Torcedores de Peñarol e Defensor Sporting que gostam de mata-mata terão um prato cheio neste fim de ano. Nas próximas semanas, as duas equipes entrarão em uma maratona bizarra de confrontos diretos decisivos. Na maluquice do regulamento do Campeonato Uruguaio, faltam três fases para definir o campeão, e todas elas serão compostas exclusivamente por jogos entre carboneros e tuertos.

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Bem, é preciso explicar como isso é possível. E ninguém aqui o estará julgando se você achar necessário pegar um papel e uma caneta para anotar, porque é enrolado mesmo.

O Campeonato Uruguaio 2017 é composto por três grandes torneios. No primeiro semestre, foi disputado o Apertura, com todos os 16 times se enfrentando em turno. No segundo semestre, foi realizado o Clausura, que seria o returno. Entre um e outro, foi disputado o Intermedio, um torneio mais curto em que as equipes foram divididas em grupos e teve uma final.

Para a definição do campeão, o primeiro colocado do Apertura enfrenta o primeiro do Clausura pela semifinal. O vencedor desse duelo vai à finalíssima contra o primeiro colocado da classificação anual, que soma todos os três torneios da temporada. Se o líder da tabela anual for também um dos campeões de turno, ele tem as duas vagas. Uma na semifinal e uma na final. Se vencer a semifinal, é campeão (afinal, não tem como jogar contra ele próprio na decisão), se perder, enfrenta de novo o mesmo adversário, dessa vez na condição de time de melhor campanha no ano.

Isso tudo já fica bem confuso, mas Defensor Sporting e Peñarol conseguiram elevar isso a um novo patamar. Os Tuertos foram campeões do Apertura e vice do Intermedio, perdendo do Nacional na final. Os carboneros foram campeões do Clausura, encerrado no último domingo. O problema é que, na soma dos três torneios, os dois times empataram na primeira posição da classificação anual com 86 pontos.

Aí surgiu esse cenário surreal que veremos. Afinal, Defensor e Peñarol precisam, antes de disputar as finais de verdade, definir quem é o primeiro colocado da classificação geral para carregar a vantagem na decisão.

Assim, os dois times se enfrentarão nesta quarta em jogo único na disputa do título da classificação anual. Se houver empate, a definição vai para prorrogação e, se necessário, pênaltis. Qualquer que seja o resultado, não mudará o fato de que Defensor e Peñarol se reencontrarão no próximo domingo para disputar outro jogo único, agora valendo pela semifinal. A questão é que o vencedor desta quarta terá uma vaga na final como time de melhor campanha do ano. Ou seja, será campeão se vencer também a semifinal (aquela coisa que mencioneui três parágrafos acima sobre enfrentar a si mesmo).

Se o vencedor da decisão da classificação anual perder a semifinal no domingo, Defensor e Peñarol voltarão a se enfrentar por mais uma fase do campeonato, a finalíssima. Serão jogos de ida e volta, quarta e domingo. Não haverá vantagem para quem tiver melhor campanha: se houver igualdade na soma do placar dos dois jogos, há prorrogação e, persistindo o empate, pênaltis.

Final de campeonato com vários jogos entre os mesmos times não é algo inédito. O Brasileirão já teve mata-mata em três partidas. Campeonatos estaduais dos anos 70 e 80 também tinham seus formatos esquisitos que produziam repetições de confrontos. Mas os mesmos times decidirem o título se enfrentando até quatro vezes por três fases diferentes quando todos os outros clubes já eliminados é uma façanha.