Quarenta e sete minutos do segundo tempo no Gran Parque Central. O goleiro Gustavo Munúa sobe ao ataque para tentar cabecear uma bola alçada na área do Grêmio. A busca desesperada pelo empate, por pelo menos um ponto para o Nacional em Montevidéu. Lance digno mata-mata emocionantes. Mas que valia apenas pela rodada inaugural da segunda fase da Libertadores. Retrato enorme dos nervos que já se afloram no Grupo 6, o ‘grupo da morte’ em que todos têm camisa pesada e nenhum é favorito.

Bastaram os dois primeiros jogos para se notar que a chave guardará confrontos memoráveis. Em Montevidéu, Nacional e Grêmio fizeram partida de duas equipes aguerridas por tradição, que ainda procuram se aprumar na competição continental. Já em Medellín, Atlético Nacional e Newell’s Old Boys colocaram frente a frente duas escolas ofensivas, dois times bem encaixados e que fazem sucesso há algum tempo em seus países. Neste primeiro momento, brasileiros e colombianos dão um passo à frente, vitoriosos pelos três pontos arrancados.

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O Grêmio ainda conta com um time em construção. Os dilemas entre Vanderlei Luxemburgo e Renato Gaúcho atrapalharam os tricolores no último ano e, mesmo assim, não lhes tiraram uma boa colocação no Brasileirão. Enderson Moreira chegou com a missão de dar uma cara ao grupo, que teve perdas e ganhos pontuais ao longo da pré-temporada. Os gaúchos não estão engrenados. Mas tiveram fluidez com a bola e espírito de luta sem ela, elementos fundamentais para a vitória na Banda Oriental.

O Nacional foi superior durante boa parte do tempo. É um time claramente limitado e, não fosse assim, nem precisaria passar pela pré-Libertadores. De qualquer forma, empurrado pela torcida e pela obrigação de vencer em casa, o Bolso ameaçou a meta de Marcelo Grohe por insistência. Exigiu uma grande defesa do goleiro gremista, viu Léo Gago salvar em cima da linha. Mas também tomou um gol por culpa das aberturas excessivas na busca pelo ataque, com Riveros livre para marcar de cabeça.

Sabendo da importância dos pontos em casa, os uruguaios partiram para o desespero no fim. Reclamaram de um toque de mão de Barcos dentro da área, marcado fora pelo árbitro. Botaram pressão até o minuto final, incluindo a subida de Munúa ao ataque. Nada que pudesse evitar o placar de 1 a 0 favorável ao Grêmio. A primeira vitória tricolor em solo uruguaio na história da Libertadores, que serve para alimentar o ego da equipe, mas que também precisa ser tratada com cuidado. Vencer um tricampeão continental como o Nacional em terreno hostil é uma façanha. Mas há ainda outras cinco a serem completadas neste grupo.

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Pouco depois, Atlético Nacional e Newell’s Old Boys fizeram no Estádio Atanásio Girardot a melhor partida da primeira rodada da Libertadores. Um jogo completamente aberto, no qual o placar magro não condiz com a quantidade de chances criadas. Os verdolagas fizeram pesar o time afinadíssimo desde o último ano, um dos jogos coletivos que vêm mais encaixados para a competição continental. E os leprosos, resguardando-se na visita a Medellín, apostavam suas fichas nos contragolpes e em Maxi Rodríguez, entre os melhores jogadores da América do Sul hoje.

O Atlético Nacional tinha liberdade para fazer sua intensidade ofensiva funcionar. Em uma atuação inteligentíssima, não deu outra. A dupla de meias formada por Edwin Cardona e Sherman Cárdenas garantia velocidade, qualidade no passe e infiltrações na área para os verdolagas. E, assim, os anfitriões perdiam um caminhão de gols. O Newell’s também teve suas oportunidades de balançar as redes, majoritariamente com Maxi – que, na medida em que carregava o time, não aproveitava os melhores lances. O zero no placar se manteve injusto até os 37 minutos do segundo tempo. Foi quando Cardona, o melhor em campo, teve um lampejo para limpar a marcação fora da área e chutar no cantinho. Golaço para fazer explodir o Girardot e garantir a merecida vitória.

Por tudo que apresentou nesta quinta-feira, o Atlético Nacional salta como equipe mais preparada no Grupo 6. O que não significa tanto . Na segunda rodada, os verdolagas têm parada duríssima em Porto Alegre. Terão que superar a Arena lotada e o brio do Grêmio, um pouco mais confiante após a vitória fora de casa. Enquanto isso, Newell’s e Nacional precisarão da vitória a todo custo em Rosario. Dois confrontos importantíssimos para os rumos do grupo da morte. Que, convenhamos, é futebol em vida plena, com tantos jogaços pela frente.