James Rodríguez fez uma grande Copa do Mundo. Foi artilheiro, autor do gol mais bonito e escalado no time de melhores jogadores do torneio. Seria natural, no sempre aquecido mercado pós-Mundial, que atraísse a atenção de equipes mais ricas e mais importantes que o Monaco, mas seria muito difícil entender por que um clube cheio de excelentes jogadores ofensivos e campeão europeu há dois meses gastou € 80 milhões para contratar esse jovem de 23 anos. Seria se o clube em questão não fosse o Real Madrid.

LEIA MAIS: Venda de Morata mostra que o Real ainda é um clube para jogadores formados

Porque no fundo, como em tantas outras oportunidades, os merengues querem mesmo é fazer barulho. Sentem a necessidade de reafirmar a cada verão europeu de transferências que têm bala na agulha para contratar qualquer um. A única estratégia de mercado é presentear os torcedores com os mais caros e famosos jogadores de futebol do mundo, e também está atrelada às movimentações do maior rival. Se o Barcelona comprou Luis Suárez, o Real Madrid precisa responder à altura e por isso foi atrás do artilheiro da Copa do Mundo. Exagerando, James Rodríguez poderia se chamar Luis Alberto Caetano e jogar no Unidos de Birigui que não faria diferença se tivesse feito seis gols no Mundial de 2014.

A Copa do Mundo engana bastante. Por ser o torneio mais importante que existe, as atuações que acontecem nela são muito valorizadas, mas a amostragem de jogos é pequena e a motivação de defender as cores do seu país geralmente ajuda. As características do torneio são muito próprias e quem se baseia apenas nele para fazer contratações costuma se dar mal. James Rodríguez não é um enganador. Tem muito futebol e potencial. Demonstrou isso no Porto e no Monaco, mas ainda tem apenas 23 anos e vai oscilar bastante. Nas última três temporadas, fez pelo menos 10 gols, uma boa marca para um meia ofensivo, mas nada excepcional.

É difícil saber se vai chegar ao patamar de jogadores como Cristiano Ronaldo, Lionel Messi e Gareth Bale. O preço que o Real Madrid irresponsavelmente pagou, porém, vai sempre levantar comparações com craques como esse e criar a expectativa de atuações de € 80 milhões, que ele nunca vai conseguir entregar. Até porque, sinceramente, são muito poucos que jogam tanta bola para realmente valerem tudo isso.

Cria também um problemão para Carlo Ancelotti. Evidentemente que nenhum treinador reclama de ganhar contratações de qualidade, mas ele havia encontrado uma equipe, com Cristiano Ronaldo e Bale pelas pontas, Benzema no comando de ataque, Di María armando, com o apoio de Xabi Alonso e Luka Modric. Toni Kroos, a outra novidade, não chegou tão badalado e é bem polivalente. Poderia entrar aos poucos no time. Mas ele vai precisar praticar muito bem o que vai dizer quando for inúmeras vezes indagado sobre a estreia de James, sobre por que ele não é titular ou por que foi substituído.

Atrapalha também porque alguém vai precisar sair e o mais provável é que seja Di María, certamente um dos melhores jogadores da equipe na última temporada. Suas atuações na reta final da Liga dos Campeões foram imprescindíveis para a décima conquista europeia. Seria uma loucura substituí-lo, mas já surgem fortes os interesses do Paris Saint-Germain e do Manchester United. Outra opção seria Modric, outro pilar da equipe de Ancelotti, ou Isco, de apenas 22 anos, representante do futuro do clube. E nesse último caso, alguém muito caro ficaria no banco de reservas.

Como uma cachoeira, a ordem natural das coisas faz com que as moedas de euro saiam dos bolsos de Florentino Pérez e sejam descontroladamente distribuídas para outros clubes de futebol e não tem como impedir. A ostentação ainda ganhou lastro com o título europeu da última temporada, cujo gol da vitória foi marcado por Gareth Bale, o jogador de € 100 milhões. Com dez títulos europeus e em futebol mundial que tenta implantar um pouco de fair play financeiro, talvez o Real Madrid esteja muito velho para bater o pé e fazer birra até que o papai compre o presente mais bonito da loja.

VOCÊ PODE SE INTERESSAR TAMBÉM:

>>>> Uma versão artística para o resumo da Copa, porque nunca é demais relembrar a Copa

>>>> Se não pode com eles… Chelsea fica mais forte com Diego Costa e Filipe Luís

>>>> Escolha de técnico é teste para a autoridade de Marin e Del Nero