O Valencia vem atravessando anos difíceis desde o final da década passada. O clube que foi duas vezes finalista da Liga dos Campeões ficou no passado, diante da crise financeira e das dívidas que se acumulavam. Enquanto o número de estrelas no elenco minguou, as obras do novo estádio dos Ches não devem ser concluídas tão cedo. E, como se não bastasse, os bastidores da equipe espanhola ainda contam com uma história digna de filme policial.

Juan Bautista Soler, que foi presidente do Valencia entre 2004 e 2008, acabou preso nesta semana. Não por causa dos rombos nos cofres do clube, sobre os quais a torcida o considera o maior culpado – a dívida dos Ches aumentou de € 130 milhões para € 439 milhões em seus quatro anos no poder. Soler foi pego pela polícia por, nas últimas semanas, tentar sequestrar Vicente Soriano, que o sucedeu no comando do Valencia.

A ameaça teria sido por conta de € 39 milhões que o novo cartola o devia pela aquisição das ações do clube, um valor que a própria justiça já tinha mandado Soriano pagar ao seu antecessor. Para planejar o sequestro e pagar seus capangas, Soler ainda desembolsou € 100 mil, em uma operação descoberta pela polícia antes que se concretizasse. Depois de passar uma noite na cadeia, Soler foi posto em liberdade condicional, mas não poderá sair do país e terá que comparecer periodicamente ao juizado.

Soriano também não está mais na presidência do Valencia. Saiu ainda em 2009, quando o Bancaja, principal credor do clube, o substituiu por um conselho de administração comandado por Manuel Llorente – que, por enquanto, tem conseguido controlar os Ches. Ainda assim, ter uma trama com esse peso nos bastidores só serve para tumultuar ainda mais o dia a dia do Valencia.