De certa forma, antes mesmo da Copa de 2014 começar, as condições televisivas já estavam dadas. Na televisão aberta, já em 2011 a Globo anunciava acordo com a Bandeirantes para o sublicenciamento dos direitos. Nas emissoras a cabo, o SporTV ganhou mais uma emissora para ceder os direitos: a FOX Sports, que se incluiu na lista de concorrentes junto a ESPN e Bandsports (o que retratava um equilíbrio na cobertura por assinatura: quatro emissoras fechadas, número inédito no Brasil). De resto, o “padrão Fifa” seguiu imutável na transmissão dos 64 jogos: o mesmo GC de placar, a mesma abertura das transmissões – foi assim que o “OO-EE-AA” teve a chance de se popularizar… enfim, há pouco a dizer, antes de apresentar a cobertura das seis emissoras que exibiram a Copa passada na televisão brasileira.


Vinheta da TV Globo para os programas e transmissões relativos à Copa de 2014

Globo

Narração: Galvão Bueno, Cléber Machado, Luis Roberto, Alex Escobar, Rogério Correa e Rembrandt Jr.
Comentários: Ronaldo, Casagrande, Júnior, Caio, Juninho Pernambucano, Roger, Roberto Carlos, Arnaldo Cezar Coelho, Leonardo Gaciba, Paulo César de Oliveira, Renato Marsiglia e Márcio Rezende de Freitas
Reportagens: Tino Marcos, Mauro Naves, Marcos Uchôa, Kiko Menezes, Fernanda Gentil, Abel Neto, Eric Faria, Renato Ribeiro, Marcelo Courrege, José Roberto Burnier, Carlos Gil, Guilherme Roseguini, Ernesto Paglia e Pedro Bassan
Apresentações: Ivan Moré, Glenda Kozlowski, Cristiane Dias, Luiz Ernesto Lacombe

Gigantismo, gigantismo e gigantismo. Se fora assim o padrão da TV Globo delineado na cobertura para 1982, como não poderia ser da mesma forma, numa Copa sediada no Brasil? Já começava com “Somos um só”, a cançoneta bolada pela emissora para antes do torneio, citando “Coração verde-amarelo”. Seguiu com a apresentação dos vários convidados nas transmissões dos jogos: as partidas do Brasil teriam Ronaldo se unindo ao trio habitual (Galvão Bueno-Casagrande-Arnaldo Cezar Coelho), Juninho Pernambucano estreava na televisão (e agradava nos comentários, para muitos), Roberto Carlos restabelecia a cordialidade com Galvão Bueno após problemas em 2006 para ser mais um convidado global nas partidas da Copa, Alex Escobar estreava nas narrações em 2014. Com todas as outras presenças habituais, partia-se dos envolvidos na Copa para que praticamente toda e qualquer emissora que tivesse algo a ver com as cinco emissoras matrizes estivesse com gente trabalhando pela Globo – o que rendia cerca de 2.500 profissionais envolvidos na cobertura do canal.

O gigantismo seguia na estrutura montada na Granja Comary: uma redação montada naquele lugar em Teresópolis, com 80 pessoas formando cinco equipes de reportagem só para a Seleção Brasileira. Sem contar as aparições dos demais programas do canal, mais uma razão de críticas públicas: era Mumuzinho entrando na Granja Comary para matérias destinadas ao “Esquenta” de Regina Casé, era Luciano Huck gravando um encontro de um deficiente com alguns jogadores para o “Caldeirão do Huck”. Estava claro: após a retração forçada de 2010, a Globo voltava com tudo para a cobertura daquela Copa.

E a Copa começou. Fora os jogos da Seleção, Galvão Bueno aparecia apenas para os jogos do grupo D (esteve em Itália 2×1 Inglaterra e Uruguai 2×1 Inglaterra). De resto, com presenças constantes nos estádios, Cléber Machado, Luis Roberto e Alex Escobar eram os narradores que mais apareciam na Globo. O que era possível ser mostrado ao vivo, era mostrado – e o que não era, ia para o globoesporte.com antes de ser exibido em VT na Globo. Outras seleções também mereciam destaque: eram setorizados Carlos Gil (Itália), Guilherme Roseguini (Uruguai), Ernesto Paglia (Portugal), Pedro Bassan (Espanha), José Roberto Burnier (Argentina), Renato Ribeiro (Alemanha) e Marcelo Courrege (Holanda). Mas a cobertura da Seleção era obviamente massiva: a qualquer hora do dia ou da noite, Abel Neto e Fernanda Gentil ficavam a postos na Granja Comary, sem contar os cinco repórteres a acompanharem os jogos (Tino Marcos, Eric Faria, Mauro Naves, Marcos Uchôa e Kiko Menezes), e as aparições de Ronaldo para rápidas entrevistas na saída dos vestiários, após cada partida. Galvão Bueno passava a fazer parceria na apresentação do “Jornal Nacional” com Patrícia Poeta, tendo William Bonner nos estúdios. E no fim do dia, Tiago Leifert comandava o “Central da Copa”, junto a um elenco quase fixo de convidados: apareceram bastante, por exemplo, Marcius Melhem (ator e roteirista dos programas de humor da Globo) e Xande de Pilares (cantor e compositor).

