Momento que representa o apagar das luzes das Eliminatórias de Copa do Mundo, e que chega de novo a partir desta sexta-feira carimbando os derradeiros passaportes para o Mundial da Rússia no próximo ano, a repescagem costuma ser a última vez em que a bola rola antes do sorteio dos grupos. Ao mesmo tempo, é também a primeira prévia do torneio, no sentido em que coloca em confronto equipes de diferentes partes do mundo, com estilos e tradições distintos, em jogos “valendo”.

Reunimos neste texto as histórias de todos os confrontos intercontinentais (ou interzonais) válidos por esta fase já realizadas em Copas do Mundo, desde a improvisada disputa entre País de Gales e Israel em 1958 até os dois duelos que classificaram Uruguai e México para a edição de 2014 no Brasil. Antes de começar, porém, vale esclarecer que não serão abordados aqui, por exemplo, os jogos entre os segundos colocados dos grupos das Eliminatórias europeias – assunto para um próximo texto. A ideia é contar as histórias de “volta ao mundo” da bola nos cruzamentos que definiram participantes dos Mundiais anteriores.

1958

A primeira repescagem intercontinental da história das Copas surgiu por acaso, já que não estava prevista no regulamento. O motivo de sua criação foi a confusa história do grupo que reuniu África, Ásia e Oceania – basicamente um catadão estilo “resto do mundo”, excetuando-se as Américas e a Europa – e que indicaria um classificado para o Mundial da Suécia. Depois que a Fifa rejeitou as inscrições de Etiópia e Coreia do Sul, o torneio classificatório deveria ter começado com o confronto entre Indonésia e a República da China (atual Taiwan), mas estes desistiram.

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Na etapa seguinte, houve mais três desistências: a Austrália (incluída num grupo com Indonésia e China, em que avançaram os indonésios), o Chipre (que deveria enfrentar o Egito) e a Turquia, que deveria ser a primeira adversária de Israel, mas se retirou protestando por ter sido incluída naquela zona, e não na europeia (pela qual se classificara para o Mundial de 1954). A única chave que cumpriu integralmente sua tabela foi a 4, na qual o Sudão eliminou a seleção da Síria.

No fim, sobraram Indonésia, Egito, Israel e Sudão. Mas os problemas não terminaram aí. Tendo a Fifa recusado seu pedido de enfrentar os israelenses em campo neutro, os indonésios também se retiraram das Eliminatórias. Por fim, Egito e Sudão também decidiram abandonar a disputa por motivos políticos. Havia um clima tenso entre egípcios e israelenses desde a deflagração da crise do Canal de Suez, no ano anterior, opondo os dois países.

Não seria a primeira nem a última vez em que questões assim interfeririam numa fase classificatória de Copa do Mundo, mas a Fifa, que pouco tempo antes havia decidido que nenhuma seleção poderia mais se classificar para um Mundial sem jogar nenhuma partida (exceto, obviamente, o país-sede e o detentor do título), ficou com o abacaxi nas mãos para descascar. Foi quando a sorte sorriu para uma seleção que nunca havia se classificado para um Mundial – e não voltaria a se classificar até hoje.

A Fifa decidiu que Israel teria de enfrentar o vencedor de um sorteio entre seleções que haviam terminado em segundo lugar em seus grupos (uma nova chance, portanto, a equipes até então eliminadas). Neste ponto, há algumas divergências factuais entre as fontes: algumas afirmam que o sorteio reuniu apenas europeus, enquanto outras citam que os uruguaios teriam sido convidados a participar dele e declinaram. Há também a questão da Bélgica: algumas publicações indicam que aquele país se recusou a entrar no sorteio antes mesmo de ele se realizar, ao passo que outras o apontam como tendo sido o primeiro país sorteado, e só então viria a recusa. Mas esses são detalhes menos importantes.

No fim das contas, o grande agraciado com o beijo de ressurreição dado pela Fifa foi o País de Gales, que vinha de campanha mediana no Grupo 4 europeu. Num grupo em que a favorita era a Tchecoslováquia, os galeses venceram os dois jogos em casa (1 a 0 sobre os tchecoslovacos e 4 a 1 contra a Alemanha Oriental) e foram derrotados nos dois como visitante (2 a 1 para os alemães-orientais e 2 a 0 para os tchecoslovacos). A seleção de Josef Masopust derrotou duas vezes os germânicos do leste e avançou para o Mundial.

O sorteio que definiu o adversário de Israel foi realizado em 16 de dezembro de 1957 na sede da Fifa em Zurique. E o primeiro jogo da repescagem improvisada aconteceu quase um mês depois, em 15 de janeiro de 1958 (já em pleno ano da Copa), no Ramat Gan em Tel Aviv. Os galeses não tiveram muito trabalho para vencer por 2 a 0, com gols do ponta Len Allchurch e do médio Dave Bowen. Na volta, no Ninian Park de Cardiff em 5 de fevereiro, outra vitória galesa pelo mesmo placar, marcando Ivor Allchurch e Cliff Jones.

1962

O processo de descolonização na África na virada da década de 1950 para a de 1960 aumentou o número de países do continente entre os filiados à Fifa. Se, quatro anos antes, apenas Egito e Sudão participaram da fase de classificação para o Mundial sueco (a inscrição da Etiópia foi rejeitada), agora estreariam Tunísia, Marrocos, Nigéria e Gana, além da inclusão dos próprios etíopes. Entretanto, quando a Copa do Mundo poderia se tornar mais global, a Fifa fez um movimento no sentido inverso, eliminando a vaga direta da Ásia e estipulando uma série de repescagens nas quais as seleções africanas e asiáticas enfrentariam equipes europeias por uma vaga no torneio.

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Assim, os marroquinos, após superarem Tunísia e Gana em confrontos de mata-mata, tiveram que se bater contra a Espanha, que vencera o País de Gales no Grupo 9 europeu. E a Coreia do Sul, que derrotou o Japão no grupo asiático, mediu forças com a Iugoslávia, que eliminara a Polônia no Grupo 10 de seu continente. Sem falar da Etiópia, incluída na zona europeia, onde disputou – e perdeu – uma pré-eliminatória contra Israel, que avançou para enfrentar a Itália pelo Grupo 7.

Na repescagem Europa-Ásia, os iugoslavos bateram os sul-coreanos com facilidade. Na ida, em Belgrado, em 8 de outubro de 1961, Cebinac abriu o placar no primeiro tempo e Sekularac (duas vezes), Radakovic e Galic completaram a goleada de 5 a 1, com Chug Sun-cheon descontando para os orientais. Na volta, em Seul, no dia 26 de novembro, nova vitória dos balcânicos, desta vez por 3 a 1, com dois gols de Galic e um de Jerkovic, com Yoo Pan-sun diminuindo para os donos da casa.

A Espanha, por sua vez, teve mais problemas para dobrar a seleção do Marrocos, cujo futebol já era mais desenvolvido e tido como bastante técnico na Europa, em vista dos vários jogadores oriundos do país que atuavam especialmente na França. No primeiro jogo, realizado em Casablanca no dia 12 de novembro de 1961, mesmo contando com Alfredo Di Stéfano e Ferenc Puskás na equipe, a Espanha suou para vencer por 1 a 0, gol marcado pelo meia Luís Del Sol a dez minutos do fim.

