A Sérvia depende bastante da força física para impor o seu jogo. E uma peça fundamental neste trabalho é Aleksandar Mitrovic. O centroavante serve de referência clara a um time ainda em construção, diante das mudanças no comando que passou às vésperas da Copa do Mundo. Na estreia contra a Costa Rica, já tinha feito um jogo bastante participativo, embora tenha perdido duas boas chances de gol. Nesta sexta, incomodou ainda mais a Suíça, anotando um tento e dando bastante trabalho para os marcadores. Será uma preocupação ao Brasil antes do encontro decisivo pelo Grupo E – que vale feito um mata-mata, embora o time de Tite tenha a vantagem do empate.

Os ataques da Sérvia se concentraram bastante em Mitrovic, durante o embate em Kaliningrado. Das 13 finalizações do time, seis vieram dos chutes e cabeçadas do camisa 9. Logo nos primeiros instantes da etapa inicial, exigiu uma defesaça do goleiro Yann Sommer. E apareceu para abrir o placar logo aos cinco minutos, após cruzamento de Dusan Tadic. A bola veio na altura certa para o matador concluir de cabeça e estufar as redes. Poderia, ainda, ter ampliado a diferença para os sérvios. Todas as suas conclusões aconteceram dentro da área, com destaque a uma bicicleta que levou bastante perigo. O incômodo constante causado pelo atacante no primeiro tempo, no entanto, diminuiu no segundo. Não foi tão acionado, em uma partida que acelerou seu ritmo na reta final.

Mitrovic não se destaca apenas pela presença de área. O atacante busca bastante o jogo em outros cantos do campo e abre espaços aos companheiros, principalmente Sergej Milinkovic-Savic – o que aconteceu de maneira mais constante contra a Costa Rica, não tanto ante a Suíça. Além disso, a qualidade do camisa 9 no jogo aéreo é usada com frequência, em lançamentos para o campo de ataque. Ele ganhou oito bolas pelo alto, quatro delas dentro da área. E também faz o seu trabalho sem a posse, pressionando a saída de bola dos adversários. Nesta sexta, foram dois desarmes e um bloqueio no campo de ataque.

A principal virtude de Mitrovic, todavia, é a sua força. O atacante de 1,89 cm é o segundo jogador mais pesado da Copa do Mundo. E sabe muito bem usar os seus músculos. O gol da vitória contra a Costa Rica dependeu bastante disso. Mesmo puxado desde a intermediária, o centroavante carregou a marcação até a entrada da área, quando foi derrubado em posição perfeita para Aleksandar Kolarov decidir. Já em Kaliningrado, impressionou o momento em que ele, abraçado por dois marcadores, conseguiu cabecear uma bola. O árbitro Felix Brych assinalou a falta do sérvio, embora sua decisão pudesse ser bem diferente, diante da clara interferência dos suíços, segurando o 9.

Obviamente, Mitrovic está longe de ser um centroavante perfeito. Por mais que saiba decidir em chutes de primeira, perdeu boas chances nesta Copa. Aposta do Newcastle, não deu certo no clube e reencontrou a boa fase apenas no último semestre, fundamental para que o Fulham conquistasse o acesso à Premier League – quando anotou 12 gols em 20 partidas pela segundona inglesa. Em noite inspirada ou não na próxima quarta, será alguém para que a defesa brasileira preste atenção. Surge, aliás, como um teste importante para a (possível) sequência da competição. Se os centroavantes têm sido tão importantes nesta Copa, o Brasil terá o primeiro confronto com um adversário realmente imponente da posição – o que não se viu contra Haris Seferovic ou Marco Ureña.