O jogo estava favorável ao Brasil, mas não exatamente aberto. As chances de gol eram raras até os 21 minutos, quando uma sobra de bola veio mansa, nos pés de Philippe Coutinho. Ele se posicionava em seu habitat, o bico da grande área, pela esquerda. E tinha o caminho livre para praticar a sua especialidade: o chute cruzado de fora da área, longe do alcance do goleiro. A bomba pegou uma leve curva para fora, o suficiente para dificultar ainda mais a vida de Yann Sommer. Beijou a trave e dormiu nas redes. Golaço, que ofereceu um lampejo de alegria na estreia da Seleção na Copa de 2018, mas também um excesso de cautela que seria uma das razões do tropeço. O ponto alto de uma partida que será mais lembrada pelas decepções do que pela qualidade do camisa 11.

Durante o primeiro tempo, Coutinho foi um dos melhores jogadores da Seleção. Enquanto Casemiro fazia muito bem o trabalho de proteção na cabeça de área, o camisa 11 era quem oferecia fluidez nas ações ofensivas, a um time mais agressivo. Era quem se movimentava, quem buscava o jogo, quem se apresentava para receber o passe. O primeiro lance de perigo do Brasil surgiu por ali, com uma boa incursão do meio-campista dentro da área, acabando com a finalização mascada de Paulinho, que passou rente à trave. A capacidade do carioca na armação valia bastante, ainda mais quando Neymar não estava bem e Willian pouco aparecia do outro lado. Aos 21 minutos, então, Coutinho tirou o coelho da cartola. Pintura.

O problema veio depois. O Brasil preferiu diminuir a sua rotação e administrar mais o jogo. Coutinho ficava contido, em uma equipe que só voltou a finalizar até o fim do primeiro tempo em bolas paradas. A Seleção acalmava-se com a vantagem de um placar que não era garantido, longe disso. E o cenário poderia mudar a qualquer momento, como realmente aconteceu quando Steven Zuber apareceu livre dentro da área e cabeceou para dentro aos quatro minutos. Desencontrados, os brasileiros tinham dificuldades para pensar o jogo um pouco mais. Contra uma Suíça que se defendia bem, o camisa 11 aparecia mais para finalizar do que para criar.

Seriam mais algumas tentativas. Quando arriscou duas vezes seguidas, em ambas Coutinho acabou bloqueado pela zaga. E no momento em que Neymar o encontrou em ótimas condições, de frente para o gol, o taco espirrou, em chute que acabou passando longe da meta de Sommer. Foi pouco a um Brasil que tinha mais pressa que juízo. Que só voltou a realmente ameaçar quando suas ações se limitavam à esperança de uma bola sobrar. O camisa 11 até poderia tentar algum outro raio que caísse no mesmo lugar, a gaveta de Sommer. Não aconteceu, mas ele seria apenas mais um em meio a um time sem intensidade, que até deixou os suíços avançarem e se colocarem mais ao ataque, até o desespero dos instantes finais.

Em uma equipe pobre no ataque, Coutinho merece os elogios por fazer mais, mesmo sem fazer tanto assim para a vitória. Ganhou o prêmio de melhor em campo justamente por se valer de sua especialidade, que tantas vezes resolve jogos. Desta vez, não bastou, ante a diferentes problemas, das falhas técnicas e táticas do Brasil às decisões contestáveis da arbitragem. O camisa 11 salta como protagonista de um Brasil que muito prometeu, só que não cumpriu. A Seleção precisa de mais regularidade e de mais protagonistas.