Todos lembra o título do Juventude, não da participação dele na Libertadores

[Copa do Brasil] Esqueça a vaga na Libertadores, o que vale é o título

Caxias do Sul, 20 de abril de 2000. Depois de sair perdendo por 2 a 0, o Juventude conseguiu empatar o jogo com o Palmeiras, na última rodada do grupo 7 da Copa Libertadores daquele ano, graças a gols de Maurílio e Luiz Oscar. O empate, porém, acabou sendo insuficiente e o time gaúcho foi eliminado, com sete pontos, atrás de Palmeiras e El Nacional. As vitórias por 4 a 0 sobre o Strongest e 1 a 0 sobre o El Nacional entraram para a história, mas nunca serão tão lembrada quanto o dia 27 de junho de 1999. Naquela noite, um empate sem gols deu ao time gaúcho o título da Copa do Brasil sobre o Botafogo, no Maracanã. Um momento épico na história do Juventude e do futebol brasileiro.

A Copa Libertadores é um palco para glórias de qualquer time sul-americano. É natural que qualquer torcedor sonhe em ver o seu time jogando a competição mais importante do continente. É o sonho de uma glória, por mais improvável que seja. E as glórias não vêm apenas com o título, mas também por jogos épicos. Tudo isso é legítimo. Tudo isso é demais, mas é preciso lembrar que nada supera a glória de um título.

Nenhuma vaga em competição, nem que seja a Copa do Mundo de Clubes, supera a glória de ver seu time levantando a taça. Porque a taça vai para a sala de troféus, entra para o imaginário do torcedor, será sempre lembrada. A vaga… A vaga ninguém lembra. Quem lembra como foi a campanha do Santo André na Libertadores de 2005? Pouca gente, talvez só mesmo os torcedores do Santo André. O time ficou em terceiro lugar no grupo com Cerro Porteño, Palmeiras e Deportivo Tachira. Eliminado na primeira fase.

Ao contrário do que fez o time na Libertadores de 2005, quase qualquer torcedor de futebol lembra do título do Santo André da Copa do Brasil de 2004. Os gols de Sandro Gaúcho e Élvis na final contra o Flamengo. Não há como comparar. A taça é a glória. A vaga na Libertadores é só um bônus. A vaga na Libertadores é como aquele pote de balas grátis no caixa do restaurante. Claro que é legal, mas ela, por si, vale menos.

Em 2012, o companheiro Thiago Arantes escreveu um texto fantástico sobre esse assunto. “Acabem com o futebol e abram um estacionamento” conta sobre o último título do Juventus, a Copa Federação Paulista de 2007. Ele estava lá e qualquer torcedor do time da Mooca irá lembrar daquele dia com carinho. Quem se importa que a competição dava vaga à Copa do Brasil? Ninguém nem se lembra o que o Juventus fez no ano seguinte na Copa do Brasil (foi eliminado pelo Náutico na segunda fase, depois de passar pelo Coruripe na primeira).

A Copa do Brasil é uma competição nacional que um clube de segunda ou terceira divisão pode ser campeão. Ganhar um título é que faz história. Ganhar título é o que fará a torcida lembrar do capitão levantando a taça, é o que permitirá ao torcedor ir ao museu do clube ver aquele troféu.

Atalho para a Libertadores? Quem se importa em jogar a Libertadores perto da possibilidade de ganhar um título? Mesmo que a Copa do Brasil não desse vaga a lugar nenhum, ainda seria importante. Falta um pouco de ambição aos clubes nesse sentido. Ganhar a vaga é importante, é claro. Mesmo para os times mais poderosos do futebol brasileiro, falta ambição de conquistar título. Com a volta da possibilidade de times da Libertadores jogarem a Copa do Brasil, tornou-se possível que um time brasileiro ganhe a tríplice coroa, os três mais importantes títulos que um clube daqui vença: a Libertadores, a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro. O Cruzeiro foi o clube que mais perto chegou disso, fazendo uma tríplice coroa nacional, com estadual, Copa do Brasil e Brasileiro. Mas ninguém mais fez isso. É difícil, o calendário não ajuda, tudo isso é verdade.

O que vale mais: ficar em terceiro lugar no Campeonato Brasileiro e, assim, ganhar uma vaga na sonhada Libertadores, ou ser campeão da Copa do Brasil e, assim, levantar uma taça que entrará na sua galeria de títulos e dará ao torcedor algo para ser comemorado para sempre, e não só até o ano seguinte? Sim, porque ficar em terceiro no Brasileiro é legal, entra para a história, mas a taça é mais marcante. É inegável. Nenhuma vaga jamais superará o título. Parem de dizer que a Copa do Brasil é um atalho para a Libertadores. Ela é um título nacional dos mais importantes. Só isso basta.

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