Mascherano perseguiu Robben em Itaquera

Esqueça o zagueiro mediano: como volante, Mascherano é um dos melhores da Copa

Em uma disputa pelo alto, a pancada forte na cabeça. Mascherano parecia sem chão depois de sentir o impacto. Tateou algo em seu caminho e acabou caindo no gramado. Preocupação evidente para os argentinos. Porque, se Lionel Messi é o capitão de fato da Albiceleste, o camisa 14 é quem exerce a liderança por direito. O pulmão na marcação e na saída de bola. O coração pulsa forte e que controla os nervos do resto do time. Uma vontade que, mais do que a dor e o susto, fez o volante permanecer em campo. Para sair como herói na classificação dos argentinos à final da Copa.

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Mascherano pode não ser o zagueiro dos sonhos no Barcelona. Improvisado no setor por tantos acasos, o argentino é alvo de críticas constantes, especialmente por contribuir pouco naquele que é o calcanhar de Aquiles dos blaugranas: o jogo aéreo. Na seleção, contudo, ele reencarna o ótimo volante que sempre foi. Às vezes duro demais com os adversários, que faz muita gente taxá-lo como violento. Normal, já que seu papel não é aliviar. Se alguém precisava ser símbolo da raça para uma defesa muitíssimo criticada, era o camisa 14. Exemplar pela entrega a cada bola e pela energia como contagia os companheiros. O pilar de uma equipe que ainda não sofreu gols nos mata-matas. Com a bola, o protagonista do time é Messi. Sem ela, Mascherano se sobressai mais do que qualquer outro.

E, em um jogo no qual a Brazuca sofreu bastante, quem a tratou da maneira como tinha que ser tratada nessas condições foi Mascherano. A pancada na cabeça não atrapalhou que o volante se arriscasse a cada lance. O carrinho salvador em Arjen Robben dentro da área, aos 45 do segundo tempo, valeu tanto quanto um gol para a Albiceleste. A forma como o cabeça de área perseguiu o craque holandês, não deixou que um dos melhores da Copa tivesse espaço, foi impressionante. O camisa 14 parecia estar em todos os lugares da defesa, para sequer deixar brechas para que os holandeses ameaçassem a meta de Romero.

Mais do que isso, Mascherano também foi muitíssimo eficiente na distribuição de jogo. Comandou a saída de bola com tranquilidade, com sobras o líder de passes e lançamentos do time. Algumas vezes, teve espaço até demais, podendo arriscar a gol. Não foi tão bem nessas aventuras ao ataque. Pelo que fez à defesa, no entanto, já merecia o prêmio de melhor jogador em campo. Incansável durante os 120 minutos, para manter a Holanda sob controle e dar à Argentina a chance de decidir seu destino nos pênaltis. Mais importante ainda, foi ele quem chegou em Romero e motivou o goleiro: “É hoje que você vai se converter em herói”. Aconteceu.

A atuação na Arena Corinthians foi a melhor de Mascherano em uma estupenda Copa do Mundo do meio-campista – o maior ladrão de bolas, o melhor lançador e o terceiro melhor passador. Não só um dos melhores volantes, mas um dos melhores jogadores da competição até aqui. Se a Albiceleste tem avançado fase a fase no limite, deve muito a sua consistência sem a bola. E não há responsável maior por isso do que o seu “chefe”, nos gritos e na força.

No dia 9 de julho, a Argentina celebra a declaração de sua independência. No futebol, esse dia passa a ter também um novo herói a partir de 2014. Pela forma como Mascherano honrou as cores da bandeira, certamente deixaria orgulhosos aqueles que tanto lutaram por libertar o país. Emblema que, para os vizinhos, merece tanto levantar a taça quanto Messi.

Abaixo, a pancada e o carrinho, os dois grandes momentos de Mascherano no jogo: