Brazil Soccer World Cup Preview

Quem é quem: Bélgica

GOLEIROS

1-Thibaut Courtois

Goleiro, 22 anos, Atlético de Madrid-ESP

Só o fato de ter sido um dos pilares do surpreendente título belga do Racing Genk, em 2010/11, com apenas 19 anos, já mostraria que Courtois era um goleiro dos mais promissores. O Chelsea tratou de contratá-lo, mas o emprestou ao Atlético de Madrid. E a promessa não murchou. Muito ao contrário: seguro, calmo e imponente na meta, Courtois tornou-se peça-chave também na ascensão dos Colchoneros. E ganhou a titularidade na seleção, superando os companheiros de geração e goleiros que decaíram, como Stijnen e Proto. Tem tudo para fazer ótima Copa e se consolidar como o próximo da linhagem que já teve Jean Nicolay, Christian Piot, Jean-Marie Pfaff e Michel Preud’homme.

12-Simon Mignolet

Goleiro, 26 anos, Liverpool-ING

Nem mesmo nos tempos de Pfaff, ou de Preud’homme, a seleção da Bélgica tinha o luxo de contar com um goleiro reserva que poderia estar no lugar do titular. É o caso de Mignolet, que chamou a atenção na boa campanha de um clube pequeno na Bélgica, assim como Courtois: foi um dos destaques do Sint-Truiden que chegou ao hexagonal final em 2009/10. Foi o suficiente para o Sunderland contratá-lo. E as atuações continuaram satisfatórias, até que o Liverpool apostou em Mignolet como sucessor de “Pepe” Reina. Não se arrependeu: o goleiro foi absolutamente confiável na ótima campanha dos Reds no Campeonato Inglês recente. Mignolet até já reclamou por ser preterido na seleção belga. É compreensível. Tem nível técnico tão bom quanto o de Courtois.

13-Sammy Bossut

Goleiro, 28 anos, Zulte Waregem

O Zulte Waregem já tem feito boas campanhas no Campeonato Belga há algum tempo. Na temporada retrasada, foi vice-campeão; agora, chegou novamente ao hexagonal final pelo título. E um dos jogadores mais respeitados do Essevee é Bossut, no clube desde 2006. Com a fratura na tíbia que vitimou Koen Casteels, que era esperado como terceiro goleiro, Bossut entrou na disputa da vaga junto de Silvio Proto, mais experiente, e do próprio Casteels, que tentava a recuperação às pressas. Exatamente por sua confiabilidade maior na fase atual, Bossut ganhou a disputa e a vaga na Copa.

DEFENSORES

2-Toby Alderweireld

Defensor, 25 anos, Atlético de Madrid-ESP

Quando ainda estava no Ajax, Alderweireld era tido como jogador altamente promissor. Era mais atabalhoado do que o compatriota Vertonghen, mas tinha técnica. Quando tivesse mais tempo de carreira, era apontado como “o próximo” a estourar. Pois bem: passou-se um tempo, e Alderweireld ainda não estourou, sendo figura secundária tanto na seleção quanto no Atlético de Madrid. Não é mau zagueiro, mas talvez seja menos do que se chegou a esperar. Mas cumpre seu papel na lateral direita sem comprometer.

3-Thomas Vermaelen

Defensor, 28 anos, Arsenal-ING

Mais um representante da linhagem “zagueiros belgas formados e revelados no Ajax”, Vermaelen teve uma carreira ligeiramente decepcionante, até agora. Quando foi para o Arsenal, antes da temporada 2009/10, esperava-se que virasse o xerife dos Gunners, o símbolo de uma zaga segura e técnica. E o nativo de Kapellen até manteve a boa qualidade, mas contusões impediram-no de fazer seu nome crescer na equipe. E também de virar titular absoluto da seleção. Agora, parece mais confiável fisicamente. O que pode ser de grande valia para a Bélgica, na Copa. E para o Arsenal, claro.

4-Vincent Kompany

Defensor, 28 anos, Manchester City-ING

Se há um “símbolo ideológico” desta geração belga, é o zagueiro nascido em Uccle, distrito de Bruxelas. Kompany já mostrava espírito de liderança desde o seu surgimento, no Anderlecht. E também precocidade: estreou pela seleção aos 18 anos. O tempo só amadureceu a sua firmeza natural na zaga, que o leva a ser capitão e titular absoluto do Manchester City. Além disso, o negro Kompany é símbolo de uma seleção que uniu negros e brancos, imigrantes e nativos, valões e flamengos, como nem o país consegue, socioeconomicamente. De quebra, fora dos campos, Kompany ainda controla um clube na Bélgica, o BX Brussels, além de cursar a faculdade de Administração Pública. Dificilmente a seleção belga teria um capitão melhor.

