Contra os times mais tradicionais, a Croácia mostrou sua força. Primeiro técnica, ao não perdoar um vacilo do goleiro e depois ensaiar um chocolate contra a Argentina, e depois física e mental, quando fez um segundo tempo e uma prorrogação inesquecíveis em que atropelou a Inglaterra (e até o fotógrafo atrás do gol) por uma vaga na final.

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Mas quando precisou jogar, teve dificuldades. Aquele que será celebrado como o maior time croata da história viveu momentos em que parecia natural uma eliminação para Dinamarca e Rússia, times com menos bola mas que só foram cair nos pênaltis. Afinal, o time croata é bom ou não é?

O inedistismo é também protagonista da discussão pré-final. Por um lado, a novidade traz bons ares. Uma equipe ofensiva, passando por três prorrogações e vindo meio de lugar nenhum, sem um grande projeto para se louvar nem um técnico de longo prazo, com uma liga local enfraquecida e de jovens tipo exportação. É um intruso na festa. Sai um pouco da rotina do futebol internacional, com os times mais bem estruturados e ricos nas finais da Champions League, por exemplo.

Mas, por outro, confesso um certo conservadorismo com o hall dos campeões. Croácia na lista de quem já ganhou a Copa do Mundo. Furando a fila sem constrangimento, levantando o caneco na quinta participação na história, pela segunda vez superando a fase de grupos, a mesma que nas três últimas participações perdeu para México, Equador, empatou com Austrália e Japão… Sério? Brasil lá no topo, Alemanha e Itália seguindo, Argentina e Uruguai os bicampeões, a turma com França, Inglaterra, Espanha e… Croácia?

Por fim, a delicada questão política. O auxiliar Ognjen Vukojevic e o zagueiro Vida registraram os gritos de “Glória à Ucrânia”, ligado ao fascismo na ex-república soviética – o primeiro foi banido da Copa, o segundo apenas advertido. Num vídeo postado por Lovren, alguns jogadores cantam uma música da banda Thompson, com letras vinculadas à luta nacionalista e lemas da Ustasha, a organização parceira dos nazistas na Segunda Guerra. Com todo cuidado para não generalizar um vestiário, um elenco e muito menos um país – que tem uma história complexa, como todos -, resquícios de abomináveis manifestações em imagens pessoais.

E aí fico também com a pensata do professor Luiz Antonio Simas, que escreveu em seu Twitter: Acho bom desistir de escolher pra quem torcer na Copa partir dos quesitos “quem colonizou”, “quem foi colonizado”, “quem foi mais fascista”, ” quem foi vilão”. Vai dar empate. Ninguém levará o caneco. Torcer por quem jogar o melhor futebol pode ser uma alternativa mais viável.

Complexo, como o futebol sempre foi, para desespero de alguns.

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