Um dos elementos mais fascinantes da ótima biografia do ex-tenista André Agassi é o quanto ele odiava jogar tênis. Mesmo assim, teve uma carreira longa e maravilhosa, que durou 20 anos. A sinceridade com que ele falou sobre isso talvez tenha sido o grande atrativo porque não deve ser um sentimento incomum em jogadores profissionais. O esporte, nesse nível, toma conta da sua vida. Com Antonio Conte, não é diferente.

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Em entrevista à revista GQ, que o concedeu o prêmio de Homem do Ano, o técnico do Chelsea falou bastante sobre a sua obsessão por futebol. Dorme pensando no seu time, acorda pensando no seu time. Neste caso, segundo o ex-jogador da Juventus, a culpa é da profissão: quando ele era atleta, conseguia se desligar do jogo quando o treinamento acabava. Agora, é 24 horas pensando em situações táticas, substituições e estratégias. Quer dizer: 18 horas porque de vez em quando ele dorme também.

“Eu sempre amei isso. Eu sempre senti que queria fazer isso, que isso seria a minha vida. Mas, de vez em quando, eu odeio. Às vezes odeio este trabalho porque, às vezes, você perde sua vida. Se você quiser fazer este trabalho, ser um bom treinador, um bom técnico, precisa sacrificar a sua vida e, às vezes, eu odeio isso, ter que pensar em futebol 18 horas por dia. Eu amo e odeio. É tudo”, afirmou.

A única coisa que Conte não faz é sonhar com futebol, mas basicamente porque não há muito tempo para isso. “Eu durmo quatro ou cinco horas. Quando vou dormir, estou pensando em futebol. Então eu durmo e é difícil sonhar, mas, quando eu acordo, é cinco, seis horas da manhã, e começo imediatamente. Estou pensando sobre futebol assim que meus olhos abrem. Muitas das minhas melhores ideias saem neste momento, mesmo antes de eu sair da cama”, disse.

De vez em quando, Conte tem uma folguinha, que gosta de passar com a família. “Eu assisto a um filme com minha mulher e minha filha. Muitas vezes, gosto de comer em casa porque minha mulher cozinha muito bem, nada muito sofisticado, comida italiana simples. Eu amo a comida dela. Ou vamos a restaurantes e, quando tenho um dia livre, visito Londres”, contou.

No entanto, o treinador deixa claro que sua mente está sempre no futebol. “Literalmente?”, pergunta o repórter. “Acho que sim”, responde. “Você é obcecado?”. “Sim. Acho que você precisa ser”. “Mas você conseguiria viver sem ele?”. “Não. Futebol é minha vida”, encerrou.