Brazil Soccer Confed Cup Spain Italy

Conheça a Liga das Nações, o novo torneio de seleções da Europa

Michel Platini parece mesmo insatisfeito com a forma como o futebol de seleções tem se desdobrado na Europa. A perda de interesse é evidente. Mas as primeiras decisões do presidente da Uefa foram bastante questionáveis. Primeiro, ao aumentar o número de participantes na Euro 2016 para 24 equipes, um exagero diante das dimensões continentais. Depois, por incluir a França, país-sede e já classificada, como ‘café com leite’ nas eliminatórias do torneio, para assim ocupar seu calendário de amistosos. No entanto, nesta quinta foi lançada a medida de Platini que se sugere mais arrojada, ainda que nebulosa: a ‘Liga das Nações’, torneio que passará a rechear os compromissos das seleções após a Copa de 2018.

O que Platini propôs foi a criação de uma liga que reúna os 54 membros da Uefa. Os países serão distribuídos em quatro divisões conforme o ranking de seleções da Uefa, com rebaixamento e acesso. Seleções fortes pegarão adversários fortes, seleções médias pegarão adversários médios, seleções fracas pegarão adversários fracos. Dentro dessas divisões, também serão separadas em grupos de três ou quatro equipes, cujos vencedores avançam a um mata-mata, a ser disputado pela primeira vez em 2019. E o vencedor de cada uma das quatro divisões terá vaga na Euro 2020, enquanto o melhor da ‘elite’ receberá um título e os outros três conquistarão o acesso ao nível superior.

Em suma, a competição servirá para organizar melhor o calendário de todas as federações, já que ocupará as datas destinadas a amistosos. Também ajudará nos lucros com direitos televisivos, diante da possibilidade de negociá-los em bloco. A medida foi aprovada por unanimidade entre as 54 associações. E dá para entender bastante porque isso aconteceu. Afinal, a Uefa fará um grande serviço a elas determinando os compromissos das seleções, de forma nivelada e contra adversários relevantes. Os times terão desafios maiores em jogos competitivos, não mais em amistosos sem muito sal – o que também deve diminuir a rotação dos times e a quantidade de jogadores testados. Contudo, o novo torneio também levanta algumas dúvidas quanto ao futuro, ainda mais com uma ideia tão crua.

Qual será a possibilidade de seleções europeias disputarem amistosos contra países de fora do continente? Haverá datas especiais para que esses jogos aconteçam? Porque, por mais que elas existam, a Liga das Nações ocupará o restante das Datas Fifa. Talvez provoque mudanças também nas outras confederações continentais – que, pela parca organização destas, não devem ser tão imediatas.

O título da Eurocopa não perderá importância? Os jogos entre os grandes times não serão banalizados? Porque as principais seleções já medirão forças todos os anos e terão uma taça em disputa. A Euro será um torneio mais abrangente, que dará aos menores também a chance de surpreender e que envolverá mais o continente. Ainda assim, coroar mais de um campeão europeu a cada quatro anos pode tirar representatividade da conquista principal, ainda mais com a falta de uma sede única tirando um pouco de identidade de cada edição da Eurocopa – por mais que seja um grande alívio financeiro.

Não é uma política exacerbada de benefício aos pequenos? Qual a necessidade das eliminatórias da Eurocopa a partir de agora? Quatro seleções ganharão vaga na Euro 2020 graças à Liga das Nações, sendo uma das 16 mais fracas do ranking da Uefa. Atualmente, deste grupo, somente Montenegro, Islândia e Armênia possuem equipes respeitáveis. Mas, se der zebra nesta classificação, Liechtenstein ou Malta poderão se tornar o “Taiti” da Eurocopa. Além disso, fica a questão sobre a real importância das eliminatórias da competição continental. Talvez aproveitar a Liga das Nações completamente como qualificatório da Euro criasse lugares quase cativos às seleções fortes, mas poderia tornar o calendário europeu menos dividido entre diferentes compromissos locais.

O fato é: a princípio, tudo não passa de ideias. Tanto da Uefa quanto de quem tenta imaginar como será a Liga das Nações. A quantidade maior de confrontos entre seleções tarimbadas agrada bastante aos torcedores, os europeus e aqueles que assistirão de longe. Mas os efeitos práticos só deverão ser conhecidos no futuro. Especialmente, a partir de 2018, quando o pontapé inicial da nova competição for dado. Resta ver se, enfim, uma jogada de Platini com o calendário dará tão certo.