A crise que atingiu o Sporting no final da temporada não tem fim e, nesta terça-feira, chegou a um nível totalmente diferente. Aproximadamente 50 torcedores encapuzados invadiram o centro de treinamentos de Alcochete e agrediram jogadores e membros da comissão técnica. O atacante Bas Dost sofreu um corte na cabeça e precisou ser suturado. William Carvalho, Rui Patrício, Marcos Acuña e Battaglia foram outros agredidos. Jorge Jesus levou uma cabeçada, segundo o Record. E um fisioterapeuta foi esfaqueado, de acordo com a TVI24. Também houve o lançamento de tochas de fogo, e o vestiário ficou completamente destruído. 

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O presidente Bruno de Carvalho, com quem os jogadores do Sporting estão em disputa pública e declarada, dirigiu-se imediatamente às instalações. O clube emitiu um comunicado de repúdio. “O Sporting não é isto, o Sporting não pode ser isto. Tomaremos todas as diligências no sentido de apurar acabais responsabilidades pelo que aconteceu e não deixaremos de exigir a punição de quem agiu desta forma absolutamente lamentável”, afirma a nota. Segundo a polícia, 21 pessoas foram detidas pelo ataque

O momento desta invasão é estranho porque o Sporting, apesar da decepção de não ter se classificado para a Champions League, não faz temporada ruim. Chegou às quartas de final da Liga Europa, conquistou a Copa da Liga e, no próximo domingo, decide a Taça de Portugal contra o Desportivo Alves. No entanto, a relação do elenco com o presidente Bruno de Carvalho deteriorou-se, em abril, quando 19 jogadores foram suspensos após troca de farpas públicas com o dirigente

Os motivos por trás do ataque ainda não estão claros. Depois da derrota para o Marítimo, no último domingo, resultado que tirou o segundo lugar do Sporting, membros da torcida organizada Juve Léo insultaram jogadores, principalmente Rui Patrício. A Juve Léo é a maior organizada do clube e é próxima do presidente Bruno de Carvalho. 

“O que se pasou aqui hoje é um ato criminoso. A polícia está aqui desde o primeiro momento e vamos aguardar para ver quem são os responsáveis e tomar as nossas medidas”, disse Bruno de Carvalho. “Os jogadores estão tristes com o que aconteceu, mas querem jogar (a final). Já ouvi uma série de teorias mirabolantes que dizem que este é o meu modus operandi. Independentemente de tudo, estes atletas e a equipe técnica são a família que eu escolhi, vê-los serem agredidos a quatro dias de uma final não é algo que interesse à direção. Compreendo a frustração dos torcedores e repudio tudo isto. Foi chato, mas amanhã é um novo dia”. 

Dificilmente o clube escapará de repercussões técnicas. O representante de Bas Dost já afirmou que “se o Sporting não é capaz de protegê-lo, temos de encontrar outras soluções”. Em um vídeo mostrando o estado do vestiário, a imprensa portuguesa identificou Bruno Fernandes dizendo “foi um prazer estar com vocês”, em tom de despedida. Segundo o jornal A Bola, alguns jogadores estão estudando a rescisão de contrato por justa causa. Um jornalista da argentina TyC Sports disse que Acuña e Battaglia estão entre os que já decidiram ir embora

“Não tenho palavras. Não estava à espera desta situação. Foi uma situação angustiante e estamos todos chocados. Isto é um drama para todos. Estou vazio”, disse Bas Dost, à publicação holandesa AD. Dost, artilheiro do Sporting com 34 gols em 48 partidas, dificilmente terá condições de entrar em campo na final da Copa de Portugal, sob o risco de estourar os pontos que levou na cabeça, graças à ação violenta desta terça-feira. 

Os cortes na cabeça de Bas Dost

No fim do dia, torcedores que repudiaram a barbárie convocaram uma manifestação em Alcochete para demonstrar apoio aos jogadores. As mensagens foram contra a violência e em nome da união do Sporting, o que, neste momento, parece longe de se tornar realidade. 

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