Esta é apenas a segunda rodada da fase de grupos da Copa Libertadores, mas já com uma partida decisiva. Cruzeiro e Vasco se enfrentaram no Mineirão para se refazer das derrotas iniciais. A obrigação da Raposa se tornava maior diante de sua torcida, embora os três pontos desperdiçados em casa tivessem sido mais custosos aos cruzmaltinos semanas atrás. Ainda assim, foi o time de Zé Ricardo que se satisfez um pouco mais com o resultado do embate desta quarta-feira. O empate por 0 a 0 não parece o melhor dos mundos para nenhum dos dois – até pela maneira como ambos se lançaram ao ataque durante o segundo tempo. Mas ao final, roubar um ponto contra um adversário direto já vale aos vascaínos, enquanto os cruzeirenses precisaram lidar com as vaias da torcida.

Mano Menezes pareceu ouvir as críticas quanto à derrota na final do Campeonato Mineiro. Entre as novidades do time, estavam Dedé no comando da zaga e De Arrascaeta caindo pelo lado esquerdo. Thiago Neves foi o escolhido para atuar mais centralizado no ataque, municiado também por Rafinha e Robinho. Já no Vasco, Zé Ricardo confiou mais uma vez em Yago Pikachu pela ponta direita, com Paulinho fazendo o mesmo pela esquerda e Wagner centralizado. Na frente, Riascos era a referência.

O Cruzeiro começou muito bem na partida. Pressionando na marcação, precisou de poucos segundos para arrematar pela primeira vez e criou três oportunidades nos primeiros cinco minutos – a melhor delas com Thiago Neves, desviando por cima do travessão. A Raposa trabalhava a bola no campo de ataque e buscava os espaços, mas via o Vasco se proteger com competência na defesa, ao contrário que se viu nas últimas partidas. Assim, a saída para os celestes foi insistir nos cruzamentos, mesmo sem ter um centroavante de ofício. Nas bolas paradas, era Dedé quem levava perigo em suas subidas.

Com dificuldades para sair, o Vasco não conseguia imprimir velocidade e acaba se limitando a bolas rifadas. O primeiro bom ataque aconteceu aos 24 minutos, em bola alçada que Paulão não conseguiu completar da melhor maneira. A partir de então, os cruzmaltinos passaram a equilibrar mais a posse de bola, tranquilizando os passes a partir de sua defesa.

O Cruzeiro teve duas boas chegadas por volta dos 30 e uma delas foi parada por Paulão, em atuação surpreendentemente segura. Já aos 36, o Vasco respondeu com o melhor ataque do primeiro tempo, em avanço de Paulinho pela esquerda, com Egídio cortando o passe para Riascos. Faltava mais presença de área aos dois times para que surgissem chances realmente claras. Além disso, apesar da intensidade, o nível técnico não impressionava.

O jogo melhorou para o segundo tempo, até pela postura dos adversários, buscando mais o ataque. Mano Menezes colocou Sassá no lugar de Rafinha, com o substituto virando o ponto de referência no ataque, e Zé Ricardo apostou em Evander, na vaga de Wagner. Além disso, logo a Raposa perdeu o lesionado Lucas Romero, suplantado por Ezequiel. A iniciativa era do Cruzeiro, que se adiantava em campo e tentava sufocar o Vasco. Além disso, Sassá incomodava, por sua movimentação e também pela presença física.

Apesar disso, o Vasco conseguiu criar as principais oportunidades. Fábio trabalhou pela primeira vez aos 12 e, três minutos depois, operou um verdadeiro milagre. Paulinho chutou da entrada da área e a bola desviou no meio do caminho, mas o veterano demonstrou uma agilidade formidável para espalmar. A velocidade dos cruzmaltinos era a sua arma, sobretudo com o prodígio. Do outro lado, a resposta do Cruzeiro veio aos 19, em duas ótimas defesas de Martín Silva. Em meio ao lá e cá, depois de um susto dado na torcida cruzeirense por Riascos, o goleiro uruguaio voltou a se agigantar, parando Sassá no mano a mano. E depois de um rebote em chute de Thiago Neves, Sassá reclamou de pênalti cometido por Martín – que foi na bola, mas também no pé do atacante.

A nota triste para o Vasco aconteceu aos 25, quando Paulinho lesionou o cotovelo e precisou ser substituído. Antes de deixar o campo, o garoto se contorceu no chão e deixou os companheiros apreensivos. Entretanto, atendido também pelo presidente cruzmaltino (que é ortopedista), o meia colocou o cotovelo no lugar e voltou minutos depois para acompanhar o restante da partida à beira do campo.

A falta de calma tomou conta dos times na reta final do duelo. Sem Paulinho nos contragolpes, o Vasco manteve a cautela e pouco se aproximou da área de Fábio. O Cruzeiro tentava arrancar o gol derradeiro, mas não tinha criatividade, em repertório limitado a lançamentos e outros passes esticados. Nada que botasse em xeque Martín Silva, mantendo a sua meta invicta. Ao apito final, sobraram vaias no Mineirão, com parte dos 38 mil presentes no Mineirão escancarando sua insatisfação.

O Vasco foi bem mais feliz em sua estratégia. Teve uma noite consistente de sua defesa e, mesmo chegando menos ao ataque, criou ótimas chances de sair com a vitória. Não reclama do resultado. Já o Cruzeiro deveu demais pela maneira como planejou acuar os visitantes e não fez, limitado em suas conclusões. E, antes de voltarem a pensar na Libertadores, os dois times precisarão lidar com o cansaço em partidas difíceis nas decisões dos estaduais. Já no torneio continental, os dois times retornam no dia 19. O Vasco visita o Racing e o Cruzeiro viaja a Santiago, onde pega a Universidad de Chile. Enquanto os brasileiros somam um ponto no Grupo 5, seus concorrentes têm quatro pontos.