Alguns momentos tiveram Galvão Bueno como destaque. Para o bem, como na vitória sobre o Chile (mesmo com a voz falhando no pênalti perdido por Gonzalo Jara que confirmou a classificação brasileira). Para o mal, como o próprio descreveu em sua biografia, após Brasil x Colômbia: “Faltavam uns três minutos para o jornal [Nacional] entrar no ar e eu resolvi ligar para Rodrigo Paiva e tentar saber se havia alguma novidade sobr Neymar. Ele tinha até o direito de não atender, mas, no segundo toque, atendeu, e quando eu disse ‘Rodrigo’, ele não me deixou falar: ‘Meu amigo, perdemos nosso garoto para a Copa’. Foi exatamente essa a frase dele. ‘O quê?’, eu disse, e ele repetiu: ‘Perdemos nosso garoto para a Copa, fratura’. ‘Fratura de quê, onde?’. Senti na hora que Rodrigo também estava emocionado e ainda não tinha todas as informações médicas. Ao meu lado, Patrícia Poeta ouvia e já se posicionava em frente à câmera para abrir o “JN”. ‘Rodrigo, obrigado, obrigado, essa eu te devo para o resto da vida, o jornal tá entrando no ar’, eu disse, e desliguei o telefone”.

Galvão Bueno abriu o “Jornal Nacional” informando a fratura vertebral que tirava Neymar da Copa. Perdia a graça, para ele, um episódio ocorrido pouco depois do triunfo sobre a Colômbia: um torcedor brasileiro dizia que a Alemanha iria ganhar, para irritação de Galvão e ironia de Ronaldo. Bem… ganhou. E nessa altura, só resta citar o “passeio” que rendeu mais alguns bordões ao narrador global:


Brasil 1×7 Alemanha, semifinal da Copa de 2014, na transmissão da TV Globo

Numa cobertura recheada de gigantismo, nada mais condizente do que uma decepção gigante. Refletida já no intervalo. Refletida no dia seguinte: durante o “Encontro com Fátima Bernardes”, Fernanda Gentil segurou o choro com grandes dificuldades. Quase refletida na decisão do terceiro lugar: Luis Roberto estava escalado para transmitir a partida, no que seria a primeira ausência de Galvão Bueno num jogo da Seleção em Copas desde 1986. Na última hora, a emissora deixou o seu titular, tanto na vitória holandesa em 12 de julho quanto na decisão em que a Alemanha conquistou o título. Galvão chegou com a voz falhando. Mas chegou. No entanto, quase tanto quanto a Seleção Brasileira, a transmissão da TV Globo para aquela Copa entrara definitivamente entre os alvos de gozação (na melhor das hipóteses) e raiva/rancor/oposição (na pior das hipóteses), após o 7 a 1. Ambição gigante, cobertura gigante, vinculação gigante… efeitos colaterais gigantes.


“O maior espetáculo da Terra”, canção produzida e cantada por Jair Oliveira e Simoninha para as transmissões da Bandeirantes na Copa de 2014, divulgada nos intervalos da emissora antes da Copa

Bandeirantes

Narração: Téo José, Nivaldo Prieto, Oliveira Andrade, Ulisses Costa e José Luiz Datena
Comentários: Neto, Edmundo, Denílson, Pedrinho e Djalminha
Reportagens: Fernando Fernandes, Antonio Petrin, Nivaldo de Cillo e Felipe Andreoli
Apresentação: Renata Fan, Milton Neves, Larissa Erthal e Paloma Tocci
Convidados: Éder, Ronaldo Giovanelli e Velloso

Estava tudo certo. Já em 2011, a Band garantira com a Globo o sublicenciamento dos direitos de transmissão da Copa de 2014. Pelo mesmo regime, continuava exibindo campeonatos nacionais – e também internacionais, como a Liga dos Campeões. Mostrava certos torneios na íntegra, como o Mundial Sub-20 vencido pelo Brasil em 2011. Já cobrira a Copa das Confederações em 2013. O material publicitário para a Copa de 2014 estava pronto, incluindo fotos à frente de um avião, cedido pela empresa que seria parceira da emissora na cobertura da Copa. Suas principais estrelas estavam em tudo isso: Renata Fan, Milton Neves, Neto, Edmundo, Nivaldo Prieto… e Luciano do Valle. Mesmo vitimado por um AVC em 2012 (só revelado em 2013), Luciano se recompusera para continuar sendo a principal voz da emissora paulista nas transmissões esportivas. Já gravara vinhetas, já posara para fotos, já até usara o quepe de capitão nas fotos supracitadas em frente a um avião. Estava tudo certo.