Na volta, no Santiago Bernabéu, em Madri, os donos da casa abriram o placar com Marcelino, em um rebote de escanteio, aos 12 minutos, e sofreram um surpreendente empate por meio de Mohamed Riahi aos 40. Antes do intervalo, no entanto, Alfredo Di Stéfano aproveitou uma bola mal espanada pela defesa marroquina para botar de novo a Espanha na frente. Na etapa final, o ponta Enrique Collar recebeu na esquerda e fuzilou o goleiro Ahmed Laghrissi para ampliar a vantagem. No fim, os marroquinos ainda diminuíram para 3 a 2, fazendo papel honroso.

Houve ainda um outro playoff interzonal, este disputado no continente americano. Na América do Sul, as Eliminatórias para aquele Mundial não contaram com a participação do Chile, país-sede da Copa, e do Brasil, atual campeão do mundo, além da Venezuela, que ainda não era filiada à Fifa. As sete equipes foram divididas em três grupos de duas seleções cada, com uma sobrando. Esta “avulsa” – que aguardaria a decisão da zona da América do Norte, Central e Caribe para só então conhecer seu adversário – acabou sendo o Paraguai, pelo sorteio.

Enquanto os paraguaios aguardavam a vez de entrar em campo, os mexicanos batiam os Estados Unidos no grupo norte-americano da primeira fase e superavam Costa Rica (vencedora do Grupo 2, o da América Central) e Antilhas Holandesas (vinda do Grupo 3, caribenho) no triangular final da região, candidatando-se a disputar a vaga na Copa. Os dois jogos desta repescagem seriam então realizados em 29 de outubro (na Cidade do México) e 5 de novembro (em Assunção). Os astecas venceram o primeiro por 1 a 0, gol de Salvador Reyes, e seguraram um 0 a 0 no Defensores del Chaco, frustrando a torcida guarani e confirmando presença em mais um Mundial.

1966

O regulamento das Eliminatórias da Copa do Mundo da Inglaterra previa uma espécie de repescagem, que acabou não se realizando. Diante do aumento de seleções da África e da Ásia/Oceania inscritas desde o Mundial anterior, a Fifa resolveu abrir outra vez uma vaga direta a ser disputada entre estas respectivas zonas. Segundo o formato proposto pela entidade, as 15 seleções africanas inscritas seriam divididas em seis grupos, com seus vencedores se enfrentando em um mata-mata, avançando três. Estes se juntariam ao vencedor do grupo da Ásia/Oceania (integrado pela Austrália e as Coreias do Norte e do Sul) para um quadrangular decisivo, o qual apontaria um classificado para o Mundial.

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Os africanos, entretanto, protestaram contra essa fórmula, exigindo o direito a uma vaga exclusiva para seu continente, sem a necessidade de enfrentar uma seleção asiática em repescagem. Também ficaram na bronca contra a aceitação da inscrição da África do Sul, onde já vigorava o regime do apartheid e que havia sido incluída originalmente no grupo asiático. A Fifa decidiu desqualificar os sul-africanos, mas não alterou o sistema de distribuição de vagas. Os africanos decidiram então boicotar integralmente as Eliminatórias.

Na Ásia, a Coreia do Sul também decidiu abandonar a disputa, alegando motivos políticos e estruturais, e apenas os norte-coreanos entraram em campo, vencendo duas vezes com facilidade a Austrália (6 a 1 e 3 a 1) em Phnom Penh, no Camboja, classificando-se para o Mundial. Na Copa seguinte, no México, África e Ásia teriam o direito a uma vaga certa para cada continente, não havendo necessidade de repescagem.

1974

Para o Mundial de 1970, a Fifa precisou reformular a distribuição de vagas na Copa do Mundo. Para evitar que se repetisse o boicote africano de 1966, atendeu ao pedido daquele continente, garantindo uma seleção dele e uma da Ásia no torneio. Além disso, como o México seria o país-sede, era necessário abrir outra vaga para as Américas do Norte, Central e Caribe a ser disputada nas Eliminatórias. Assim, Europa e América do Sul tiveram uma equipe a menos naquela Copa. E não houve nenhum playoff interzonal.

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Quatro anos depois, na Alemanha Ocidental, as vagas para África e Ásia foram mantidas, mas a Concacaf voltou a ter apenas uma equipe. Para definir quem retomaria essa vaga, se europeus ou sul-americanos, a Fifa determinou uma repescagem entre o vencedor do Grupo 9 da Europa (formado por União Soviética, França e Irlanda) e o do Grupo 3 da América do Sul (composto por Peru e Chile, após desistência da Venezuela).

Derrotada na estreia pelos franceses em Paris por 1 a 0, os soviéticos se recuperaram vencendo duas vezes a Irlanda (2 a 1 fora de casa e 1 a 0 em casa), enquanto os Bleus se complicaram diante dos mesmos irlandeses (derrota por 2 a 1 em Dublin e empate em 1 a 1 em Paris). Assim, a URSS precisava apenas do empate quando recebeu a França em Moscou no dia 26 de maio de 1973, mas venceu com dois gols no fim do jogo, marcados por Oleg Blokhin e Vladimir Onishchenko, credenciando-se a disputar o playoff.

Enquanto isso, na América do Sul, peruanos e chilenos precisaram de um jogo extra para decidir o vencedor do grupo. Cada um havia vencido em casa por 2 a 0: primeiro os peruanos em Lima, com dois gols de Hugo Sotil, em 29 de abril, depois os chilenos em Santiago, marcando Juero Crisosto e Sergio Ahumada, no dia 13 de maio. As duas equipes voltaram a campo pela terceira vez em Montevidéu, no Estádio Centenário, em 5 de agosto.

Os peruanos saíram na frente aos 40 minutos com Héctor Bailetti, mas os chilenos empataram no último minuto da primeira etapa com Francisco Valdés surpreendendo numa cobrança de falta. A virada veio no segundo tempo, aos 13 minutos, quando Rogelio Farias desviou uma bola longa alçada para a área, dando a vitória aos chilenos, que agora teriam os soviéticos pela frente.

No meio do caminho houve um golpe. Em 11 de setembro de 1973, oficiais do Exército chileno bombardearam e invadiram o palácio de La Moneda, assassinaram o presidente Salvador Allende e instauraram o líder do motim, o general Augusto Pinochet, no poder. Pelos dois meses seguintes, milhares de opositores do novo regime – entre eles muitos militantes comunistas – foram levados para o Estádio Nacional de Santiago, onde foram presos e torturados. A União Soviética, que mantinha boas relações com o Governo Allende, imediatamente anunciou o rompimento de relações diplomáticas com o Chile.

Duas semanas depois, em 26 de setembro, aconteceu o primeiro jogo da repescagem, em Moscou, cercado de grande tensão. O novo regime havia proibido que qualquer cidadão chileno de deixar o país, mas permitiu o embarque da seleção, embora impondo uma série de restrições aos jogadores. Não há nenhum registro de imagens da partida, já que as autoridades soviéticas também proibiram a entrada de jornalistas e de câmeras no estádio. Vice-campeã europeia em 1972, a seleção da casa tinha uma equipe forte, mas o jogo foi muito nervoso e acabou sem gols, num ótimo resultado para os chilenos.

A partida de volta foi marcada para 21 de novembro, em Santiago. A Federação Chilena chegou a sugerir outros locais para a realização do jogo, mas a junta militar fez questão de que fosse disputado no Estádio Nacional. Um comitê da Fifa chegou a visitar o local, avaliou as instalações, fez vistas grossas para certa movimentação estranha ali dentro e deu sua aprovação. Mas a União Soviética se recusou a viajar, alegando motivos políticos. Mesmo assim, o jogo foi realizado.

