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Corneta Europa apresenta: Declaração de princípios e ordem da corneta

Pra quem não conhece a Corneta Europa, essa é uma breve explicação da sua existência, um braço da Corneta Corp. incentivada pelos precursores @cornetacolorada@cornetatricolor. O blog aqui na Trivela será de pura galhofa e fanfarronice, modelo já conhecido de quem acompanha o Twitter/Facebook, então não esperem mais papagaiadas como esse texto de hoje. O Manual da Corneta tem mais de mil páginas e não caberia aqui.

Essa é uma DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS E ORDEM DA CORNETA CORP., outorgada sob a Lei Míchel Salgado, no § 2, e alterada por Juliano Belletti, em 17/05/2006, Art. 36′ do 2º, sob fé e benção de Carles Puyol.

Desmistificando a arigozada do futebol europeu

Antes de mais nada, isso não se trata de pachequismo. Oras, não precisamos ser gênios pra perceber que o futebol brasileiro tem vários problemas, e até da qualidade do futebol. O que me incomoda é a falsa impressão passada que a Europa é um paraíso, como o parque de diversões da galerinha de Caverna do Dragão. Não se pode apontar que um badalado jogador europeu é uma MULA, e certos campeonatos uma VÁRZEA. Mesmo que no caso sejam o Fernando Torres e o Campeonato Holandês. Não pode, porque na Europa tudo é bom e quem pensa o contrário é “pacheco”.

Nunca planejei fazer uma comparação eterna entre Brasil e Europa. Quando menciono que um cara como o Welbeck não fardaria no Criciúma, é por mero efeito de proximidade e entendimento. Jogador europeu — ou que joga na Europa — é, sim,  tratado com maior condescendência. Como se toda a sua ruindade não pudesse ser colocada em xeque pelo simples fato de jogar no Liverpool ou Ajax ou Bayern. Como ser o camisa 10 do Schalke 04 (alô, Lincoln), o maior artilheiro estrangeiro da história do Besiktas (fala, Bobô), ou titular por uma década da Roma (e aí, Taddei), fizesse alguma diferença prática –  aliás, o Lincoln ainda joga? Colocando alguns europeus nessa peneira, Abate estaria até hoje esmagando uva em Caxias do Sul, tivesse nascido brasileiro. Dirk Kuyt atiraria milho pra porco em alguma fazenda do interior no Paraná. Não sei o que faria De Jong, mas não seria jogar bola. A diferença desses ruins com pompa é que eles tem o perfil em jogo de videogame (onde até um Fábio Coentrão pode virar Messi).

E não é como se os próprios brasileiros não merecessem um capítulo a parte nesse baile da corneta. Zé Love, Michel Bastos, Cris, Grafite, Afonsão e o maior gênio deles todos, Doni. Os famosos “jogadores de DVD”, uma tirada de onda muito mais verídica do que se poderia acreditar (principalmente na Europa menos famosa). Jogador ruim continuará sendo ruim em qualquer lugar: a diferença é que os europeus COMPRAM os daqui. Noves fora, sempre bom enfatizar que o Brasileirão é muito mais equilibrado do que esses “campeonatos de dois-times”  (isso não é adjetivação, é fato. Olhem aí a tabela do Portuguesão, Espanholão e Inglesão dos últimos VINTE anos). E se equilíbrio não significa qualidade, fato é que futebol sem chance de vitória é churrascada de primeira na boca de sem dentes.

Nessas comparações, a frase “se fosse como no futebol europeu” é repetida como um mantra. O anti-brasileiro compulsivo ao menor sinal de tapa na cara entre torcedores rivais reclama da selvageria do Brasil (o que jamais apoio, e é lamentável), mas não me parece se incomodar tanto quando é no Velho Continente. Comenta-se com certo glamour e ufania o “clássico” West Ham x Milwall e o hooliganismo envolvido. Se tem facada na Itália, briga e capuz na cara na Alemanha, jogo interrompido na SUIÇA, e o pior dos mundos, racismo (http://bit.ly/RuOb0a e http://bit.ly/RNlu0g), tudo parece uma nota de rodapé. Aliás, o mantra “se fosse como no futebol europeu” geralmente poderia ser substituído por “se fosse como a meia dúzia de times do futebol europeu”. Por que, devo imaginar, estão falando do Barcelona, não do Zaragoza. E nesses tempos de explosão da TV a cabo, e a centena de Auxerre x Montpellier e Fulham x Norwich transmitidos semanalmente, não dá mais pra largar a lorota da qualidade como um todo. Esses jogos são tipo os Estaduais – com a diferença que é um campeonato nacional.

Claro que há uma camada de generalização nisso tudo. É impossível falar sobre futebol sem algumas generalizações. Existe uma dezena de pessoas que comentam o UCRANIANÃO simplesmente porque adoram futebol, de qualquer jeito, lugar ou divisão — eu mesmo vejo muito jogo ruim da Europa, pra EMBASAR A CORNETA e, sobretudo, dormir. O incomodativo é o “pachequismo-as-avessas”, a opinião exclusivista de que futebol europeu é o único que presta, e que no Brasil é tudo porcaria, nível baixo, e jogador “precisa sair para se desenvolver”. Como se a defesa do Levante não fosse composta por 4 Márcios Araújos ou o Brandão ser artilheiro em todos times da França e mal fardar no Brasil não fosse algum indicativo. A própria Seleção é um respingo disso tudo, com jogador convocado meramente por questão geográfica e status (alguém aí disse Maxwell?). Então isso aqui, esse perfil/twitter/facebook/blog (e futuro rei do mundo) não se trata de defesa do Brasil ou algo do tipo. Meus serviços são prestados para um único fim: desmistificar a arigozada do futebol europeu.  

Porque corneta é verdade, corneta é alma, corneta é vida.

Fóm.