5-Jan Vertonghen

Defensor, 27 anos, Tottenham Hotspur-ING

Vertonghen poderia ter importância ainda maior na seleção. Afinal de contas, sua imponência na zaga e sua habilidade para sair jogando e ir ao ataque fizeram-no despontar no Ajax e garantiram a transferência para o Tottenham. Porém, nos Spurs, Vertonghen acabou tendo uma temporada irregular, após ótimo começo em 2012/13. E na seleção, até pela falta de gente do ofício, acaba indo para a lateral esquerda. Quebra bem o galho, mas não consegue se desenvolver e ser o zagueiro que todos esperam há algum tempo.

15-Daniel van Buyten

Defensor, 36 anos, Bayern Munique-ALE

Em toda seleção que vive uma mudança de geração, sempre há aquele representante que ocupa o papel da velha guarda, o sujeito que ainda mostra lenha considerável para queimar a ponto de ganhar o respeito do técnico. Foi o caso de Van Buyten. Embora cada vez mais frágil fisicamente e cada vez menos escalado no Bayern, o único belga da seleção atual a ter estado na Copa de 2002 ainda merece respeito a ponto de ser titular, junto de Kompany. É pouco confiável, mas tem lá sua liderança, ainda.

18-Nicolas Lombaerts

Defensor, 29 anos, Zenit-RUS

A principal reclamação que se tem quanto à defesa da Bélgica é a falta de laterais de origem, aqueles que possam jogar pelos lados e dar um pouco mais de ousadia ao ataque. Pelo menos na lateral esquerda, Lombaerts merecia chances mais constantes. Só não é o lateral esquerdo no Zenit porque há Criscito ali, mas está bem acostumado ao setor. Quem sabe o jogador formado em Advocacia e fluente em quatro idiomas também pudesse atuar ali com mais frequência.

23-Laurent Ciman

Defensor, 28 anos, Standard Liège

Ciman é tão discreto no grupo de 23 jogadores belgas na Copa quanto no seu clube, o Standard Liège. Nos Rouches, Ciman faz o seu papel sem grandes problemas, deixando o destaque para outros jogadores de defesa, como Jelle van Damme. E a discrição deverá continuar ao longo da Copa, já que o zagueiro nascido em Farciennes é a última opção para o setor.

MEIO-CAMPISTAS

6-Axel Witsel

Meio-campista, 24 anos, Zenit-RUS

Ainda durante os tempos de Standard Liège, Witsel era tido como um jogador talentoso, mas que precisava conter alguns impulsos que o faziam perder a cabeça em campo. Pois bem: com a transferência para o Benfica, aparentemente, o meio-campista pôs a cabeça no lugar. Tanto no clube português como no Zenit, aprimorou-se, sendo um jogador que pode fazer o trabalho de marcação e também auxiliar a armação das jogadas. Com isso, tornou-se titular absoluto dos Diabos Vermelhos.

7-Kevin de Bruyne

Meio-campista, 22 anos, Wolfsburg-ALE

Durante muito tempo, Eden Hazard sofreu com a irregularidade de seus contemporâneos. Tanto Defour quanto Witsel não conseguiam tornar-se alternativas reais para armarem as jogadas, o que trazia problemas até para os técnicos da seleção. O problema diminuiu bastante com De Bruyne: há dois anos, as boas atuações no Racing Genk levaram-no ao Chelsea, e tornaram-no figura mais frequente nas convocações. Porém, sem espaço no clube inglês, teve de ser emprestado até conseguir guarida definitiva no Wolfsburg. E no clube alemão, conseguiu o ritmo de jogo que precisava para virar a opção perfeita a Hazard, passando a se alternar com ele no centro da armação.

8-Marouane Fellaini

Meio-campista, 26 anos, Manchester United-ING

O volante do cabelo “black power” poderia chegar ao Brasil com mais cacife. Afinal de contas, nos últimos quatro anos, sua firmeza na marcação tornaram-no querido pelos torcedores do Everton – e foram responsáveis pela transferência para o Manchester United. Mas Fellaini, até agora, decepcionou em Old Trafford. E mesmo que ainda seja titular absoluto na Bélgica, chega com mais desconfianças sobre si do que o desejável.

10-Eden Hazard

Meio-campista, 22 anos, Chelsea-ING

Como já dito, sobra gente de nível técnico razoável no meio-campo da seleção da Bélgica. Mas Hazard provavelmente conseguiu o posto de titular absoluto e responsável pela armação das jogadas por ser mais constante nos Diabos Vermelhos do que os companheiros de geração. Aproveitou um vácuo, o preencheu, e ainda justificou isso com as atuações que tinha no Lille. No Chelsea, as exigências aumentaram mais. Por enquanto, Hazard ainda tem margem de evolução, o que lhe permite continuar seguro no meio-campo belga.

16-Steven Defour

Meio-campista, 26 anos, Porto-POR

Inicialmente, ainda nos tempos de Standard Liège, Defour estava mais próximo de ser um armador, como Hazard é hoje. Aos poucos, foi sendo recuado. Hoje, no esquema de Wilmots, tem papel até mais próximo ao de Fellaini: um volante que consegue sair para o jogo. E pode-se dizer que esse aprendizado defensivo foi muito útil para a carreira de Defour. Representante antigo da atual geração na seleção (é convocado desde 2006), ter essa dupla capacidade no meio-campo torna Defour jogador importante nos planos belgas.