Num dos momentos mais esdrúxulos da história do futebol, o time chileno entrou em campo para “disputar” uma vaga na Copa do Mundo perante um público de cerca de 15 mil torcedores (menos de um terço da capacidade do estádio). Os jogadores locais se perfilaram, e o hino nacional foi executado. O árbitro austríaco Erich Linemayr deu o apito inicial, o capitão Francisco “Chamaco” Valdés carregou a bola pela metade vazia do campo até o outro gol e chutou para as redes. A partida durou estes 30 segundos. Os chilenos foram declarados vencedores por 2 a 0 e classificados para o Mundial pela Fifa e, enquanto os soviéticos foram punidos com a desclassificação e multados.

O Chile, de qualquer maneira, não perdeu a oportunidade. Vendeu os ingressos normalmente e, caso a URSS não aparecesse, tinha um ‘plano B’: disputar um amistoso contra o Santos de Carlos Alberto, Edu e Cejas – Pelé era desfalque. “Lembro-me de pouca coisa daquele jogo. Só que foi em um dia de semana à noite e que eu fui deslocado para o meio-campo e, modéstia à parte, joguei muito”, contou Carlos Alberto, em entrevista à Revista Trivela. “De resto, foi um jogo normal, em que não aconteceu nada de extraordinário para nós a ponto de merecer alguma lembrança especial”. Em campo, o Santos impôs uma goleada de 5 a 0, atrapalhando um pouco a festa arrumada pelo governo chileno. Oficialmente, o amistoso serviria para “comemorar a classificação ao Mundial’74”.

1978

Para o Mundial da Argentina, o modelo de repescagem da Copa anterior foi mantido, com apenas uma alteração: em vez de apontar o ganhador de um dos grupos sul-americanos para enfrentar o vencedor do Grupo 9 europeu, a Fifa criou uma segunda etapa nas Eliminatórias da Conmebol: um novo triangular em campo neutro reunindo os campeões dos três grupos. Deste triangular, os dois primeiros colocados avançariam para a Copa do Mundo, enquanto o terceiro mediria forças com o repescado europeu.

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Os três participantes desse torneio extra – que ficou conhecido como o “Mundialito de Cali” (em alusão à cidade colombiana em que foi realizado) – foram o Brasil (que superou Paraguai e Colômbia no Grupo 1), a Bolívia (que surpreendeu um decepcionante Uruguai, além da fraca Venezuela, no Grupo 2) e o Peru (que deu o troco no rival Chile e venceu também o Equador no Grupo 3). Os jogos aconteceram dentro de uma semana de julho de 1977, no estádio Pascual Guerrero.

Na abertura, dia 10, o Brasil derrotou o Peru por 1 a 0, gol de Gil. Na quinta-feira, dia 14, a seleção do técnico Cláudio Coutinho confirmou a classificação triturando a Bolívia por 8 a 0, com quatro gols de Zico. Roberto Dinamite, Gil, Toninho Cerezo e Marcelo Oliveira marcaram um cada para completar o massacre. A segunda vaga foi arrebatada pelos peruanos, que aplicaram outro chocolate nos bolivianos (5 a 0, dois gols de Cubillas, dois de Velásquez e um de Percy Rojas) no domingo seguinte, dia 17.

Assim, sobrou para a pobre Bolívia encarar o vencedor do Grupo 9 da Europa, no qual a Hungria triunfaria em disputa embolada com a União Soviética (novamente incluída na chave “repescável”) e a Grécia. Uma vitória por 3 a 0 dos magiares sobre os gregos, no dia 28 de maio em Budapeste, definiu o adversário dos sul-americanos. Os jogos da repescagem foram disputados com intervalo de praticamente um mês: em 29 de outubro as equipes se enfrentariam em Budapeste, enquanto a partida de volta, marcada para a altitude de La Paz, seria realizada no dia 30 de novembro.

No jogo de ida, outra goleada. Como se não bastassem os 13 gols sofridos nos dois jogos do Mundialito de Cali, os bolivianos tiveram que buscar a bola no fundo das redes mais seis vezes no Nepstadion da capital húngara, cinco delas só no primeiro tempo. Tibor Nyilasi abriu o placar aos 12 minutos escorando de cabeça uma falta levantada na área. András Törocsik furou a linha de impedimento para ampliar aos 19. Sándor Zombori fez o terceiro aos 21 e Béla Váradi aproveitou o cochilo da defesa para marcar o quarto aos 27.

Depois da blitz demolidora inicial, o quinto gol só sairia aos 40 minutos, num chute cruzado de Sándor Pintér. E o sexto e último aconteceria já no segundo tempo, a nove minutos do fim, após um lançamento e a conclusão da entrada da área de László Nagy. No jogo de volta, nem mesmo o ar rarefeito da capital boliviana fazia acreditar que o time da casa reverteria a enorme desvantagem.

De fato, os húngaros pareceram nem sentir seus efeitos, diante da fragilidade da equipe da casa: abriram 2 a 0 com facilidade (gols de Törocsik e István Halász), sofreram um gol de pênalti convertido por Carlos Aragonés pouco antes do intervalo, tiveram ainda um tento anulado no começo da segunda etapa e ampliaram o marcador com a ajuda do zagueiro boliviano Windsor Del Llano, que marcou contra, antes de Aragonés diminuir outra vez para os andinos no fim.

O Mundial seguinte, na Espanha, seria o primeiro com 24 seleções, o que significaria a necessidade de redistribuir as vagas para cada continente e também reformular o sistema de disputa das Eliminatórias em várias das zonas. A Fifa, entretanto, obteve êxito neste aspecto, dispensando qualquer tipo de repescagem intercontinental para apontar os classificados. Mas os playoffs voltariam para a Copa do México, em 1986.

1986

A novidade da fase de classificação para o segundo Mundial mexicano foi a criação definitiva de uma zona da Oceania, disputada separadamente da asiática, possivelmente influenciada pelo êxito da Austrália e da Nova Zelândia nas Eliminatórias de 1974 e 1982, respectivamente. Porém, curiosamente, aquela primeira edição contou apenas com australianos e neozelandeses de legítimos representantes do continente. O quadrangular foi completado por Israel, que seguia sua cruzada ao redor do mundo, e pela seleção de Taipé (hoje Taiwan), então em prolongado conflito político com a China.

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Entretanto, a criação da zona da Oceania não deu a ela uma vaga direta para a Copa do Mundo, tendo seu vencedor que disputar uma repescagem contra um postulante de outra região. Naquela primeira edição, o cruzamento se deu contra um europeu – no caso, o segundo colocado do Grupo 7, formado por Espanha, Escócia, País de Gales e Islândia.

A Austrália não teve muito trabalho para vencer o quadrangular e se garantir no playoff: goleou Taipé – que jogou fora de casa sempre, mesmo como mandante – duas vezes, por 7 a 0 e 8 a 0, venceu Israel em Tel Aviv (2 a 1) e empatou em Melbourne (1 a 1), e também arrancou um 0 a 0 da Nova Zelândia em Auckland, antes de derrotar os Kiwis no último jogo, em Sydney, por 2 a 0, no dia 3 de novembro de 1985.

