Quem estava no Twitter por volta de 18h de Brasília nesta quinta (22) viu um tuíte de Taylor Twellman, ex-astro da MLS e hoje comentarista da ESPN, dizendo que Jurgen Klinsmann e seu staff tinham feito os sete cortes na lista de 30 para a Copa do Mundo e um nome chamava bastante atenção: Landon Donovan. Pouco tempo depois, a conta oficial da US Soccer anunciou os 23 que virão ao Brasil e confirmou os cortes relatados por Twellman na seguinte ordem: Michael Parkhurst, Brad Evans, Clarence Goodson, Joe Corona, Maurice Edu, Terrence Boyd e, finalmente, Donovan.

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Landon Donovan é o melhor jogador de futebol da história dos Estados Unidos. Não há nenhuma dúvida. A surpresa das pessoas porLandycakes ficar fora da lista é extremamente justificável. Só que Jurgen Klinsmann tinha motivos suficientes para não trazer o jogador do Los Angeles Galaxy para o Brasil.

O primeiro motivo é para o fã mais habitual, que pensa na seleção americana somente nas Copas. Landon Donovan não é mais aquele que você viu em 2010 e por mais que não esteja em idade tão avançada assim, seu declínio quando se trata de habilidade e físico foi imenso.

Se estivéssemos conversando antes da Copa do Mundo de 2002, eu claramente aceitaria melhor a ideia da participação de Donovan. Mas vivemos um momento de crescimento substancial do futebol nos Estados Unidos, em que existem mais jogadores com qualidade suficiente para jogar contra seleções importantes. Não é mais como se o substituto de um titular fosse um cone que não sabe fazer nada.

Com o corte de Donovan, o posto de meia direita da equipe será Graham Zusi, que tem sido um dos melhores jogadores da MLS nos últimos anos e pode surpreender muito quem não acompanha a liga norte-americana.

Os jogadores que poderiam perder a vaga para Donovan seriam Brad Davis e Julian Green. Só que Davis é o canhoto especialista em passes, cruzamentos e bolas paradas. E Green é tido como o futuro da seleção e alguns dizem que ele exigiu o lugar entre os 23 para assinar os papéis da naturalização.

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Em fevereiro de 2013, Donovan tomou uma decisão polêmica que incomodou bastante a maioria das pessoas que seguem a seleção e o Galaxy. Ele resolveu tirar um período sabático do futebol profissional e ficou dois meses no Camboja “em busca da felicidade”. Isto não caiu nada bem, principalmente para Klinsmann.

E enfim chegamos ao ponto final: o que o técnico da seleção americana acha. Klinsmann era um dos comentaristas da ESPN na Copa do Mundo de 2010 e participou de uma mesa redonda um dia após os EUA serem eliminados por Gana nas oitavas de final.

Klinsmann dizia que três jogadores o desapontaram na eliminação: Tim Howard, Landon Donovan e Clint Dempsey. Segundo o alemão, estes três eram os pilares do time e não apareceram tanto quanto a equipe precisava, já que Michael Bradley e outros ainda não estavam prontos para assumir responsabilidade. E que para o ciclo de 2014, os três teriam que mostrar que ainda são os líderes. Howard e Dempsey fizeram isso, Donovan nem tanto. E Bradley assumiu como um dos principais membros da equipe, até calando quem achava que ele só jogava porque era filho de Bob Bradley.

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O técnico ainda falou bastante nos últimos meses sobre um processo de avaliação que levaria em conta o que o atleta fez desde que ele assumiu o comando da seleção e o desempenho atual do jogador. Donovan teve alguns problemas com Klinsmann durante o regime do alemão e ainda não engrenou em 2014, não tendo impacto nem no amistoso da seleção contra o México.

Outro fator importante que já tinha notado e que acabou sendo publicado pelo filho de Klinsmann em um tuíte polêmico é o de que Donovan não se entrega realmente ao jogo como o técnico alemão gosta. Em alguns momentos, isso realmente é demonstrado em campo. E se Donovan não desse 100% nesta Copa, ele não seria melhor que os outros jogadores chamados em seu lugar.

Como já disse no início do texto, não há dúvida alguma de que Donovan é o melhor jogador da história do futebol nos Estados Unidos e que ele influenciou bastante o crescimento do esporte no país. Mas o tempo passou. É hora de dar espaço a quem pode contribuir mais com a seleção e de pensar em um futuro.