Mas o 19 de abril de 2014 deixou tudo errado. Seis dias após narrar o título paulista do Ituano, nos pênaltis, sobre o Santos, Luciano embarcara de São Paulo para Uberlândia, já que estaria no Parque do Sabiá para narrar Atlético Mineiro x Corinthians, jogo a ser transmitido na primeira rodada do Campeonato Brasileiro. Durante o voo, as dores nas costas já sentidas pré-embarque tiveram o motivo revelado na forma de um mal súbito. Do desembarque, Luciano foi atendido imediatamente por uma ambulância. Foi levado ao hospital, já em Uberlândia. Não adiantou: morria um dos nomes mais marcantes da história das transmissões esportivas brasileiras, aos 66 anos (faria 67 em 4 de julho). A Bandeirantes mergulhou em óbvio luto: Neto era só lágrimas no velório em Campinas, Nivaldo Prieto chorou ao ser chamado para participar do “Gol, o grande momento do futebol” antes da transmissão daquela rodada. E Téo José abriu a transmissão de Atlético Mineiro x Corinthians lamentando: “O nosso capitão – o maior de todos, sempre – nos deixou”. Nunca mais uma Copa do Mundo teria Luciano do Valle numa narração. Nem a televisão brasileira. Só restaria a singela lembrança entregue à viúva Flávia: uma credencial póstuma, emitida pelo centro de imprensa no Rio de Janeiro. E a homenagem exibida pela Band nos momentos iniciais da transmissão de Brasil x Croácia.

Mas havia uma Copa a ser transmitida pela Bandeirantes. O destino tornava Téo José o narrador das principais partidas, com Neto e Edmundo a seu lado – e o locutor goiano traria alguns bordões especiais para o torneio, além dos que já trazia – por exemplo, citando que o Brasil “subia o degrau” a cada vitória conseguida. Para ocupar a vaga aberta, Oliveira Andrade (então se alternando entre Bandsports e a rádio Jovem Pan paulista) foi confirmado poucos dias depois da morte de Luciano, para narrar num Mundial pela primeira vez desde 1994. Nivaldo Prieto contaria com Edmundo como parceiro mais habitual nas transmissões, enquanto Denilson deixaria o estúdio, onde ficara no “Band Mania” de 2010, para ser comentarista em outros jogos, em geral com Oliveira narrando. E mais convidados se juntariam a Ulisses Costa e José Luiz Datena (principal nome do Bandsports, coadjuvante nas transmissões da emissora-mãe): Pedrinho e Djalminha teriam suas primeiras participações como comentaristas.


Gols de Brasil 3×1 Croácia, jogo de abertura da Copa de 2014, na transmissão da TV Bandeirantes, com a narração de Téo José e os comentários de Neto e Edmundo

Nas reportagens, poucas novidades: Fernando Fernandes acompanhou a Seleção Brasileira, Antonio Petrin seguiu as principais seleções, Nivaldo de Cillo acompanhou o ambiente nas cidades brasileiras, Felipe Andreoli foi o nome do “CQC” (em seus últimos momentos no canal paulistano, antes de rumar para a Globo em novembro daquele ano). Renata Fan foi a apresentadora do “Jogo Aberto”, acompanhando a Copa onde a Seleção Brasileira fosse, enquanto Paloma Tocci se responsabilizava pela apresentação das notícias sobre a Copa, nos telejornais da Band. Nas noites, arrematando a cobertura dos 56 jogos ao vivo, Milton Neves comandou dos estúdios o “Band na Copa”. Junto a Larissa Erthal, Milton debatia o dia da Copa junto a quatro convidados. Uma novidade no debate era Éder: o ex-jogador mineiro nunca fora lembrado numa cobertura de Copa, até então. Já outros eram conhecidos do grupo Bandeirantes, como Ronaldo Giovanelli, Velloso e Patricia Maldonado (esta, voltando a um Mundial). E outros ainda comentavam jogos pelo canal na Copa, como Pedrinho ou Djalminha. E as coisas seguiram assim até o 7×1 narrado por Téo José e comentado por Neto e Edmundo – que chegou a chorar no decorrer da transmissão, quando o placar já estava em 5 a 0 para os alemães.


Gols de Alemanha 7×1 Brasil, semifinal da Copa de 2014, na transmissão da TV Globo, com a narração de Téo José

No “Band na Copa” daquele 8 de julho de 2014, Milton Neves criticou duramente a falta de perguntas duras a Luiz Felipe Scolari.. As críticas seguiram no dia seguinte. Mas dois dias depois, a Bandeirantes teve outro duro golpe. Recuperado de um infarto em 2013, Osmar de Oliveira estava escalado para comentar alguns jogos naquela Copa, e também para participar dos debates da emissora. Porém, em 2014, teve descoberto um câncer na próstata, logo após a convocação da Seleção Brasileira para o torneio. O tumor foi removido, mas diversas complicações apareceram depois. E terminaram por vitimar Osmar, aos 71 anos, em 11 de julho, dois dias antes da final. Motivo de nova tristeza – tanto de Milton Neves, no “Band na Copa” de 11 de julho, quanto no pós-jogo de Brasil 0x3 Holanda que Renata Fan apresentou, do Mané Garrincha, em Brasília, lembrando com lágrimas do companheiro no “Jogo Aberto”. Téo José, Neto e Edmundo ainda estiveram na final no Maracanã: era o fecho de uma cobertura de que a Band sempre se lembrará com tristeza.