O adversário europeu teve trajetória bem mais dramática. A Escócia até começou muito bem, com dois ótimos resultados obtidos em casa no fim de 1984, derrotando a Islândia por 3 a 0 e a Espanha por 3 a 1. Mas após a virada do ano, depois de perder para os espanhóis em Sevilha (1 a 0), complicou-se ao cair diante do País de Gales em pleno Hampden Park (1 a 0). Em seguida, sofreu para derrotar a Islândia em Reykjavik por 1 a 0, graças a um gol do atacante Jim Bett a quatro minutos do fim.

Em 10 de setembro de 1985, quando escoceses e galeses entraram em campo no Ninian Park, em Cardiff, para sua última partida no grupo, a situação era de enorme equilíbrio: os dois, mais a Espanha (que fecharia a chave no dia 25 recebendo a Islândia), somavam seis pontos ganhos em cinco jogos. A Escócia levava a melhor no saldo (+4, contra +1 do País de Gales e zero da Espanha) e, portanto, precisava pelo menos do empate para não ficar definitivamente fora do Mundial.

Os galeses, porém, abriram o placar com Mark Hughes e passaram a sonhar com a vaga. Até que, a nove minutos do fim do jogo, após um cruzamento, o defensor galês David Phillips bloqueou com o cotovelo um chute de Graeme Sharp dentro da área, num pênalti marcado pelo árbitro holandês Jan Keizer. O ponta Davie Cooper bateu e empatou o jogo. Dois minutos antes do apito final, entretanto, aconteceria o incidente que marcaria para sempre aquele jogo: o técnico escocês Jock Stein sofreu um infarto e desmaiou à beira do campo, tendo de ser levado com urgência à sala de atendimento médico do estádio. Mas acabaria não resistindo e falecendo meia hora depois.

Abalada pela perda do treinador, a seleção passou a ser comandada em caráter emergencial pelo auxiliar de Jock Stein (e também técnico do Aberdeen), Alex Ferguson. E seu destino naquela fase de classificação acabou selado no dia 25, quando a Espanha venceu de virada a Islândia por 2 a 1 em Sevilha, terminando na primeira colocação do grupo. Os escoceses seguiriam para a repescagem, aguardando seu adversário até a definição em favor da Austrália no começo de novembro.

O primeiro jogo do playoff veio no dia 20 daquele mês, em Glasgow, e terminou com vitória tranquila dos escoceses. Aos oito minutos da etapa final, Davie Cooper outra vez abriu o caminho para a classificação cobrando falta bem no canto do goleiro Terry Greedy. O segundo gol veio sete minutos depois, quando Kenny Dalglish foi lançado e passou a Frank McAvennie. O atacante, que estreava na seleção naquele dia, aproveitou a saída do goleiro para dar um leve toque por cobertura, fechando a contagem.

Na partida de volta, no dia 4 de dezembro em Melbourne, os britânicos apenas administraram o resultado. Levaram um susto numa cabeçada de Oscar Crino, espalmada no reflexo por Jim Leighton, e desperdiçaram uma chance incrível num chute quase sem ângulo de McAvennie que acertou o travessão, mas o empate sem gols foi o suficiente para confirmar a Escócia como o 24º classificado para o Mundial do México.

1990

A zona da Oceania seguiu como residência temporária da seleção de Israel nas Eliminatórias quatro anos depois, na fase de classificação para a Copa do Mundo da Itália. Desta vez, o torneio oceânico teve uma fase preliminar em mata-mata – na qual Nova Zelândia e Austrália eliminaram, respectivamente, Taipé e Ilhas Fiji – seguida por um triangular final, no qual os israelenses se juntavam aos vencedores. Num grupo bastante equilibrado, a sorte começou a sorrir para Israel na quarta rodada, quando os neozelandeses bateram os australianos por 2 a 0 em Auckland.

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Ao empatarem com os neozelandeses no mesmo local em 2 a 2 uma semana depois, os asiáticos passaram a precisar de apenas mais uma igualdade contra os australianos em Sydney, no último jogo, no dia 16 de abril de 1989. Abriram o placar no primeiro tempo com gol do atacante Eli Ohana (que jogava no ascendente KV Mechelen belga) e sofreram o empate a dois minutos do fim, mas garantiram a classificação para a repescagem. O adversário faria os israelenses empreenderem mais uma volta ao mundo. Depois de terem enfrentado seleções da Europa, África, Ásia e Oceania em outras edições das Eliminatórias, eles agora chegariam ao continente americano, mais exatamente à América do Sul.

Com a Argentina previamente qualificada como campeã do mundo, os nove sul-americanos restantes foram divididos em três triangulares. Os dois vencedores de grupos com melhor campanha avançariam direto, enquanto o terceiro teria que enfrentar a repescagem. O Uruguai superou Bolívia e Peru no Grupo 1, somando três vitórias e uma derrota (seis pontos). O Brasil, depois de declarado vencedor do tumultuado jogo contra o Chile no Maracanã (famoso pela farsa do goleiro Roberto Rojas, supostamente atingido por um rojão), venceu o Grupo 3 – que ainda incluía a Venezuela – com três vitórias e um empate (sete pontos).

Enquanto isso, no Grupo 2 – o de Paraguai, Colômbia e Equador – a briga foi um pouco mais parelha. Os colombianos estiveram envolvidos nos três primeiros jogos: venceram o Equador em Barranquilla (2 a 0), perderam para o Paraguai no Defensores del Chaco (2 a 1, com um gol de pênalti do goleiro Chilavert no último minuto) e pararam num empate sem gols no jogo da volta contra os equatorianos em Guayaquil.

Os paraguaios ameaçaram se desgarrar ao baterem o Equador por 2 a 1 em Assunção em 10 de setembro, chegando aos quatro pontos em apenas dois jogos (contra três em três dos colombianos), enquanto os equatorianos encerravam definitivamente suas esperanças. Mas a vitória da Colômbia sobre os guaranis também por 2 a 1 de virada novamente em Barranquilla, uma semana depois, reabriu a disputa.

Agora na liderança, mas já com todos os seus jogos realizados, os cafeteiros aguardariam o resultado do último confronto, entre Equador e Paraguai em Guayaquil, torcendo para os donos da casa arrancarem ao menos um empate. Mas eles fizeram melhor: depois de saírem atrás com um gol de Neffa, empataram ainda na primeira etapa com Aguinaga e viraram no segundo tempo, com gols de Marsetti e Avilés, vencendo por 3 a 1 e dando o primeiro lugar de bandeja aos colombianos – que, no entanto, com apenas cinco pontos ganhos, seriam obrigados a jogar a repescagem.

Os playoffs aconteceram nos dias 15 e 29 de outubro de 1989. A exemplo da Escócia, quatro anos antes, a Colômbia eliminou o time vindo da Oceania com uma vitória em casa no primeiro jogo e um empate sem gols no segundo. Na partida de ida, em Barranquilla, Albeiro Usuriaga (que morreria assassinado em 2004) tabelou com Luís Fajardo e chutou para o fundo das redes de Boni Ginzburg, marcando o único gol. Na volta, no Ramat Gan, o 0 a 0 garantiu o retorno dos sul-americanos ao Mundial depois de 28 anos.

1994

A definição dos Estados Unidos como país-sede da Copa do Mundo de 1994 levou a Fifa a repensar o sistema de distribuição de vagas na Concacaf. Diferentemente do que havia ocorrido em 1986, no México, quando a classificação automática dos donos da casa “roubou” uma das vagas alocadas à região que compreendia as Américas do Norte e Central e o Caribe, a entidade abriu uma nova possibilidade ao segundo colocado daquela zona por meio de uma repescagem com o campeão da Oceania.

