A confiança era absoluta e contrastava com a energia para manter as pernas se mexendo. Os jogadores da Costa Rica perderam o zagueiro Oscar Duarte aos 21 minutos do primeiro tempo e seguraram a Grécia enquanto puderam. Até os acréscimos do tempo regulamentar, quando Sokratis Papastathopoulos empatou, e até os pênaltis, quando brilhou a estrela do goleiro Keylor Navas, o melhor jogador da equipe, cuja qualidade para defender chutes manteve os companheiros tranquilos. Mesmo diante da imponderabilidade de uma disputa de chutes a 11 metros da linha de meta.

Navas, aos 27 anos, está na melhor fase da carreira. Foi eleito o melhor goleiro do Campeonato Espanhol, que tem em seus quadros nomes como Diego López, Victor Valdés e Thibaut Courtois. Ajudou o fraco Levante a ficar na décima posição do torneio. Sofreu apenas 39 gols em 37 partidas. Mas a estatística mais importante os seus companheiros provavelmente não sabiam, ou ignoraram: tentou defender sete pênaltis e conseguiu impedir apenas um de entrar, segundo dados do site Squawka.

A confiança, mesmo assim, era absoluta. “Foi um feito (segurar a Grécia com um a menos). Quando perdemos um jogador, a estratégia muda. Levamos aos pênaltis. Confiamos nesse alienígena que é nosso goleiro”, afirmou o meia Celso Borges, filho do técnico brasileiro Alexandre Guimarães. “Estávamos cansados, mas o nosso coração ainda batia”, acrescenta Joel Campbell. “Sabíamos que tínhamos que ganhar esse jogo pelo nosso povo, pelos nossos companheiros. Sabíamos que se fossemos aos pênaltis, tínhamos um grande goleiro”.

Além do pênalti de Gekas, Navas defendeu quase todo o resto que conseguiu, o que inclui pelo menos duas bolas cara a cara com o atacante adversário. Não à toa, foi eleito o melhor jogador da partida pela segunda vez seguida. “Quando chega aos pênaltis, é 50% de chance para cada lado”, analisou Papastathopoulos. “Tivemos muitas chances e não marcamos. O goleiro do outro time fez um ótimo jogo”.

E apesar de todos colocarem os méritos nas costas de Navas, que já chama a atenção dos grandes clubes da Espanha e da Europa, o goleiro preferiu manter a humildade. Dividiu os louros da vitória com os seus companheiros, embora tenha admitido a tática de levar a partida para os pênaltis. “Estávamos com um jogador a menos”, explicou. “Sabíamos que teríamos que defender bem e tentar chegar aos pênaltis. Tínhamos muitas forças, sabíamos que os nossos companheiros chutariam muito bem”.

“O que conseguimos não foi feito por uma única pessoa, mas todo o grupo se sacrificou por muito tempo para fazer história. E fizemos história para o nosso país”, concluiu o Navas, décimo colocado do Campeonato Espanhol, mas, muito graças às suas mãos inabaláveis, membro de uma das oito melhores seleções do mundo.