Renata Fan no pós-jogo de Brasil 0x3 Holanda, decisão do terceiro lugar da Copa de 2014, chorando pela morte de Osmar de Oliveira

Tevê por assinatura

SporTV

Narração: Luiz Carlos Jr., Milton Leite, Júlio Oliveira, Jáder Rocha, Jota Júnior, Eduardo Moreno, Linhares Jr., Roby Porto e Odinei Ribeiro
Comentários: Lédio Carmona, Belletti, Maurício Noriega, Edinho, Ricardo Rocha, Raphael Rezende, William Machado, Ricardinho, Carlos Eduardo Lino, André Loffredo, Wagner Vilaron, Batista, Paulinho Criciúma e Luiz Ademar
Reportagens: Bruno Côrtes, Eudes Júnior, Felipe Diniz, Janaína Xavier, André Hernan, Bruna Gosling, Edgar Alencar, Felipe Brisolla, Guido Nunes, Joanna de Assis, Raphael de Angeli, Pedro Mota, Thiago Maranhão, Fernando Saraiva e Karin Duarte
Apresentações: André Rizek, Marcelo Barreto, Vanessa Riche, Aurora Bello, Domitila Becker, Flávio Canto, Lucas Gutierrez
Participações: Maitê Proença, Paulo Miklos, Xico Sá, Eduardo Bueno, Carlos Alberto Torres, Daniel Passarella, Fabio Cannavaro, Franz Beckenbauer e Lothar Matthäus

Só o fato de Galvão Bueno abrir o “Bem, Amigos!” de 9 de junho de 2014 no estúdio panorâmico que o SporTV montara na Ilha Fiscal, no Rio de Janeiro, para a cobertura da Copa, já dava a mostra de como a emissora esportiva estava, definitivamente, acoplada à Globo, tirando partido de toda a estrutura que o grupo ofereceria (eram 620 profissionais no Brasil!). Assim como na Globo, não faltavam convidados para as transmissões dos jogos (quase todas feitas dos estádios): Belletti, William Machado e Ricardinho eram novidades do canal. Uma delas deveria estar naquele “Bem, Amigos!”. Mas não estava, pelo mais triste dos motivos: também previsto como comentarista da emissora da Globosat nos jogos da Copa, Fernandão era mais um que o destino impedira de acompanhar a Copa, pelo acidente de helicóptero que o matara, dois dias antes.

A tristeza foi superada no decorrer do trabalho. Que mostraria novidades. Certo, seguiria o “Seleção SporTV” apresentado por Marcelo Barreto nas noites da Copa, seguiria a exibição dos 64 jogos ao vivo em dois dos canais, seguiria a mobilização total de programas como o “Bom dia SporTV”, o “Tá na área” e o “SporTV News”. No entanto, havia renovação. Expressa na alternância concretizada entre Luiz Carlos Jr. e Milton Leite na narração dos jogos da Seleção Brasileira, cada um com seu comentarista: o paulista estreou no 3 a 1 contra a Croácia, ao lado de Maurício Noriega e de Belletti, o carioca veio ao lado de Lédio Carmona para o empate sem gols com o México e assim por diante.

Renovação expressa no início do SporTV 3, o terceiro canal da programação. No início do “Extra Ordinários”, debate alternativo sobre a Copa, que contava com Maitê Proença, Eduardo Bueno, Xico Sá e Paulo Miklos (além de participações periódicas dos integrantes do “Casseta & Planeta, Urgente!”). Expressa também no “Madruga SporTV”, programa  no qual um elenco de quatro apresentadores – Aurora Bello, Domitila Becker, Lucas Gutierrez e Flávio Canto – se alternava em duplas, para um debate que entrava pela madrugada. Finalmente, a grande novidade viria com um ousado programa: do estúdio na Ilha Fiscal, André Rizek comandaria um debate em dez edições ao longo da Copa, com cinco capitães campeões do mundo: Carlos Alberto Torres (1970), já então colaborador do SporTV no “Troca de Passes”, Franz Beckenbauer (1974), Daniel Passarella (1978), Lothar Matthäus (1990) e Fabio Cannavaro (2006). Era o início do elogiado “É campeão”.


Matéria com o making of do “É campeão”, para o Bom dia SporTV”

A cobertura seguiu. Luiz Carlos Jr., Lédio Carmona e Belletti sofreram na transmissão da vitória nos pênaltis sobre o Chile; Milton Leite mostrou mais alívio na transmissão contra a Colômbia – e ainda se destacava em outras importantes aparições (exemplo: Milton foi o único a apontar a possibilidade de Tim Krul entrar, em Holanda 0(4)x0(3) Costa Rica, nas quartas de final). E aí, veio o 7 a 1, narrado com relativa calma por Luiz dentro do rodízio.


Luiz Carlos Jr., Lédio Carmona e Belletti no pós-jogo de Brasil 1×7 Alemanha, semifinal da Copa de 2014, na transmissão do SporTV. Postado por Alexandre Ferrara

A compensação veio na decisão narrada por Luiz Carlos Jr.: nela, o SporTV se destacou. Só ele tinha câmeras exclusivas para Passarella e Matthäus, ambos acompanhando as seleções de seus países no Maracanã. Só ele contou com os dois, no “É Campeão”. Diga-se de passagem, só ele teve o choro de Ricardo Rocha, ainda lamurioso do vexame brasileiro. E só ele podia contar com o auxílio da Globo, já que Galvão Bueno fechou aquela cobertura com um “Bem, Amigos!” em 14 de julho de 2014, do mesmo estúdio da Ilha Fiscal.


