Os presidentes da Concacaf, Jeffrey Webb, (d) e da Conmebol, Eugenio Figueredo (Foto: AP)

A Copa América do centenário é um primeiro passo por uma Libertadores de todas as Américas

Concacaf e Conmebol juntaram-se, na mesma mesa, para anunciar a edição do centenário da Copa América. Em 2016, 16 equipes vão se reunir nos Estados Unidos, e a novidade é que seis delas serão representantes da entidade que organiza o futebol do Caribe e das Américas Central e do Norte. Essa competição, mais abrangente, pode ser usada como uma experiência e também representa um primeiro passo na direção de uma Copa Libertadores com equipes de todo o continente.

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Evidentemente, a Copa América tem muito menos problemas de logística do que uma Libertadores. Todas as equipes serão reunidas nos Estados Unidos, em cidades a serem definidas nas próximas semanas. Apesar de o país americano ser muito grande, as eventuais viagens não podem ser comparadas com a que, por exemplo, o Grêmio faria para enfrentar uma equipe de Nova York.

Mas vai ser interessante colocar equipes da Concacaf frente a frente com as da Conmebol. Avaliar a reação do público à ideia, do mercado publicitário e até mesmo ter uma ideia do nível técnico que uma competição assim teria. Além de tudo, mostra que as duas entidades conseguem trabalhar juntas.

A imprensa americana está muito animada com a ideia de ver a seleção dos Estados Unidos enfrentar Brasil e Argentina em uma competição “que vale a alguma coisa.” A Copa América é uma competição muito mais acessível aos estadunidenses que a Copa do Mundo, obviamente, e tem uma importância histórica e competitiva maior que a Copa Ouro ou que a das Confederações. É realmente muito mais importante.

“Essa paixão pelo futebol ainda não despertou na América do Norte como na América do Sul”, afirmou o presidente da Conmebol, Eugenio Figueredo. “Mas acho que a globalização vai chegar ao futebol. Em algum ponto, teremos que ser mais fortes para sermos mais competitivos, e o campeão não será de uma única região da América, mas de todas as Américas.”

Os dez times sul-americanos são os de sempre: Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Colômbia, Equador, Venezuela, Paraguai, Peru e Bolívia. México e Estados Unidos estão confirmados como dois representantes do Norte. Os outros quatro serão definidos pela Copa Ouro e dos torneios da América Central e do Caribe. Mais uma decisão que aumenta a representatividade do continente porque poderiam simplesmente escolher as quatro seleções mais bem ranqueadas.

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Essa Copa América vai começar em 3 de junho e terminar no dia 26 do mesmo mês. Coincide com a Eurocopa e será pouco antes do início da Olimpíada do Rio de Janeiro. E ainda será um ano depois da Copa América do Chile. O evento não ficará tão em exposição quanto poderia, mas, em um ano com calendário tão cheio, não existe realmente outro período no qual ele pudesse ser disputado.

E coincidir com a Eurocopa não é tão ruim assim. Porque essa edição extra ainda não foi sancionada pela FIFA e há o temor de que talvez os clubes não sejam obrigados a liberar os jogadores, o que diminuiria drasticamente o apelo da competição. No entanto, se os clubes já vão permitir a viagem dos europeus de qualquer jeito, por que criariam problemas para os americanos?

O presidente da Conmebol indicou que essa não será a única competição conjunta entre as duas confederações. Disse que o apaixonado por futebol não terá que esperar mais cem anos por outra Copa América nesse formato. A ideia é muito boa e pode render frutos ainda melhores, como um torneio internacional de clubes que atraia o interesse de todo o continente americano.

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