam, estudam e moram no local, montado em uma área rural da cidade de Qingyuan, ao norte de Cantão. Além de 50 campos de futebol, há imponentes prédios que abrigam os jovens – se você pensou em Hogwarts, não terá sido o único. O local também conta com estruturas de lazer, incluindo quadras de basquete, tênis e vôlei, biblioteca, piscinas, academias e até um cinema.

A base do Guangzhou é vista como uma esperança não apenas para o seu elenco principal, como também para o próprio futebol chinês. Um modelo para começar a desenvolver jogadores à seleção nacional e para ser seguido pelas demais equipes da Super League – como já fez o rival Guangzhou R&F, que abriu o seu CT com auxílio do Chelsea. O Guangzhou buscou 24 treinadores espanhóis para comandar o trabalho, como resultado de uma parceria com o Real Madrid. “O que nós ficamos sabendo é que as crianças tem um alto nível técnico, mas a grande diferença é tática, particularmente para fazer progressos”, comenta Sergio Zarco Díaz, um dos professores contratados, em entrevista à CNN. Os espanhóis contam com o auxílio de tradutores para orientar os garotos.

guangu

O projeto rendeu elogios até mesmo de Xi Jinping, presidente chinês e um dos maiores incentivadores do esporte no país. “Em cerca de quatro anos, o futebol chinês certamente verá uma melhoria e talvez volte a ser um dos principais concorrentes na Ásia. E, obviamente, em 20 ou 30 anos, nós estaremos no topo do ranking mundial”, afirma Liu Jiangnan, o diretor da escola do Guangzhou. A seleção chinesa aparece em terceiro em seu grupo da segunda fase das Eliminatórias Asiáticas, e depende de uma complicada combinação de resultados para conseguir avançar à próxima etapa.

Os custos do “internato do futebol”, contudo, não são bancados apenas pela Evergrande. Boa parte dos alunos faz parte da elite chinesa e precisam que os pais paguem uma anuidade de US$ 9,2 mil – um valor um pouco mais alto que o salário médio no país. Ainda assim, o Guangzhou também oferece bolsas de estudos para os mais talentosos. Com eles, de fato, espera garimpar grandes talentos para a equipe profissional dentro de alguns anos. Acabam ganhando também uma educação qualificada no local.

Mas, independente da origem, a maioria absoluta dos garotos sonham alto. Querem se tornar profissionais e defender um grande clube. Mais do que isso, querem ser campeões com a China. Uma enorme réplica da taça do Mundial, na entrada do complexo, não deixa ninguém se esquecer disso. “Nós queremos conquistar a Copa. É para isso que trabalhamos”, comentou Fernando Sánchez, ex-jogador da base do Real Madrid que atua como diretor técnico, em entrevista ao Telegraph. “O presidente do clube gosta do grandioso. Ele aprecia a opulência. Se ele vai construir algo, será o melhor. Mas é muito grande para o meu gosto – eles querem colocar 10 mil alunos aqui”. Mania de grandeza visível em cada canto da escola em Qingyuan e que, se o plano dos chineses seguir o que esperam, também será notável dentro de campo.

guang