Esse artigo é um contraponto a esse texto: A Portuguesa merece a Série A, mas o mais racional seria aceitar a injustiça da B

Poucas entidades no planeta Terra merecem a denominação de “Máfia” mais do que mundo do futebol brasileiro e tudo o que o cerca. Tudo o que todas as mafias mais famosas do planeta têm, ele tem também: sonegação de impostos, atividades ilegais, amizades suspeitas com políticos e administradores púbicos e, por fim, a contínua intimidação de quem não faz parte do grupo por meio do poder. Não é outra coisa que está acontecendo com a Portuguesa neste momento.

Vamos deixar de lado os legalismos – embora eu mesmo, com o cacoete de advogado que às vezes me acomete, tenha defendido a tese “legalista” num primeiro momento. Não há qualquer justificativa para a Portuguesa jogar a Série B em 2014 e o Fluminense jogar a Série A. Ambos jogaram o mesmo campeonato, fizeram os pontos que tiveram competência para fazer. Um, o Fluminense, caiu, outro, a Lusa, não. Digamos que Héverton tivesse, como Tevez pelo West Ham em 2007, feito gols importantes para a Lusa enquanto deveria estar suspenso. Aí eu aceitaria discutir o caso. Como não é o caso, tanto faz se a Lusa sabia, se não sabia, se há um complô, se alguém levou grana.

Tudo isto considerado, a Lusa tem duas alternativas. A primeira é considerar que não conseguirá vencer, e que simplesmente entrar na briga a fará provavelmente perder ainda mais. A outra é deixar de lado qualquer consideração racional e prática e partir para o pau. Se a Portuguesa fosse uma empresa, eu entenderia se optasse pela primeira. Mas a Portuguesa não é uma empresa. E aí, desculpem-me a pieguice, mas, como qualquer time de tradição, a Lusa é uma nação, é o clube, seus dirigentes, seus torcedores, sua história. E uma nação não pode ser pragmática. Porque mais importante do que um ou dois anos jogando a série A, B ou C, o que importa é a sua história. E, para a história da Lusa, aceitar mais uma humilhação será mais um prego no caixão de uma nação que definha.

A Portuguesa não tem como ganhar, e precisa ter consciência disso. Não é justo, mas eu preciso dizer para alguém que a vida não é justa? E, se você não tem como ganhar no jogo dos “grandões”, pode escolher dois caminhos: aceitar e continuar a viver das sobras deles; ou brigar pelo que é certo, continuar perdendo sempre, mas ter um orgulho profundo de ter feito o que precisava ser feito, mesmo sendo só um pequeno contra todos os grandes – e todos os outros pequenos que querem continuar a viver das migalhas.

Ao contrário da maioria das pessoas – e da quase totalidade dos jornalistas – não tenho nenhuma simpatia especial pela “Lusinha”. Talvez porque desde sempre ela tenha aceitado os Castrillis de sua vida como se não tivesse alternativa. Que tenha, desta vez. Não tenho dúvida de que a nação Portuguesa de Desportos ganharia uma nova dimensão. Isto é muito maior do que ficar com as sobras da Série A e da CBF.