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Entretanto, mesmo este playoff não culminaria numa vaga direta no Mundial. Antes, o vencedor deste confronto teria que jogar uma segunda repescagem, desta vez contra uma seleção sul-americana. A fase de classificação da Conmebol não contou com o Chile, suspenso pela Fifa após os eventos ocorridos na partida contra o Brasil no Maracanã pelas Eliminatórias anteriores. As nove seleções foram divididas em dois grupos, um com cinco seleções (e duas vagas diretas) e outro com quatro (e apenas uma vaga direta). O segundo colocado deste grupo com menos equipes é que jogaria a repescagem.

A primeira das três zonas envolvidas na repescagem a definir seu participante foi a Concacaf. Após uma fase preliminar em mata-mata e outra em que os oito classificados foram divididos em dois grupos de quatro, os dois primeiros destas chaves (México e Honduras na A, El Salvador e Canadá na B) avançaram para um quadrangular final em turno e returno, a ser disputado em abril e maio de 1993.

Os canadenses começaram bem, empatando com Honduras em Tegucigalpa na estreia (2 a 2), antes de vencerem em casa El Salvador (2 a 0) e, de novo, os hondurenhos (3 a 1). Na quarta rodada, porém, foram goleados no Estádio Azteca pelo México (4 a 0), que os ultrapassou na liderança. A vitória sobre os salvadorenhos fora de casa (2 a 1) foi providencial para manter viva a esperança de classificação direta. Na última rodada, em 9 de maio, haveria o confronto da volta contra o México, em Toronto. Os outros dois participantes já estavam eliminados.

Os Cannucks precisavam da vitória diante dos mexicanos e abriram o placar aos 17 minutos de jogo com o centroavante Alex Bunbury. Mas o veterano Hugo Sánchez empatou aos 36. Pressionando pelo segundo gol durante todo o segundo tempo, os donos da casa acabariam surpreendidos no contra-ataque: Francisco Javier “El Abuelo” Cruz, outro jogador experiente da equipe asteca, marcaria o gol da virada a seis minutos do fim, garantindo o México no Mundial e mandando os canadenses para a repescagem.

Na Oceania, que pela primeira vez contou apenas com países de fato filiadas à confederação daquele continente, tudo correu dentro dos conformes: Austrália e Nova Zelândia superaram seus fracos adversários nos grupos preliminares e decidiram a vaga em dois jogos, vencidos facilmente pelos Socceroos – 1 a 0 em Auckland e 3 a 0 em Melbourne, em 30 de maio e 6 de junho de 1993, respectivamente. A seguir viriam os dois jogos entre Canadá e Austrália, marcados para 31 de julho e 15 de agosto.

No primeiro jogo, em Edmonton, os australianos saíram na frente quando Nick Dasovic cabeceou contra o próprio gol um cruzamento de Ned Zelic. Os donos da casa empataram com o zagueiro Mark Watson no rebote do goleiro após um escanteio. E viraram logo depois num lance incrível, em que a bola rebateu várias vezes na defesa australiana até a conclusão de Domenic Mobilio.

Na partida de volta em Sydney, os australianos saíram na frente no último minuto da primeira etapa, num bonito gol de bicicleta de Frank Farina. Na volta do intervalo, os canadenses igualaram o placar em chute de Lyndon Hooper que o goleiro Mark Schwarzer não conseguiu segurar. Mas Mehmet Durakovic, aos 32 minutos, pôs novamente os Socceroos em vantagem numa cabeçada que encobriu o adiantado arqueiro Craig Forrest. A igualdade nos placares levou a decisão para os pênaltis.

Na primeira série, Wade converteu para os australianos e Dale Mitchell empatou para os canadenses. Em seguida, Aurelio Vidmar e Alex Tobin abriram vantagem para os donos da casa, enquanto Schwarzer pegou as cobranças de Alex Bunbury e Mike Sweeney. Na quarta bola dos Socceroos, Frank Farina converteu e encerrou a disputa em 4 a 1, classificando a Austrália para a segunda repescagem.

Enquanto isso, a Argentina começava a passar maus bocados no Grupo A das Eliminatórias sul-americanas. Após vencer Peru (1 a 0) e Paraguai (3 a 1) fora de casa nas duas primeiras rodadas, acabou destronada da liderança ao perder para a Colômbia (2 a 1) em Barranquilla. Voltou a se igualar aos cafeteros na pontuação ao derrotar o Peru no Monumental de Nuñez (2 a 1) e ver os colombianos ficarem no empate em 1 a 1 diante dos paraguaios no Defensores del Chaco (1 a 1). Mas ao parar num 0 a 0 em casa diante dos mesmos guaranis, voltou a ficar atrás com a goleada da Colômbia sobre o Peru (4 a 0).

Na última rodada, os argentinos somavam sete pontos e receberiam os colombianos, um ponto à frente na tabela e já garantidos pelo menos nos playoffs. Os paraguaios, dois pontos atrás da Albiceleste, visitariam os peruanos em Lima e ainda tinham chances matemáticas. Que quase se concretizaram, graças ao resultado espetacular obtido pela Colômbia em Buenos Aires: Rincón abriu o placar ainda no primeiro tempo e Asprilla, Rincón outra vez, Asprilla de novo e Valencia fecharam em espantosos 5 a 0.

Enquanto assistia atônita ao passeio colombiano, a torcida argentina só rezava para que o Paraguai não derrotasse o Peru. Depois de estar atrás por duas vezes no marcador, os guaranis foram buscar duas vezes o empate. Mas ficaram a um gol de tirar os platinos até mesmo da repescagem: caso vencessem, empatariam em pontos com o time de Alfio Basile e o superariam no saldo.

Tentando se recompor após a humilhação diante dos colombianos, mas salvos da tragédia ainda maior de ficarem de fora até mesmo dos playoffs, os argentinos teriam agora pela frente os australianos. Para aqueles dois jogos, o técnico Alfio Basile recorreu pela primeira vez naquelas Eliminatórias a Diego Maradona. E ele seria decisivo já no primeiro jogo, no dia 31 de outubro em um abarrotado Estádio de Futebol de Sydney, roubando a bola na ponta direita e cruzando para Abel Balbo abrir o placar em cabeçada certeira aos 37 minutos. Mas aos 42, Aurelio Vidmar empataria para salvar a honra dos locais.

Na partida de volta, no Monumental de Núñez, os argentinos tiveram pelo menos duas chances claras de abrir o placar no primeiro tempo: uma com Balbo, que driblou o goleiro Robert Zabica, mas acabou desarmado, e outra numa cabeçada de Ruggeri que o mesmo arqueiro espalmou. O gol que valeu a classificação aos argentinos veio enfim aos 13 minutos da etapa final, num lance um tanto fortuito, em que Batistuta desceu até a linha de fundo e cruzou quase sem ângulo. A bola bateu na perna do meia Alex Tobin e subiu, encobrindo Zabica. Fim do sofrimento, Argentina na Copa.

1998

A Copa do Mundo da França foi a primeira com 32 seleções. E embora a maioria dos continentes tivesse ganhado mais vagas, a Oceania continuou sem a chance de mandar diretamente um representante ao Mundial. A Fifa estabeleceu que o vencedor da zona oceânica deveria enfrentar o perdedor do playoff entre os terceiros colocados da Ásia.