Videoclipe parodiando “Happy”, de Pharrell, para encerrar a cobertura da ESPN para a Copa de 2014

ESPN

Narração: Paulo Andrade, Paulo Soares, Rogério Vaughan, Cledi Oliveira, Everaldo Marques, Eduardo Monsanto, Luiz Carlos Largo e João Palomino
Comentários: Paulo Vinicius Coelho, Paulo Calçade, Mauro Cezar Pereira, Leonardo Bertozzi, Gustavo Hofman, Rafael Oliveira, Alexandre Oliveira e Gerd Wenzel
Reportagens: André Plihal, Cícero Mello, André Kfouri, Vinícius Nicoletti, Marcela Rafael, Gabriela Moreira, Débora Gares e Helvídio Mattos
Apresentações: João Carlos Albuquerque e William Tavares
Participações especiais: Juan Pablo Sorín, Freddy Rincón, José Trajano, Juca Kfouri, Fernando Calazans, Paulo Cobos, Antero Greco, Dan Stulbach, Lúcio de Castro, Celso Unzelte, Luiz “Zaguinho” Zague, Alexi Lalas, Sebastián “Loco” Abreu, Michael Ballack, Steve McManaman, Zé Elias, Mario Kempes, Jared Borgetti, Hugo Sánchez, Ivan Zamorano, Ruud van Nistelrooy, Dan Stulbach e Antônio Tabet

Não se sabia ainda, mas a cobertura da Copa de 2014 representava para a ESPN Brasil uma fase de transição. Que começava muito ambiciosa, sob o comando de João Palomino, que desde 2012 deixara a narração para virar sucessor de José Trajano como diretor de jornalismo da emissora paulistana a cabo (embora tenha narrado uma partida até importante: Argentina 1×0 Suíça, nas oitavas de final). Não faltou publicidade para divulgar o tamanho do grupo de colaboradores que a ESPN teria, para exibir ao vivo os 64 jogos da Copa em seus três canais – valeu até uma “falsa convocação” de Palomino e uma propaganda que exibia os comentaristas como se fossem um time a chegar de ônibus ao estádio para uma partida.

Porém, mesmo entre esses colaboradores, havia algo a mostrar uma transição na história da ESPN. Certo, ainda estavam lá os destaques de sempre: Paulo Andrade (“promovido” a principal narrador do canal com Palomino num cargo diretivo), Paulo Soares, Paulo Vinicius Coelho, Paulo Calçade, Mauro Cezar Pereira, Leonardo Bertozzi, todos esses na transmissão dos jogos, nos estádios e no IBC – sem contar os narradores e comentaristas que ficavam nos estúdios, como Luiz Carlos Largo, Alexandre Oliveira e Rafael Oliveira (este, vindo do Esporte Interativo). Estavam lá os participantes do “Linha de Passe” diário: José Trajano – agora apenas comentarista de estúdio -, Juca Kfouri, Fernando Calazans, Antero Greco, Arnaldo Ribeiro (também chefe de redação, cunhando o “favoritaço” no “Linha de Passe” de 6 de junho de 2014). Estavam lá os repórteres conhecidos: André Kfouri, André Plihal, Helvídio Mattos, Vinícius Nicoletti – mais vindas então recentes, como Gabriela Moreira. Estavam lá os comentaristas dos noticiários – Celso Unzelte e Lúcio de Castro como grandes exemplos. Estavam lá os apresentadores dos próprios programas: João Carlos Albuquerque e William Tavares.

Todavia, nunca o contingente de ex-jogadores havia sido tão grande numa cobertura de Copa do canal quanto em 2014. Zé Elias puxava a fila, como representante brasileiro. Mas até pelo fato de também ser a responsável por transmitir a Copa para demais países da América do Norte (e até para a parte latina dos Estados Unidos), a ESPN pôde contar com muitos jogadores, convidados a falarem das seleções de seus países nos telejornais como “Sportscenter” e “Bate-Bola”. Era o caso de mais um brasileiro, Gilberto Silva; do colombiano Carlos Valderrama; do holandês Ruud van Nistelrooy; do alemão Michael Ballack; de três (!) mexicanos – Zaguinho, Hugo Sánchez e Jared Borgetti. Como se não bastasse, para dar um olhar “cultural” àquela cobertura, participariam dos debates nos programas dois convidados: o ator Dan Stulbach (no “Bate Bola” e no “Linha de Passe”) e o publicitário Antonio Tabet (só no “Bate Bola”).

