A quem prefere desconfiar da seleção belga, o gol de Bryan Ruiz aos 24 minutos justificava as ideias. Mas os Diabos Vermelhos precisaram de pouco tempo para refutar os seus detratores. Em uma atuação de gala no Estádio Rei Balduíno, a Bélgica encerrou sua preparação à Copa do Mundo com o moral lá no alto. O time de Roberto Martínez não só virou o placar contra a Costa Rica, como também atropelou os Ticos, em goleada por 4 a 1. Resultado que pode não valer nada, embora demonstre bem o ímpeto ofensivo e o entrosamento dos jogadores. Além do mais, ficam as dicas para o Brasil contra os costarriquenhos.

A Bélgica entrou com aquele que pode ser o seu time titular na Copa do Mundo, escalada no 3-4-2-1, em que a principal ausência era o lesionado Vincent Kompany. Da mesma forma, a Costa Rica vinha com os seus principais jogadores, exceção à opção técnica de Óscar Ramírez utilizando Yeltsin Tejada no meio. Ainda assim, a diferença das equipes ficou clara desde os primeiros minutos, com os europeus dominando as ações e Keylor Navas fazendo uma defesaça logo aos 18 minutos.

Já aos 24, aconteceu a surpresa. Jan Vertonghen errou na hora de afastar um cruzamento e Bryan Ruiz não perdoou, arrematando na entrada da área, no canto da meta de Thibaut Courtois. Mesmo em desvantagem no placar, a Bélgica não se descontrolou. Pelo contrário, partiu para cima, contando principalmente com a fluidez de seu meio-campo e a qualidade de Kevin de Bruyne nos passes. Ante a pressão, Navas se agigantou mais uma vez. Mas não evitaria o empate aos 30. Jogada de Eden Hazard pela esquerda e cruzamento na medida para Dries Mertens, se projetando nas costas da linha defensiva.

A Costa Rica tinha vários problemas: não protegia a cabeça de área, dava espaços atrás de sua última linha, via um rombo pela esquerda. Assim, a Bélgica ia invadindo a área e criando chances. A inversão dos pontas foi uma arma importante. O segundo gol saiu um pouco graças a isso, aos 41. De Bruyne lançou Mertens, agora pela direita, e ele cruzou na medida para Romelu Lukaku arrematar. Por aquilo que aconteceu nos 20 minutos finais, a vantagem era até pequena aos Diabos Vermelhos.

A Bélgica veio com mudanças para o segundo tempo e o terceiro gol saiu aos cinco minutos. Nacer Chadli ocupou a ala direita e foi acionado por De Bruyne. O substituto cruzou para Lukaku marcar mais uma vez. E, com algumas trocas a mais, o centroavante mostrou que não é egoísta. Hazard fez jogadaça pelo meio e serviu Lukaku, que poderia muito bem ter enchido o pé, mas preferiu encontrar Michy Batshuayi totalmente livre do outro lado da área, pronto para bater à meta vazia. No mais, independentemente das trocas, os belgas poderiam ter feito mais gols. De nota negativa, apenas uma entrada dura em Hazard, que saiu mancando, embora nenhuma notícia mais alarmante sobre uma possível lesão tenha saído até o momento.

Entre a competência de um lado e as fragilidades do outro, ficou evidente a maneira como a Bélgica vai ajustando o seu jogo. Mesmo sem ter feito uma partida tão boa assim contra Portugal no compromisso anterior, a impressão quanto à preparação é positiva. Já a Costa Rica parece distante de poder repetir a surpresa de 2014. Seu jogo depende de um nível de concentração muito alto e não foi o que se viu nestes amistosos, ao menos. Invadir a área dos Ticos estava fácil e nem Keylor Navas foi capaz de evitar o pior, vendido em todos os tentos.