Uma das melhores histórias da Copa do Mundo que acabou neste mês foi a campanha dos Estados Unidos na competição. Não apenas pelo resultado em si. Apesar do futebol apresentado ter surpreendido positivamente alguns e tornado clara a evolução do esporte no país, talvez o saldo a ser mais destacado seja o do envolvimento dos torcedores, seja com o maior número de estrangeiros a adquirirem ingressos para as partidas ou com a lotação de praças e ginásios em que os jogos foram exibidos em telões no próprio país. Tudo indica que a tendência é de que o esporte cresça cada vez mais por lá, e essa ascensão aparentemente passará por um projeto enorme em Kansas City, no estado do Kansas.

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O Sporting Kansas City, equipe que faz parte da MLS, anunciou neste mês os planos de construção de um “Centro Nacional de Treinamento e Desenvolvimento”, que contará com 16 campos de futebol, um hotel com 125 quartos e instalações de primeiro mundo. “Kansas City está a caminho de se tornar a capital do futebol nos Estados Unidos”, definiu, empolgado, o CEO do clube, Rob Heineman. As obras deverão custar cerca de US$ 75 milhões e ser concluídas até junho de 2016.

A construção do complexo que deverá fomentar a formação de novos talentos para o futebol norte-americano é apenas a mais recente das medidas tomadas pelo clube em uma série de decisões que catapultaram o esporte no estado do Kansas. Fundado como Kansas City Wizards em 1996, a equipe pouco empolgava no Missouri, sempre com a maioria esmagadora de suas arquibancadas vazia. Então, a união da Kansas City vizinha, no Kansas, com o Condado de Wyandotte, e as boas condições de investimento que vieram em seguida por causa das maiores rendas com impostos acabaram atraindo a franquia para a cidade homônima.

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Em 2011, deu uma europeizada em seu nome, saindo de Kansas City Wizards para se tornar o Sporting Kansas City. Junto da mudança em sua marca, concluiu a construção de um estádio com capacidade para quase 19 mil pessoas, onde tem conseguido médias de público bem maiores que as cerca de quatro mil pessoas que levava nos primeiros anos após sua fundação. Os resultados dessas mudanças dentro de campo são claros: a equipe foi a melhor da Conferência Leste em 2011 e 2012 e é a atual campeã da MLS, conquistas também atreladas à política de equilíbrio na formação do elenco, sem grandes estrelas, mas gastando moderadamente nos três jogadores designados permitidos pela liga (que podem receber acima do teto salarial imposto pela organização do campeonato).

O projeto, no entanto, não passa apenas por um capricho dos diretores do clube. O complexo será construído no bairro de Village West, que depois da união entre Kansas City, Kansas, e o Condado de Wyandotte, tornou-se o centro comercial da cidade. A construção de tal instalação no bairro é apenas mais uma das consequências do aumento de investimentos na região.

Lado econômico à parte, a ideia é de realmente se tornar referência no futebol, que encontra mais terreno que nunca para crescer nos Estados Unidos. Com uma estrutura como a planejada, a cidade e o clube dão, de fato, um passo à frente, com soluções que podem render frutos a médio e longo prazo, e não apenas o imediatismo de uma contratação de algum craque veterano.