Outros jogadores iam além: comentavam os jogos de suas seleções para a ESPN. Foi o caso de “Loco” Abreu, para o Uruguai – como esquecer de seu “pqp” no ar, tão logo terminou o 1 a 0 na Itália que levou a Celeste às oitavas de final? Foi o caso de Freddy Rincón, na Colômbia – outro a ter seu grito audível, no belíssimo gol de James Rodríguez que abriu o caminho para os Cafeteros eliminarem os mesmos uruguaios nas oitavas. Finalmente, Juan Pablo Sorín não só comentou as partidas da Argentina até a final; também foi o “setorista” responsável por conseguir palavras de gente como Lionel Messi e Ángel di María, se valendo de seu passado de duas Copas pela Albiceleste, que obviamente facilitava seu acesso à delegação.

Pois é: Sorín era um dos representantes da classe mais “marcante” da ESPN naquela Copa. Os setoristas eram determinados comentaristas e repórteres que acompanhariam seleções destacadas a par e passo durante o torneio. Coube a Leonardo Bertozzi ficar com a Itália – e posteriormente, com a França, após a eliminação da Azzurra. André Kfouri começou seguindo a Espanha – e terminou seguindo a Holanda até o terceiro lugar (“Não foi difícil me atualizar”, comentou André sobre a necessidade de mudar de seleção no decorrer da Copa). Mauro Cezar Pereira teve a Inglaterra na alça de mira, no começo, mudando para o Uruguai depois. Mais sorte tiveram setoristas como PVC, acompanhando o Brasil ao lado do repórter Cícero Mello (embora sua participação numa reunião com Luiz Felipe Scolari tenha causado celeuma); o supracitado Sorín, que não disfarçou seu “llanto” de alegria na classificação à final; e Gustavo Hofman, com a Alemanha.

A princípio, a escolha óbvia para acompanhar a Mannschaft seria Gerd Wenzel. Este declinou, por razões profissionais e pessoais. Foi a sorte definitiva para o jornalista belorizontino radicado em Campinas, que comandara a redação desta Trivela na Copa de 2010: da chegada a Santa Cruz Cabrália até Philipp Lahm levantar a taça, Hofman acompanhou todo o périplo da Alemanha na Copa – o que o rendeu até um livro, “40 dias com a campeã do mundo” (Rio de Janeiro, Via Escrita, 2014). Claro, Gustavo estava nos 7 a 1, ressaltando que a Alemanha não se assustaria com a pressão da torcida antes mesmo de tudo acontecer. Ao acontecer, Paulo Andrade, PVC e Calçade já faziam o rescaldo do massacre no intervalo. E o “Linha de Passe” daquele 8 de julho sintetizou a surpresa, já a partir da introdução de Eduardo Monsanto. Juca Kfouri falou: via os gols sucessivos “anestesiado, como se fosse por um bom anestesista, que lhe faz não sentir nada”. PVC se reconhecia triste: “Preferia perder na final”. Mauro Cezar – muito criticado antes e durante a Copa por sua oposição ao estilo de jogo brasileiro – pôde aprofundar sua opinião. E Trajano lembrou o que José Maria Marin dissera antes da Copa, ainda presidente da CBF que era, para resumir: “Estamos no inferno”.

No Brasil 0x3 Holanda da decisão do terceiro lugar, Mauro Cezar até cantou uma versão improvisada do “Mil gols” que teve relativo sucesso nas arquibancadas para apimentar a crítica: “Dez gols, dez gols/Em dois jogos, são dez gols/É o time do Felipão”, com a narração de Paulo Soares. Na final, coube a Paulo Andrade narrar o título da Alemanha. E o encerramento da cobertura da ESPN, com todo o grupo participante num videoclipe, foi marcante não só pelo fato em si. Foi marcante por causa da transição que a ESPN vivia em sua história – transição aprofundada, daquela Copa em diante.


Vinheta do Bandsports para a Copa de 2014, com alguns nomes que participaram da cobertura

Bandsports

Narração: José Luiz Datena, Oliveira Andrade, Ivan Bruno, Ivan Zimmermann, Héverton Guimarães, Carlos Fernando e Alex Muller
Comentários: Branco, Denílson, Velloso, Fábio Piperno, Ronaldo Giovanelli, Djalminha e Pedrinho
Reportagens: William Lopes, Marcelo Rozemberg e Thiago Kansler
Apresentações: Renata Saporito, Celso Miranda, Ivan Bruno, Mirelle Moschella, Fernanda Maia e Patrícia Maldonado
Participação: Flávio Saretta

Fala-se muito da sinergia entre Globo e SporTV, mas o processo de interação entre Bandsports e Bandeirantes também teve o aprofundamento escancarado em 2014. Personagens que narravam os jogos periféricos da Copa na emissora-mãe se tornavam destaques no canal esportivo do Grupo Bandeirantes. Oliveira Andrade e Djalminha, por exemplo, formavam uma das duplas de narrador-comentarista reservadas para os jogos mais importantes – coube ao narrador campineiro e ao ex-jogador a transmissão da vitória argentina sobre a Holanda, nas semifinais. Assim também era com Ivan Bruno, que narrou muito esporadicamente pela Bandeirantes naquele Mundial; e com os ex-atletas cuja participação era mais costumeira no “Band na Copa” (Pedrinho, Djalminha e Ronaldo Giovanelli). Sem contar os narradores únicos do Bandsports: Carlos Fernando, Héverton Guimarães e Ivan Zimmermann.

