A desconfiança em torno das escolhas das sedes das Copas do Mundo de 2018 e 2022 ganhou força. O Comitê de Ética da Fifa acatou as alegações em relação às candidaturas dos países e fará uma investigação para determinar se houve uma conduta imprópria na escolha de Rússia e Catar, respectivamente.

A Rússia venceu a disputa com Bélgica/Holanda, Inglaterra e Portugal/Espanha para sedir o evento em 2018. O Catar bateu as candidaturas da Austrália, Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos. Houve suspeita de compra de votos dentro do comitê executivo da Fifa, composto por 25 dirigentes de diversas partes do mundo. São esses dirigentes que votam para escolherem quem sediará a Copa do Mundo.

O ex-presidente da Associação Asiática de Futebol (AFC), Mohammed Bin Hammam, catariano e que chegou a ser candidato à presidente da Fifa, renunciou ao cargo no Comitê Executivo após acusação de tentar comprar votos para se eleger presidente da entidade. Ele foi o coordenador da campanha que levou o Catar à vitória como sede da Copa do Mundo de 2022 e houve suspeita sobre como os catarianos conseguiram ganhar o apoio dos dirigentes. Bin Hammam sempre negou qualquer possibilidade de corrupção e compra de votos na candidatura catariana.

Ricardo Teixeira e João Havelange ameaçados?

Outra pauta do Comitê de Ética da Fifa é mostrar o que a entidade descobriu em suas investigações sobre a parceria com a empresa suíça de marketing ISL, que faliu. A empresa chegou a ter atividades no Brasil, fazendo parcerias com o Grêmio e o Flamengo. O presidente do Comitê de Ética, Michael Garcia, apresentará um relato sobre a investigação na reunião do próximo mês de março.

Segundo o programa Panorama, da BBC, apresentado pelo jornalista britânico Andrew Jennings, foi a ISL que pagou propinas para João Havelange, então presidente da Fifa, e Ricardo Teixeira, que estava à frente da CBF e era do comitê executivo da entidade. A ideia do suborno era privilegiar a empresa para que ela ganhasse o direito de negociar os direitos de TV da Copa do Mundo, ganhando assim uma grande comissão.

A justiça suíça teria encontrado provas que os dois dirigentes brasileiros receberam propina da ISL e foram obrigados a devolver, em troca de não terem seus nomes revelados. Os documentos apareceram e além da saída de Teixeira do Comitê Executivo da Fifa e da CBF, não diretamente relacionado ao fato, mas ligado a ele, Havelange teve que abrir mão de seu posto no COI pelas suspeitas de corrupção. Esse escândalo teria sido um dos motivos que levou à saída de Teixeira do Comitê Executivo da Fifa e da CBF, ainda que, oficialmente, o dirigente tenha se afastado primeiramente por motivos de saúde.