Onde vai se dar bem

O crescimento da seleção chilena desde a chegada de Jorge Sampaoli foi notável. E, mais do que começar a acumular bons resultados, a Roja passou a exibir um futebol bastante agradável de se assistir. O jogo ofensivo e intenso é a marca mais notável do 3-5-2 (e suas possíveis variações) utilizado pelo treinador. O Chile marca alto, explora bem os lados do campo e povoa a intermediária com jogadores técnicos. Uma fórmula que se complementa para potencializar o poder de fogo da dupla de ataque formada por Alexis Sánchez e Eduardo Vargas, bastante rápida e incisiva – mas que, em contrapartida, às vezes exagera demais nas chances perdidas. Tamanha ofensividade foi chave para os sul-americanos surpreenderem diversas seleções europeias nos amistosos que fez ao longo do último ano.

Onde vai se dar mal

A defesa é a preocupação natural do Chile. Sampaoli conta com o elenco mais baixo da Copa do Mundo e isso interfere diretamente no setor – que não possui um trio confiável nem mesmo pelo chão, quanto mais pelo alto. A forma como a Roja se porta sem a bola, pressionando bastante a saída de bola dos adversários, atenua um pouco a exposição da linha defensiva. Em consequência, traz outros custos: os chilenos costumam estar esgotados no final do segundo tempo, quando a queda de intensidade é notável. Nos últimos amistosos, o técnico trabalhou para diminuir a influência desses efeitos e até houve melhora. Ainda assim, as incertezas permanecem no período do Mundial, quando o desgaste físico dos jogadores que completaram a temporada na Europa é maior.

Quem pode desequilibrar

Arturo Vidal é o grande craque do Chile. Um meio-campista que une força física e talento, combinação extremamente valiosa para a Roja. Porém, diante das interrogações sobre o estado físico do jogador da Juventus, as responsabilidades maiores recaem sobre Alexis Sánchez. O atacante do Barcelona é quem passa a ser a maior estrela da equipe, e não à toa. Afinal, Alexis vem de uma temporada muito boa pelos blaugranas, recuperando uma fome de gols que não se via desde os tempos de Udinese. E seu estilo de jogo, partindo em diagonal, é bastante útil aos chilenos, em combinações com Eduardo Vargas. Se nos momentos decisivos algum jogador tiver que chamar a responsabilidade, este certamente será Sánchez.

A carta na manga

Marcelo Díaz é o homem de confiança de Jorge Sampaoli desde os tempos de Universidad de Chile. O talento do meio-campista era vital para o funcionamento do time que encantou as Américas e segue assim na Roja. Se Vidal garante a potência física, Díaz é o mais capaz de pensar o jogo e ditar o ritmo em que os chilenos jogarão. Sua qualidade no passe é imensa e ainda possui um diferencial nas bolas paradas. Se os adversários souberem anular o seu jogo, a intensidade do Chile acaba bastante prejudicada.

Até onde deve chegar

O grupo impõe respeito, mas nada é impossível para o Chile. Os amistosos contra Espanha, Inglaterra e Alemanha já demonstraram que o time de Sampaoli é capaz de encarar as grandes seleções, mesmo em campo inimigo. Em território neutro, como o Brasil, essa pressão diminui. Os temores mesmo são a partir das oitavas, quando os carrascos brasileiros podem pintar pela frente. Por isso, será tão importante surpreender de verdade na primeira fase para, quem sabe, terminar na primeira posição da chave. Se der certo, se tornará um adversário temido e as quartas de final são o mínimo que podem atingir – ainda que o título seja outra história.

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