Em 24 horas, o torcedor nordestino teve uma notícia potencialmente ruim e outra potencialmente boa. Melhor que a primeira parece ter sido apenas um susto, e a segunda parece ser consistente. A Copa do Nordeste deve se expandir em 2015, e na direção certa.

Na quinta, Eduardo Bandeira de Mello, presidente do Flamengo, revelou à Folha de São Paulo ter conversado com a Liga do Nordeste sobre a possibilidade de o rubro-negro ganhar uma vaga no torneio. Na sexta, o blog de Cassio Zirpoli, no Diário de Pernambuco, informou que é dada como certa a entrada de dois clubes do Maranhão e outros dois do Piauí no ano que vem.

A ideia de incorporar o Flamengo se sustenta em argumentos econômicos. Trata-se do clube mais popular do Nordeste e certamente seria uma grande atração em todos os jogos. Além disso, ajudaria a aumentar o valor do torneio para a televisão, pois há interesse nacional por tudo o que o Rubro-Negro faz.

Mas os benefícios param aí. A Copa do Nordeste serve para aumentar a identificação do torcedor nordestino com sua terra, um sentimento regional real que dá impulso à competição (coisa que dificilmente haverá na Copa Verde e que minou também o Sul-Minas, Copa Norte e Copa Centro-Oeste). É um momento de os clubes mais tradicionais da região se encontrarem, em partidas com bons públicos e rivalidades regionais.

Incorporar o Flamengo nessa química quebra a lógica do torneio. Os clubes nordestinos usam o regional como forma de fincar o pé como forças populares em seus estados, mas teriam de ver o grande concorrente do Sudeste aparecer por lá. Para piorar, o clube carioca tem muito mais recursos financeiros que os nordestinos e teria uma boa chance de se tornar a equipe mais vencedora do torneio, o que daria mais condições para captar seguidores no Nordeste.

O que o Nordestão precisa é reforçar seu caráter regional, e isso pode ser atingido com a inclusão de maranhenses e piauienses. Os dois estados ficaram de fora pelo fato de a CBF ter feito uma divisão regional diferente da adotada pelo governo. É um modo de distribuir os cargos de vice-presidentes regionais de modo mais conveniente a ela. Assim, Maranhão e Piauí estão fora da Copa do Nordeste, mesmo sendo estados nordestinos, que se sentem nordestinos e que têm até uma rivalidade entre si para acrescentar um pouco mais de sabor ao torneio.

São dois estados com campeonatos locais combalidos pela desorganização e baixo nível técnico, mas dar duas vagas ao regional do ano seguinte pode incentivar o público, os investidores e a mídia. No momento, único clube desses estados que entraria no Nordestão pensando grande é o Sampaio Correa.

Mais que um, dois, três ou quatro grandes equipes, porém, a Copa do Nordeste precisa é reforçar sua personalidade para consolidar seu espaço no calendário. E isso a entrada de Maranhão e Piauí faria. Já estaria ótimo.