Jogadores holandeses comemoram a classificação à semifinal (AP Photo/Hassan Ammar)

Corpo fechado da Costa Rica obriga Holanda a carta na manga para avançar nos pênaltis

A crônica

A Costa Rica deixa a Copa do Mundo, mas terá motivos para sorrir pela campanha. O time fez um jogo de gente grande contra a Holanda, que fez pressão o quanto conseguiu, mas parou em uma defesa absolutamente organizada e um goleiro mais uma vez inspirada de Keylor Navas. Os costarriquenhos fizeram um jogo absolutamente sensacional, defendendo tudo que puderam. E ainda chegaram a ameaçar no final da prorrogação. A Holanda fez uma aposta maluca no final para vencer: colocar um goleiro reserva nos acréscimos da prorrogação para a disputa de pênaltis. E deu certo. O 0 a 0 que durou até a prorrogação virou um 4 a 3 nos pênaltis. A Holanda é semifinalista. E com méritos, é bom dizer.

Os holandeses foram melhores em campo nos pouco mais de 120 minutos que foram disputados. Criaram, tentaram e forçaram a Costa Rica a mostrar toda sua capacidade de defender. Era o confronto do time de melhor ataque, a Holanda, com 12 gols, e a melhor defesa, da Costa Rica, que só sofreu dois. E os costarriquenhos mostraram a razão para isso. Não quer dizer que o time de Van Gaal não tenha que ser criticado pelos erros de finalização, nem a falta de capacidade de agredir o gol de Navas. Um goleiro desse nível exige que as finalizações sejam de qualidade superior, algo que a Holanda não teve.

Antes do jogo, a Holanda era só a 25º seleção no ranking de posse de bola. Em média, fica menos com a bola que todos os outros quadrifinalistas, menos um: a Costa Rica, 28ª no mesmo ranking. Isso significa que os dois times, que estão acostumados a não jogar com a bola, teriam que, ao menos um deles, tomar uma atitude. Até por isso Van Gaal escalou um time muito técnico, sem nenhum volante e com um atacante, Kuyt, na ala. O time teve mais posse de bola que o adversário e muito toque de bola no meio-campo, ficando mais no campo de ataque. Mesmo assim, não conseguiu criar muitas chances.

A Costa Rica se defendia com uma linha de cinco atrás, fechando com outros quatro meio-campistas à frente. Robben, como tem sido, mas embora ele tenha conseguido alguns bons lances, o grande número de jogadores defensivos da Costa Rica não deixava que nenhum holandês tivesse muito espaço da intermediária para frente, especialmente Robben. Por duas vezes, ao menos, Keylor Navas teve que salvar a Holanda em chutes perigosos. O goleiro tem sido destaque do time costarriquenho nesta Copa.

O segundo tempo começou diferente. A Holanda dava mais espaço para a Costa Rica, chamando mais o time da América Central, que tentou atacar um pouco mais. Não durou muito. Logo a Holanda passou a dominar novamente as ações, a posse de bola e pressionando. à medida que o tempo passava, a Holanda vinha mais para cima. Van Persie não estava nos seus melhores dias e perdeu uma grande chance no segundo tempo.

Com o jogo já no final, a Costa Rica se defendia com todos os seus jogadores enquanto a Holanda buscava pressionar. O goleiro Navas foi novamente requisitado, mas não foi só por ele que a Costa Rica aguentou o 0 a 0. Já no final do jogo, a Costa Rica se salvou de um bombardeio na área com o lance final nos pés de Van Persie. Ele chutou, a bola venceu Navas, mas Tejada tirou em cima da linha.

Na prorrogação, a Holanda até tentou encurralar a Costa Rica e obrigou Navas a mais uma defesa, mas o ritmo foi caindo. No segundo tempo da prorrogação, Van Gaal foi com tudo para cima tirando Martins Indi, zagueiro, e colocando Huntelaar, atacante. O que se esperava era uma pressão enorme, mas o que se viu foi um time meio bagunçado, que ainda tomou contra-ataques que quase deram a vitória à Costa Rica.