19-Moussa Dembélé

Meio-campista, 26 anos, Tottenham Hotspur-ING

Dembélé conseguiu dar um passo à frente de Steven Defour, em relação à versatilidade em campo. Quando jogava no AZ, era um atacante típico: rápido e com ênfase na finalização das jogadas. Assim que foi para a Inglaterra, tudo mudou. No Fulham, Dembélé passou a atuar mais atrás, pensando na armação das jogadas de ataque. E no Tottenham, passou a atuar até como volante, dando qualidade à saída de bola. Não chega a ser titular absoluto como Witsel ou Hazard, mas é muito útil.

21-Anthony Vanden Borre

Meio-campista, 26 anos, Anderlecht

De certa forma, a convocação para a Copa do Mundo representou uma grande reação na carreira de Vanden Borre. Após suas passagens por Genoa e Fiorentina, foi mal num Portsmouth que já vislumbrava o perigo da falência. De certa forma, precisou recomeçar a carreira voltando à Bélgica – e no Racing Genk, clube médio do país. Pois voltou a mostrar a força física que o caracteriza, conseguindo a transferência para o Anderlecht e a volta à seleção. Na lateral direita, representa opção mais confiável fisicamente e mais acostumada à posição do que Alderweireld.

ATACANTES

9-Romelu Lukaku

Atacante, 21 anos, Everton-ING

Em 29 de maio de 2009, a coluna de futebol belga da Trivela falou de “Romelo Lukaku, atacante de 16 anos” que entrara no Anderlecht durante o jogo extra que definiu o Campeonato Belga. O tempo passou, Lukaku (agora com o prenome correto, Romelu) foi destaque no título nacional do Anderlecht em 2009/10, e mereceu a aposta do Chelsea, que o contratou. Naquele momento, era areia demais para o caminhão dele. Lukaku só ganhou cancha na carreira com os empréstimos a West Bromwich e Everton. Aí, sim, virou opção válida na seleção e se afirmou como atacante forte, de chute potente. Chegou ao apogeu com os dois gols marcados contra a Croácia, que garantiram a Bélgica na Copa. Agora, de volta ao Chelsea, pode usar a Copa como o início da melhor fase da carreira.

11-Kevin Mirallas

Atacante, 26 anos, Everton-ING

O descendente de espanhóis já está na seleção adulta há um certo tempo (desde 2007), mas nunca conseguiu ser um atacante confiável. Nem nos Diabos Vermelhos, muito menos nos clubes. Mirallas passou por Saint-Étienne e Olympiacos, até fez boas atuações, mas nada que chamasse realmente a atenção. No Everton, ainda não fez tantos gols, mas parece ter encontrado a regularidade nas atuações. É o que basta para seguir sendo convocado, embora esteja atrás de Lukaku na preferência de Marc Wilmots. Aliás, só teve as perspectivas aumentadas na Copa pela lesão de Benteke.

14-Dries Mertens

Atacante, 27 anos, Napoli-ITA

Até por jogar com um atacante isolado na frente, a seleção belga dá mais prioridades aos finalizadores. Mas alguém precisa levar a bola até a área, para que Lukaku ou Mirallas finalizem. E alguém precisa dar mais opções de jogadas ofensivas. Aí entra Dries Mertens. Pela direita, o atacante se notabilizou como alguém rápido e habilidoso, desde os tempos de Utrecht e PSV. Com a boa temporada feita no Napoli, é opção mais confiável do que seu reserva, Chadli. Titular certo nos Diabos Vermelhos.

17-Divock Origi

Atacante, 19 anos, Lille-FRA

O descendente de quenianos foi a grande surpresa da convocação de Marc Wilmots para a Copa do Mundo. Não foram poucos os que esperavam a presença de Jelle Vossen, mais experimentado, ou Michy Batshuayi, tão revelação quanto Origi e artilheiro do Campeonato Belga pelo Standard Liège. Mas Wilmots preferiu o jogador do Lille, no que foi visto como uma aposta pessoal do técnico.

20-Adnan Januzaj

Atacante, 19 anos, Manchester United-ING

Algumas partidas em que teve ótima atuação, pelo Manchester United, na última temporada, já bastaram para Januzaj ser disputado por quatro seleções. Ele preferiu jogar pela Bélgica, não sem antes o pai reclamar de suposta pressão da federação. Mas o que importa é que a aparente classe no ataque que Januzaj exibiu em seus melhores momentos no United ainda é uma aposta. Tanto no clube quanto na seleção belga. Há chances de dar certo na Copa, e é por isso que o filho de kosovares é visto com ansiedade.

22-Nacer Chadli

Atacante, 24 anos, Tottenham Hotspur-ING

Chadli tem exatamente as mesmas características de Mertens: habilidoso com a bola nos pés, é a opção de desafogo do ataque da Bélgica, com suas chegadas pelas pontas. Despontou com a passagem pelo Twente, mas as atuações irregulares na primeira temporada pelo Tottenham colocam Mertens em vantagem na disputa por uma vaga no time titular.