Com isso, se houve um símbolo capaz de se destacar na cobertura da emissora pertencente à Band, foi José Luiz Datena. 16 anos após cobrir a Copa de 1998 na turbulenta passagem da TV Record naquele torneio, o jornaista voltaria a narrar uma Copa do Mundo. Até fez jogos importantes na emissora em que era um dos destaques, à frente do “Brasil Urgente”: foi pela Band que Datena narrou Alemanha 1×0 Estados Unidos, por exemplo. No entanto, era no Bandsports que ele recebia a principal aposta, titular nas partidas mais importantes.

O que incluía, claro, a Seleção Brasileira: ao lado de Branco, com quem não falava desde as tensões com a Band na Copa de 1994 (“Evidente que o tempo passou, ele não deve ter mágoa e nem eu, porque nunca guardei”, tranquilizou ao jornalista Paulo Pacheco no site “Notícias da TV”, na véspera da abertura da Copa), Datena narrou as partidas brasileiras. Nelas, não poupava em emoção. O que, claro, incluiu o 7 a 1. Antes mesmo da Copa, em abril, Datena prometera no “Brasil Urgente”: se a equipe da casa perdesse a Copa, apresentaria o seu programa policial de cuecas. Aconteceu o que se sabe – no vídeo abaixo, a transmissão do Bandsports. E em 10 de julho, estava lá o narrador, em ceroulas com as cores alemãs. Pelo menos, manteve a animação no canal. E esteve junto a Branco, para transmitir a vitória germânica contra a Argentina.


Os gols de Brasil 1×7 Alemanha, semifinal da Copa de 2014, na transmissão do Bandsports, com a narração de José Luiz Datena

FOX Sports

Narração: João Guilherme, Gustavo Villani, Marco de Vargas, Hamilton Rodrigues, Silva Jr., Éder Reis e Rodrigo Cascino/No FOX Sports 2: Paulo Bonfá, Cadu Cortez e Paulinho Arapuan
Comentários: Mário Sérgio, Vanderlei Luxemburgo, Carlos Eugênio Simon, Osvaldo Pascoal, Rodrigo Bueno, Mauro Beting, Fábio Sormani, Eugênio Leal, Paulo Lima, Athirson e Renê Simões/No FOX Sports 2: Marília Ruiz, Ana Paula Oliveira e Maurício “Mano” Borges
Reportagens: Victorino Chermont e José Ilan
Apresentações: Eduardo Elias e Marina Ferrari
Participação: Renato Maurício Prado, Paulo Júlio Clement e Paulo Roberto Falcão

Já disseminado na América Latina, o canal esportivo da FOX ganhou enfim sua filial brasileira a partir de 5 de fevereiro de 2012. Ela foi inaugurada com problemas: desacertos com várias operadoras de tevê por assinatura impediram que a FOX Sports brasileira fosse vista pelos assinantes. Mas tais problemas foram solucionados, e a emissora então sediada no bairro carioca do Cosme Velho pôde mostrar o tamanho dos investimentos que tivera: Copa Libertadores, Copa Sul-Americana, Campeonato Inglês e Campeonato Italiano eram as grandes atrações. Estrearam com o canal João Guilherme, Marco de Vargas, José Ilan e Victorino Chermont (1973-2016), todos vindos do SporTV; Rodrigo Bueno, da ESPN; Carlos Eugênio Simon, comentarista de arbitragem, doze anos após ter um quadro num programa da TV Guaíba gaúcha; e Athirson, em sua primeira experiência na televisão; Renata Cordeiro e Eduardo Elias, ambos voltando à tevê fechada; e Paulo Júlio Clement (1964-2016), já com longa trajetória no jornalismo então – fora de repórter d'”O Globo” a assessor de imprensa de Ronaldo. Ainda em 2012, pouco depois da turbulência que o tirou do SporTV, chegava Renato Maurício Prado. E em 2013, a equipe ganhou acréscimo com as vindas de Gustavo Villani, da ESPN; Marina Ferrari, vinda da TV Bandeirantes para apresentar programas; e Mário Sérgio (1950-2016), voltando a comentar.

Mas o grande marco da chegada do FOX Sports foi mesmo o anúncio de que o canal exibiria a Copa em 2014, feito no ano anterior. Mais do que isso: já no ano do Mundial, em janeiro, várias contratações foram anunciadas. Só para os comentários, vieram Fábio Sormani, da Rádio Jovem Pan paulista; Osvaldo Pascoal, se alternando com a Rádio Globo paulista; e Mauro Beting, após 17 anos de Grupo Bandeirantes. Como apresentadores, lá estariam Benjamin Back e Flávio Gomes – este, de volta à televisão após a rumorosa demissão da ESPN. Todos os supracitados estariam na Copa, além de uma novidade: retornado ao futebol em 2011, mas sem emprego como técnico, Paulo Roberto Falcão voltaria à tevê não só para participar de debates, mas também para apresentar o “Boa Noite Copa”, mesa-redonda noturna do canal. De quebra, às vésperas da Copa, Renê Simões foi mais um nome do futebol chamado para ser comentarista no canal carioca a cabo. E Vanderlei Luxemburgo foi anunciado não só para ser mais um a comentar: seria o convidado nos jogos da Seleção Brasileira, a serem comentados por Mário Sérgio e narrados por João Guilherme.