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Os australianos venceram com extrema facilidade o grupo da Oceania, chegando a aplicar 13 a 0 nas Ilhas Salomão na fase de grupos antes de vencer a Nova Zelândia por 3 a 0 em Auckland e 2 a 0 em Sydney na decisão. Já a decisão do rival asiático foi bem mais intrincada. Na última rodada da fase final, o Irã liderava o Grupo A com 12 pontos, um a mais que a Arábia Saudita e dois que o Qatar. Mas já havia encerrado seus jogos. No B, a Coreia do Sul já garantira a vaga direta. Japão e Emirados Árabes brigavam pelo playoff.

No dia 8 de novembro, os japoneses bateram o Cazaquistão por 5 a 1 e não poderiam mais ser alcançados na segunda posição pelos Emirados (que perderiam para a Coreia do Sul em casa no dia seguinte por 3 a 1). Já no dia 12 seria decidido o Grupo A, com o Irã apenas assistindo ao confronto entre Qatar e Arábia Saudita e torcendo por um empate – já que, nesse caso, superaria os sauditas no saldo de gols. Em vão. A Arábia se classificou diretamente após vencer por 1 a 0 em Doha, gol de Ibrahim Al Shahrani, relegando os iranianos à nova tentativa de carimbar o passaporte no playoff com o Japão.

A disputa entre os segundos colocados aconteceu em partida única, no campo neutro de Johor Bahru, na Malásia. O Japão saiu na frente com Masashi Nakayama, mas o Irã virou logo no início da etapa final com gols de Khodadad Azizi e Ali Daei. Aos 30 minutos, Shoji Jo tornou a empatar, levando o jogo para a prorrogação. A dois minutos do fim, Masayuki Okano anotou o gol de ouro que colocou os nipônicos pela primeira vez numa Copa do Mundo. Os iranianos, por sua vez, teriam que tentar de novo na repescagem.

As partidas contra a Austrália foram marcadas para os dias 22 e 29 de novembro. A primeira, em Teerã, terminou empatada em 1 a 1: Harry Kewell abriu o placar para os visitantes aos 19 minutos e Azizi igualou aos 39. Na volta em Melbourne, os Socceroos pareciam ter encaminhado a classificação com facilidade depois de Kewell ter marcado no primeiro tempo e Aurelio Vidmar ampliado logo no início da etapa final. Porém, a 15 minutos do fim, Karim Bagheri descontou para os iranianos. E quatro minutos depois, outra vez Azizi empatou a partida, classificando os asiáticos pelo critério dos gols fora de casa.

Na comemoração pelo retorno do Irã à Copa do Mundo, aconteceu um momento simbólico em Teerã. Proibidas de frequentarem as arquibancadas, as mulheres saíram em peso às ruas para celebrar o resultado. Três mil delas puderam entrar no Estádio Azadi, o principal palco dos festejos, enquanto outras dezenas furaram o bloqueio policial para participar do evento. Momento simbólico no questionamento sobre os direitos das mulheres iranianas, restritos pelas autoridades religiosas desde a Revolução Islâmica de 1979, que levou os aiatolás ao topo do poder. A presença das mulheres nos estádios iranianos, ainda assim, segue em debate no país, mesmo 20 anos depois.

Nas outras zonas – a exemplo do que havia acontecido em 1982, quando o torneio aumentou de 16 para 24 seleções – a Fifa conseguiu solucionar a questão das fórmulas de disputa sem haver a necessidade de realizar playoffs intercontinentais.

2002

As Eliminatórias para o primeiro mundial com sede dividida (entre Japão e Coreia do Sul) colocaram pela última vez uma seleção europeia numa repescagem interzonal. Como a fase de classificação no continente dividiu os participantes em nove grupos, oito dos vice-campeões foram sorteados entre si para a disputa dos playoffs continentais, sobrando uma equipe para enfrentar uma seleção de outra região. Foi a Irlanda, surpreendente segunda colocada do Grupo 2, à frente da Holanda (Portugal ficou com a vaga direta).

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Em seu penúltimo jogo, uma vitória por 1 a 0 no confronto direto em Dublin, no dia 1º de setembro de 2001, com gol marcado pelo meia Jason McAteer, foi crucial para que os irlandeses terminassem à frente da Laranja, ainda que não conseguissem superar os portugueses – com quem terminaram empatados em pontos – no saldo de gols. Depois, foi a vez de ser sorteada para o insólito confronto com o Irã.

Com duas seleções do continente já pré-classificadas por serem as anfitriãs do Mundial, a Ásia teve uma disputa mais acirrada: as duas vagas diretas aos vencedores dos grupos da fase final foram mantidas. Mas em vez de valer uma vaga na Copa, o playoff entre os segundos colocados levaria seu vencedor à repescagem com um europeu, enquanto o perdedor seria irremediavelmente eliminado.

No Grupo A, o Irã chegou à última rodada na liderança, um ponto à frente da Arábia Saudita – e ambos bem distanciados dos demais participantes, já sem chance. No B, a China nadou de largas braçadas: venceu seis e empatou um de seus sete primeiros jogos e tinha a classificação já assegurada na última rodada. Restava a briga pelo playoff, com os Emirados Árabes podendo ser alcançados apenas pelo Uzbequistão.

Os uzbeques venceram a China em Tashkent com um gol de Nikolai Shirshov no último minuto e passaram a torcer pela derrota dos Emirados, que recebiam Omã. Os donos da casa estiveram duas vezes atrás no placar, mas depois do gol do 2 a 2, marcado por Mohammad Omar, a contagem não foi mais alterada. Já na outra chave, o Irã tropeçou na hora decisiva: foi derrotado pelo Bahrein em Manama por 3 a 1, perdendo a vaga para a Arábia, que goleou a Tailândia em Riad por 4 a 1.

No playoff – após o trauma da última rodada do Grupo A – os iranianos não deram chance aos Emirados: em 25 de outubro, venceram por 1 a 0 em Teerã, gol de Karim Bagheri, e mais facilmente ainda em Abu Dhabi, no dia 31, por 3 a 0. Ali Daei abriu a contagem logo aos sete minutos, com Bagheri e Mehrdad Minavand completando no segundo tempo.

A primeira partida da repescagem Europa-Ásia aconteceu em 10 de novembro, em Dublin. A Irlanda saiu na frente perto do fim do primeiro tempo, em pênalti sofrido por McAteer e convertido pelo lateral Ian Harte. O segundo gol sairia logo no começo da etapa final, quando Robbie Keane pegou rebote da defesa e encheu o pé. No fim, o goleiro Shay Given ainda salvaria os donos da casa com duas grandes defesas. Na volta, cinco dias depois em Teerã, os iranianos venceram por 1 a 0 com gol de Yahya Golmohammadi de cabeça no último minuto, mas a vaga ficou mesmo com os irlandeses.

A outra repescagem prevista para aquelas eliminatórias era o confronto do quinto colocado do torneio classificatório da América do Sul – desde 1998 disputado no sistema de pontos corridos – contra o vencedor do grupo da Oceania: outra vez a Austrália. Os Socceroos bateram todos os recordes de gols marcados. Na primeira fase, balançaram as redes nada menos que 66 vezes em quatro jogos, aplicando 11 a 0 em Samoa, 22 a 0 em Tonga e 31 a 0 na Samoa Americana. Na decisão, voltou a passar fácil pela Nova Zelândia (2 a 0 em Wellington e 4 a 1 em Sydney).

