Durante as últimas semanas, a imprensa germânica passou a colocar em xeque a presença dos times da Red Bull na próxima Liga dos Campeões. Leipzig e Salzburg são fortes candidatos à classificação para o principal torneio continental, com a filial na segunda colocação do Campeonato Alemão e a matriz na liderança do Campeonato Austríaco. No entanto, segundo o regulamento de competições da Uefa, duas agremiações pertencentes ao mesmo dono não podem figurar nas copas europeias. Problemas que, conforme a revista 11 Freunde, podem ser ainda maiores que o aparente.

O primeiro questionamento foi levantado pelo Salzburger Nachrichten. O jornal austríaco apontou, com base em informações de bastidores, que a Uefa havia dado sinais da proibição à Red Bull. O regulamento da entidade fala sobre a questão em seu artigo sobre a “integridade da competição”. Clubes “sob controle ou influência” de uma mesma pessoa ou empresa estão impedidos de figurar em seus torneios em uma mesma temporada. Esta influência pode ser determinada não apenas pela posse majoritária das ações, mas também por uma “posição a exercer a tomada de decisões nos clubes” ou por um “acordo que possibilita a maioria de votos entre os acionistas”.

Caso isso aconteça, a prioridade nas copas europeias seria dada àquele que se classificar à competição mais importante – no caso, a Liga dos Campeões acima da Liga Europa.  Se ambos carimbarem o passaporte à Champions, o segundo critério de exclusão é a colocação na liga nacional. Portanto, se os dois times da Red Bull mantiverem suas posições, independentemente se o Leipzig já tivesse seu lugar na fase de grupos, o favorecido seria o Salzburg. O Leipzig só passaria à frente na fila se o Salzburg não for campeão.

Neste artigo do regulamento, porém, ainda é possível fazer “vista grossa”. A própria Bundesliga não permite que mais de 50% das ações de um clube se concentrem nas mãos de um mesmo proprietário. No caso do RB Leipzig, 99% da propriedade do clube acabaram divididos entre funcionários da Red Bull. Por mais que a companhia seja dona do clube alemão na prática, há uma brecha a partir da legalidade. Mas, segundo a 11 Freunde, há outro imbróglio muito claro, sobre aquilo que diz o Fair Play Financeiro.

Pelo FFP, a Uefa coloca sob investigação “uma entidade que, sozinha ou em associação com outras entidades ligadas ao mesmo dono, representa mais de 30% do total das receitas de um clube”. Em cima disso, a Red Bull já teria contornado o entrave em Salzburg. Nas últimas temporadas, o clube austríaco lucrou cerca de €100 milhões em transferências de jogadores – embora €40 milhões tenham vindo da filial alemã. Assim, a empresa representaria menos de 30% do total das receitas. Não à toa, a companhia de energéticos tem se classificado agora como um “patrocinador ordinário do Salzburg, como qualquer outro”. O que não necessariamente ocorre em Leipzig.

A 11 Freunde afirma que o caminho mais factível para o Leipzig diminuir esta influência seria encontrar patrocinadores que ajudassem a balancear as contas. Conforme a publicação, mais de 70% das receitas do clube alemão vêm da Red Bull. O problema seria achar alguém interessado a desembolsar tanto dinheiro em tempo hábil, e sem levantar novos questionamentos.

Durante as últimas semanas, o diretor-executivo do Leipzig, Oliver Mintzlaff, colocou panos quentes sobre a polêmica: “Não há nervosismo no RB Leipzig ou qualquer sinal da Uefa. Então, se nos classificarmos em campo, não há razão para duvidar de nossa participação nas competições internacionais”. A Uefa também se posicionou oficialmente, dizendo que nenhum aviso foi dado e que o tema só será discutido em seus corredores quando as classificações às copas europeias forem confirmadas. Mas, por aquilo que a imprensa já levanta, não será mera banalidade.