Ainda em janeiro de 2014, o FOX Sports revelaria mais um incremento: também teria um segundo canal. Por sua vez, o FOX Sports 2 também exibiria a Copa. Só teria um tom de mais humor nas transmissões: após tentar sem sucesso no SporTV, Paulo Bonfá ganhava uma chance para narrar “a sério” fora do Rockgol, Seria ele o principal locutor aboletado no segundo canal, com os comentários de Marília Ruiz. As demais partidas seriam narradas por Cadu Cortez ou Paulinho Arapuan, e comentadas por Ana Paula Oliveira ou Maurício “Mano” Borges” (este, em sua estreia no canal onde já estava Benjamin Back, seu colega no “Estádio 97”, da rádio Energia 97 paulista). Haveria debates com personagens também mais humorísticos. Danilo Gentili, por exemplo, esteve presente na transmissão de Brasil 3×1 Croácia, o jogo de abertura, e em Alemanha 1×0 Argentina, a final. Silvio Luiz até chegou a ser convidado para a cobertura, mas a Rede TV não o liberou para a Copa.


Áudio de trecho da transmissão de Alemanha 1×0 Argentina, final da Copa de 2014, na transmissão do FOX Sports 2, com narração de Paulo Bonfá, comentários de Marília Ruiz e participação de Danilo Gentili

Nas transmissões “normais”, João Guilherme, Mário Sérgio, Vanderlei Luxemburgo e Carlos Eugênio Simon estiveram juntos nas partidas da Seleção até a semifinal. Antes mesmo que o 7 a 1 se apresentasse, o FOX Sports já tivera uma séria questão com que lidar: com dores no coração, Mário Sérgio teve de ser internado às pressas em Belo Horizonte. Não houve maiores consequências, mas João, Simon e Luxemburgo tiveram no jogo histórico do Mineirão a companhia de Osvaldo Pascoal, tirado da transmissão da Rádio Globo paulista na qual era o principal comentarista.


Gol de Neymar, o primeiro do Brasil na vitória por 3 a 1 sobre a Croácia, pela partida de abertura da Copa de 2014, na transmissão do FOX Sports, com a narração de João Guilherme

Acontecida a goleada, uma cisão fez com que a carreira de outro narrador decolasse definitivamente na FOX Sports. João Guilherme seguiu com a Seleção Brasileira até o fim, fazendo também a derrota para a Holanda na decisão do terceiro lugar. Coube a Gustavo Villani, que já transmitira a semifinal entre Holanda x Argentina junto a Mauro Beting, ser o escolhido para narrar o quarto título mundial da Mannschaft no Maracanã. Deu certo: naquele momento, o narrador paulista de Marília ganhou o impulso definitivo para ser um dos locutores principais do canal, enquanto esteve lá. Assim como o FOX Sports teve na Copa de 2014 o impulso necessário para provar que era, sim, opção firme na disputa por audiência.

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Ao propor esta série aos colegas da Trivela, não sabia que seria tão árduo. Afinal de contas, quase nada estava pronto: foi quase um capítulo de livro escrito por dia (por isso demoravam tanto…). De mais a mais, sequer sabia se haveria retorno dos leitores. Houve. Felizmente, positivo. E só espero uma coisa: que os erros existentes tenham sido perdoados. Muito ruim que tenham acontecido – tenho a teoria de que o único valor dos erros é nos ensinar a não cometê-los novamente. Para quem queria fazer um trabalho de alto rigor na pesquisa, irritava ler os corretos apontamentos para retificações. Não por culpa dos leitores, claro. Mas pela cobrança pessoal, que não permitia falhas.

Mas… já que foram feitos, tenham certeza: foi com enorme vontade de acertar. Agradeço muito a quem gostou. Quem sabe disso saia um livro, como muitos sugeriram…

FONTES CONSULTADAS/RECOMENDADAS

  • Máximo, João. João Saldanha: sobre nuvens de fantasia. Rio de Janeiro, Relume Dumará/Prefeitura, 1996
  • William, Wagner. Silvio Luiz: olho no lance. São Paulo, Nova Cultural, 2002
  • Mattiussi, Paulo. Osmar Santos: o milagre da vida. São Paulo, Sapienza, 2004
  • Faria, Bob. Grito de gol: as vozes da emoção na TV. Belo Horizonte, Leitura, 2011
  • Bueno, Galvão. Ostrovsky, Ingo. Fala, Galvão!. São Paulo, Globo Livros, 2015
  • Léo, Alberto. História do jornalismo esportivo na TV brasileira. Rio de Janeiro, Maquinária, 2017
  • Sites: De olho na telinha, de Êgon Bonfim, e Colecionador de Copas, de Thiago Uberreich

Fica a indicação para alguns canais que têm alguns vídeos que podem interessar: Flávio Baccarat, Ted Richard Paiva Sartori, Êgon Bonfim, Fábio Marckezini, Bruno Cabral, e o site do SporTV.