Aí veio a substituição surpreendente. Van Gaal tirou o goleiro Cillenssen, titular na campanha toda, e colocou Tim Krul. O titular nunca pegou um pênalti na carreira, embora Krul não seja conhecido coo um pegador de penalidades. Van Gaal deve ter visto os treinamentos, além de ter feito uma aposta ali que é psicológica: coloca o goleiro dando toda força a ele, que entra cheio de confiança. Krul, um goleiro muito grande, 1,96m, pegou dois pênaltis. Aliás, acertou o lado de todas as cobranças. Quem não bateu muito bem ele pegou. E classificou a Holanda.

A Costa Rica voltará ao seu país ovacionada pela torcida por uma campanha histórica, que ficará para sempre na história das Copas e no coração dos costarriquenhos e brasileiros, que acompanharam de perto. A Holanda avança à semifinal com Robben, jogando muita bola. E teremos um confronto de dois grandes times em São Paulo, na próxima quarta-feira, dia 9. Um jogo que já tem tudo para ser memorável.

FICHA TÉCNICA

Holanda x Costa Rica

Holanda

Holanda EscudoJasper Cillessen (Tim Krul, 15′/2TP); Stefan De Vrij; Ron Vlaar e Bruno Martins Indi (Klaas-Jan Huntelaar, intervalo da prorrogação); Dirk Kuyt, Georginio Wijnaldum, Wesley Sneijder e Daley Blind; Arjen Robben, Robin van Persie e Memphis Depay (Jeremain Lens, 30′/2T). Técnico: Louis van Gaal

Costa Rica

Costa Rica escudoKeylor Navas; Cristian Gamboa (David Myrie, 34′/2T), Michael Umaña, Giancarlo González, Johnny Acosta e Júnior Díaz; Joel Campbell (Marcus Ureña, 21′/2T), Celso Borges, Yeltsin Tejeda (José Cubero, 7′/1TP) e Christian Bolaños; Bryan Ruiz. Técnico: Jorge Luis Pinto

Local: Arena Fonte Nova, em Salvador
Árbitro: Ravshan Irmatov (UZB)
Gols: nenhum
Cartões amarelos: Dias, Martins Indi, González, Acosta, Huntelaar
Cartões vermelhos: nenhum

O cara

Keylor Navas

O goleiro da Costa Rica teve outra atuação monumental. Defendeu sempre que foi acionado, não deixou passar nada. Ajudado por uma defesa bem posicionada, ele ainda ajudou com sete defesas durante todo o jogo. Algo monumental, que consagra as atuações deste goleiro na Copa. Certamente um dos melhores da posição do Mundial. O jogador do Levante fez uma Copa do Mundo absolutamente fantástica. Se não fosse por ele, a Costa Rica provavelmente teria sucumbido antes. E isso levou a Costa Rica a um passo das semifinais. Caiu nos pênaltis, mas a campanha está na história. E será eterna.

Os gols

O jogo não teve gols.

A Tática

Holanda x Costa Rica

Van Gaal tem gostado de mexer no time durante a Copa e desta vez não foi diferente. Escalou o time em um 3-4-3 sem nenhum volante marcador. Os dois que faziam o centro do meio-campo foram Wijnaldum e Sneijder, dois jogadores criativos. Contra uma Costa Rica que não joga com nenhum jogador de criatividade no meio-campo e nem tem volantes com característica de sair jogando bem, Van Gaal tentou ganhar o setor, e conseguiu. Já a Costa Rica se defendia com uma linha de cinco atrás e outra de quatro no meio-campo, deixando só Ruiz marcando a saída de bola. Atacando, chegava com três homens de frente, com Bolaños e Campbell se juntando a Ruiz. No segundo tempo, Jorge Luis Pinto trocou Campbell e Ruiz de posição, deixando o primeiro centralizado e o segundo pela direita.

A Estatística

13

É o número de cruzamentos que Robben fez no jogo. Robben foi o grande jogador da Holanda na partida e criou muito, ajudando a Holanda a ameaçar o gol da Costa Rica. Se Van Persie estivesse em um dia mais inspirado, quem sabe a Holanda tivesse resolvido o jogo antes.