Na Conmebol, a briga foi bem mais acirrada. Na última rodada, jogada em 14 de novembro, três equipes ainda disputavam uma das quatro vagas diretas e a na repescagem. O Brasil somava 27 pontos e recebia a Venezuela. O Uruguai seguia logo atrás com 26 e jogaria contra a Argentina em Montevidéu. E a Colômbia, com 24, tinha em tese o papel mais difícil, visitando o já classificado Paraguai no Defensores del Chaco.

Os cafeteros surpreenderam e golearam a Albiroja por 4 a 0 mesmo fora de casa. Mas a vitória foi inútil: o Brasil fez tranquilos 3 a 0 nos venezuelanos em São Luís (dois gols de Luizão e um de Rivaldo), ficando com a vaga direta. E o Uruguai empatou em 1 a 1 com os vizinhos argentinos com Darío Silva abrindo o placar e Cláudio López empatando ainda na primeira etapa. Com os mesmos 27 pontos dos colombianos, a Celeste ficou com a quinta colocação por ter um gol a mais de saldo.

A repescagem começou em 20 de novembro, com a vitória da Austrália em Sydney por 1 a 0, gol de Kevin Muscat cobrando pênalti aos 34 minutos do segundo tempo. Na partida de volta, no dia 25 em Montevidéu, os uruguaios logo deram o troco quando Darío Silva abriu o placar aos 14 minutos. A classificação uruguaia foi decidida na etapa final, após a entrada do centroavante Richard Morales, que desviou de cabeça uma cobrança de falta de Recoba aos 25 minutos e fechou a contagem recebendo passe do meia aos 45.

2006

A partir do Mundial de 2006, as vagas da repescagem foram distribuídas sempre para os mesmos postos: o vencedor da zona da Oceania, o quinto colocado na América do Sul, o quarto na Concacaf e o vencedor do playoff entre os terceiros colocados dos dois grupos decisivos da Ásia. A única mudança, de Copa a Copa, seria nos confrontos. Em 2006, as brigas seriam entre América do Sul e Oceania e entre Concacaf e Ásia.

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O primeiro desses duelos acabaria repetindo um já ocorrido nas Eliminatórias anteriores: a Austrália novamente venceu o grupo da Oceania – só que desta vez contra uma surpreendente seleção das Ilhas Salomão, que terminou à frente da Nova Zelândia – enquanto o Uruguai terminou outra vez na quinta colocação da Conmebol, posição confirmada na última rodada com vitória sobre a Argentina no Estádio Centenário de Montevidéu, com gol de Álvaro Recoba.

O desfecho desta repescagem, no entanto, seria diferente daquela para o Mundial anterior: jogando primeiro em casa, os uruguaios venceram por 1 a 0, gol de Darío Rodríguez, no dia 12 de novembro de 2005. Mas na volta, em Sydney, quatro dias depois, os australianos deram o troco, impondo-se pelo mesmo placar, com tento de Mark Bresciano. A definição foi então para os pênaltis.

Herói da vitória sobre o Canadá em 1993, Schwarzer voltou a garantir os australianos: defendeu a primeira cobrança uruguaia, de Darío Rodríguez, e depois a quarta, de Marcelo Zalayeta, tranquilizando a torcida local depois que Mark Viduka havia acabado de chutar para fora. Na quinta cobrança, John Aloisi converteu e levou a Austrália finalmente à Copa depois de 32 anos – e de quatro derrotas em repescagens.

O outro playoff reuniu duas seleções que nunca haviam jogado uma Copa: Trinidad & Tobago, quarto colocado na Concacaf atrás de Estados Unidos, México e Costa Rica, enfrentaria o Bahrein, vencedor da repescagem interna da Ásia. Os caribenhos haviam surpreendido ao bater o México por 2 a 1 de virada na última rodada de sua zona, com dois gols de Stern John, superando a Guatemala, que no mesmo dia 12 de outubro de 2005 havia batido a Costa Rica por 3 a 1.

O Bahrein, por sua vez, fez campanha fraca no Grupo 2 da terceira fase – a decisiva – da Ásia. Em suas seis partidas somou apenas uma vitória e um empate, terminando bem atrás dos classificados Japão e Irã. Mas ganhou a chance de continuar na briga enfrentando o terceiro colocado da outra chave, o Uzbequistão – que também havia cumprido campanha discreta. No primeiro jogo, em Tashkent, empate em 1 a 1, marcando Talal Yousef e Maksim Shatskikh. Na volta, em Manama, uma outra igualdade, desta vez em 0 a 0, classificou os árabes pelos gols marcados fora de casa.

Na repescagem intercontinental, os asiáticos obtiveram novamente um bom empate em 1 a 1 fora de casa no primeiro jogo: saíram na frente com Salman Ghuloom antes de sofrerem o gol de Chris Birchall logo depois. Mas na volta, em 16 de novembro, não contaram com a mesma sorte. Após escanteio cobrado por Dwight Yorke, o gigantesco zagueiro Dennis Lawrence apareceu na área para cabecear o gol da classificação de Trinidad & Tobago.

2010

As repescagens da Copa do Mundo da África do Sul colocaram frente a frente o quinto colocado da América do Sul contra o quarto da Concacaf e o vencedor da Oceania contra o ganhador do playoff entre os terceiros colocados da zona da Ásia – que agora incluía a Austrália, remanejada após pedido encaminhado pela federação daquele país à Fifa.

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Pela terceira Eliminatória seguida, os uruguaios ficaram com a quinta colocação na disputa sul-americana. Na última rodada, mesmo perdendo em casa para a Argentina com gol de Mario Bolatti a seis minutos do fim, garantiu a vaga na repescagem graças à derrota do Equador para o Chile em Santiago e ao empate da Venezuela com o Brasil em Campo Grande. A vitória crucial para a Celeste veio na partida anterior, contra os equatorianos em Quito, conquistada de virada graças a um pênalti convertido por Diego Forlán aos 48 minutos do segundo tempo.

Os costarriquenhos viveram o outro lado do drama na última rodada da Concacaf. Venciam a já classificada seleção dos Estados Unidos em Washington por 2 a 0 na última rodada, quando sofreram um gol de Michael Bradley na metade da etapa final e outro de Jonathan Bornstein após cinco minutos de acréscimos. Com o empate, acabaram ultrapassados no saldo de gols por Honduras, que bateu o eliminado El Salvador fora de casa por 1 a 0, carimbando o passaporte para a África do Sul.

O primeiro confronto entre Uruguai e Costa Rica aconteceu em San José, em 14 de novembro, e foi vencido pelos visitantes por 1 a 0, gol marcado na raça pelo zagueiro e capitão Diego Lugano em sobra de escanteio. Na volta, quatro dias depois, os uruguaios saíram na frente novamente em cabeçada de Sebastián “El Loco” Abreu, num gol que, em tese, encaminharia uma classificação tranquila. Porém, quatro minutos mais tarde os centro-americanos, treinados pelo brasileiro Renê Simões, empataram com Walter Centeno e passaram a pressionar pela virada. Mas a Celeste segurou o resultado e se garantiu no Mundial.

O Bahrein se garantiu em mais um playoff da Ásia com uma rodada de antecipação, terminando bem atrás de Austrália e Japão em seu grupo, mas com uma certa folga na frente em relação a Qatar e Uzbequistão. Seu adversário agora seria a Arábia Saudita, que se complicou sozinha ao empatar em 0 a 0 em casa diante da Coreia do Norte na última rodada, ficando atrás justamente dos norte-coreanos no saldo de gols (além da outra Coreia, a do Sul, que venceu o grupo com sobras).

A bobeada dos sauditas no grupo não seria a única da equipe naquela fase de classificação. Depois do empate em 0 a 0 diante do Bahrein em Manama no jogo de ida, a partida de volta em Riad teve desfecho eletrizante: depois de abrir o placar logo no início e assistir ao empate dos visitantes – que daria a eles a vaga pelos gols fora de casa – antes do intervalo, a Arábia conseguiu arrancar no primeiro minuto dos acréscimos o gol que seria o da classificação, com Hamad Al-Montashari.

Mas o jogo não havia acabado: aos 48, após cobrança de escanteio, Ismael Abdullatif marcou de cabeça um tento milagroso, tornando a igualar o marcador, calando o Estádio Nacional da capital saudita e colocando o Bahrein na repescagem. O adversário seria a Nova Zelândia, que passou a dominar o jogo de seu continente após a migração dos australianos para a confederação asiática, e avançou ao conquistar a Copa da Oceania de 2008, que valeu também como as Eliminatórias da zona, superando Nova Caledônia, Fiji e Vanuatu.

O primeiro jogo entre Bahrein e Nova Zelândia aconteceu em Riffa no dia 10 de outubro de 2009 e terminou num empate sem gols. Já o segundo foi disputado em Wellington, em 14 de novembro. Os Kiwis marcaram no começo da etapa final com Rory Fallon – ironicamente, para o Bahrein, outra vez de cabeça após uma cobrança de escanteio, exatamente como quatro anos antes.

Minutos depois, os asiáticos ainda tiveram a chance de empatar o jogo e conseguir um resultado que os levaria à Copa pelos gols fora de casa, num pênalti cobrado pelo zagueiro Sayed Adnan, mas o goleiro Mark Paston defendeu espetacularmente. O resultado de 1 a 0 não foi alterado, e os neozelandeses confirmaram seu retorno a uma Copa do Mundo depois de 28 anos.

2014

Ao longo do século XXI, os uruguaios pareceram ter criado um carinho especial pela repescagem. Em 2014, pela quarta Copa do Mundo seguida, a Celeste terminou o torneio classificatório sul-americano na quinta colocação. Desta vez, não houve nem muita disputa: já chegaram à última rodada sem poderem ser alcançados pela Venezuela – que vinha em sexto, mas já encerrara sua participação – e ao mesmo tempo com chances remotas de superar Chile ou Equador – que vinham logo acima, três pontos à frente e com saldo melhor, e se enfrentavam.

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Em Santiago, os chilenos bateram os equatorianos por 2 a 1, mas isso não facilitou muito a missão dos uruguaios: golear a Argentina no Estádio Centenário de Montevidéu. A vitória até veio, mas por 3 a 2, graças a um gol de Cavani na segunda etapa. E lá foi a equipe de Óscar Tabárez outra vez para a repescagem, desta vez contra o vencedor do playoff asiático: a desconhecida seleção da Jordânia.

Os jordanianos terminaram em terceiro no Grupo 2 da fase final asiática, atrás de Austrália e Japão. Fizeram uma campanha irregular e pouco impressionante, chegando mesmo a sofrer goleadas nas visitas aos papões da chave (6 a 0 para os australianos e 4 a 0 para os japoneses). Mas se aproveitou da fraca campanha do Iraque (proibido pela Fifa de jogar em seu próprio território) para brigar ombro a ombro com Omã pela terceira colocação, a qual conquistou vencendo o confronto direto em casa por 1 a 0 na última rodada, gol de Ahmad Hayel.

Na repescagem do continente, o rival seria o Uzbequistão, que esteve dramaticamente perto da vaga: na última rodada, goleou o Qatar por 5 a 1 enquanto a Coreia do Sul perdia em casa para o líder Irã por 1 a 0. Os uzbeques terminaram empatados em pontos com os sul-coreanos, perdendo por um gol no saldo (tendo, porém, dois gols marcados a menos). Não houve jeito: teriam que jogar o playoff.

Após um duplo empate em 1 a 1 nos dois jogos, primeiro em Amã e depois em Tashkent, a decisão foi para os pênaltis. A série de cobranças pareceu interminável. Foram dez para cada lado. Até que na décima cobrança uzbeque, Anzur Ismailov (o autor do gol de sua seleção no tempo normal) bateu pessimamente, para a fácil defesa do goleiro Amer Sabbah, fechando a disputa em 9 a 8 para os jordanianos.

O confronto entre Uruguai e Jordânia foi praticamente decidido em favor dos sul-americanos já na partida de ida, em Amã, com uma goleada por 5 a 0, na qual marcaram Maxi Pereira, Christian Stuani, Nicolás Lodeiro, Cristian Rodriguez e Edinson Cavani. A partida de volta, em Montevidéu, foi um protocolar empate em 0 a 0, e os uruguaios terminaram de colocar o segundo pé na Copa do Mundo do Brasil.

A outra repescagem também terminou em placar dilatado, mas antes disso o México precisou sofrer um bocado na fase classificatória da Concacaf. Cumprindo campanha assustadoramente irregular, os astecas haviam vencido apenas uma de suas oito primeiras partidas no hexagonal decisivo. Antes da penúltima rodada, ocupavam a quinta colocação, perdendo no número de gols marcados para o Panamá.

No dia 11 de outubro, venceram o confronto direto contra os panamenhos em casa por 2 a 1, graças a um gol de Raúl Jiménez a cinco minutos do fim (e quatro minutos após tomar o empate do Panamá) e livraram três pontos de vantagem. Mas na última rodada, estavam de novo em maus lençóis, perdendo para a Costa Rica em San José por 2 a 1. Enquanto isso, o Panamá recebia os Estados Unidos e vencia pelo mesmo placar após Luis Tejada anotar, aos 38 minutos da etapa final, o gol que seria o da classificação à repescagem.

Só que os Estados Unidos, que já lideravam com folga o hexagonal, resolveram ganhar também aquela última partida: marcaram aos 47 minutos do segundo tempo com Graham Zusi. E viraram aos 48, com Aron Jóhansson, calando o Estádio Rommel Fernández e salvando, de bandeja, a cabeça dos mexicanos – que agora teriam pela frente a Nova Zelândia, classificada com sobras na fraca zona da Oceania.

Os neozelandeses venceram todos os jogos da fase final de suas Eliminatórias continentais. Mas não resistiriam a um México renascido após a evitar o que seria uma desclassificação humilhante na Concacaf.  Na partida de ida, em 13 de novembro no Estádio Azteca, abriram 5 a 0 com dois gols de Oribe Peralta e um de Paul Aguilar, Raúl Jiménez e Rafael Márquez, antes de os visitantes descontarem com Chris James. Na volta, uma semana depois em Wellington, Peralta anotou um hat-trick ainda no primeiro tempo, abrindo 3 a 0. Os Kiwis diminuíram com Chris James cobrando pênalti e Rory Fallon. Mas Carlos Peña marcou o quarto no fim, fechando o agregado em sonoros 9 a 3.

Para 2018, os duelos serão entre Honduras (quarta colocada da Concacaf) e Austrália (vencedora do playoff dos terceiros colocados da Ásia), que se enfrentam nos dias 10 em San Pedro Sula e 15 em Sydney, e entre Peru (quinto colocado na Conmebol) e Nova Zelândia (vencedora da Oceania) que se enfrentarão nos dias 11 em Wellington e 15 (já 16 por aqui, pelo horário de Brasília) em Lima.