Foi o jogo que o Cruzeiro quis fazer. Em um Maracanã lotado, viu o Flamengo ficar com a bola a maior parte do tempo, quase sempre sem criar chances de gols. Com o gol de Lucas Paquetá, já na fase final do jogo, os rubro-negros pareciam perto de deixarem o gramado com uma vitória magra. Só que o Cruzeiro achou um gol, logo em uma falha do goleiro Thiago, em uma semana que se discutiu tanto sobre Alex Muralha. No final, o empate por 1 a 1 acabou saindo como o Cruzeiro queria. A decisão do título da Copa do Brasil será em Belo Horizonte, no dia 27 de setembro, daqui três semanas. Período de tensão para os torcedores envolvidos.

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Reinaldo Rueda já surpreendeu na escalação. O colombiano Gustavo Cuellar, que vinha sendo titular, voltou dos jogos da seleção colombiana – que sequer entrou em campo – e ficou no banco. O técnico do Flamengo preferiu escalar o contestado Márcio Araújo no time titular. Já no gol, outra dúvida, o jovem Thiago, 21 ano, ficou com a vaga. Alex Muralha ficou no banco de reservas.

O Cruzeiro levou a campo Ezequiel na lateral direita, algo que Mano Menezes já tinha antecipado, já que Lucas Romero voltou recentemente de lesão. No ataque, o técnico optou por Rafael Sóbis no comando de ataque e não o garoto Raniel. A experiência do atacante pesou para a sua escalação, em um cenário de bastante pressão.

O Flamengo preparou um mosaico enorme nas arquibancadas com “Somos uma nação”, contribuindo para o ambiente. Só que o ambiente de muita festa, em um belo Maracanã lotado, contrastou com o jogo pouco atraente que se via em campo.

O primeiro lance de mais perigo foi do Cruzeiro. Thiago Neves, em um chute de fora da área logo a cinco minutos, assustou, mas a bola passou por cima do gol. Aos sete minutos, a primeira boa chance do Flamengo. Diego lançou para a área e encontrou Berrío, que entrou em diagonal para tocar de cabeça, mas sem conseguir desviar muito. Defesa fácil do goleiro Fábio.

Mesmo com o Flamengo tendo iniciativa, foi o Cruzeiro quem conseguiu seu objetivo. O jogo acabou sendo muito travado e as tentativas do time da casa acabaram não levando tanto perigo à meta defendida por Fábio. O goleiro Thiago, escolhido por Rueda, fez uma grande defesa aos 12 minutos. Em um cruzamento da intermediária de Diogo Barbosa, Alisson tocou de primeira na pequena área e exigiu grande defesa do goleiro rubro-negro.

Mano Menezes fez a primeira alteração do jogo aos 13 minutos. Tirou Rafael Sóbis, em outra atuação sem brilho, para colocar o garoto Raniel. Logo depois, aos 15 minutos, o técnico do Flamengo fez uma mudança para tornar o time mais ofensivo: tirou o lateral direito Rodney e colocou em campo o atacante Vinícius Júnior. Com isso, Pará foi para a lateral direita e Everton virou lateral esquerdo. Tudo para tentar criar alguma chance, porque até ali o time não conseguiu nenhuma finalização com perigo.

Aos 21, Rueda colocou em campo Cuellar no lugar de Márcio Araújo, que, mais uma vez, criava problemas para a saída de bola do time. O jogo, ali, não andava. O meio-campo melhorou nos minutos seguintes, ainda que de forma um pouco atrapalhada. Em uma jogada rápida com Berrío, aos 28, uma boa chance que acabou nos pés de William Arão, que chutou forte, mas em cima de Fábio, que defendeu com segurança.

Mano Menezes tirou de campo Alisson, apagado do jogo, para colocar Rafinha, tentando aproveitar a velocidade do atacante. Só que logo depois, aos 30 minutos, saiu o gol do Flamengo. Na pressão, Réver pegou rebote de primeira, Arão aparentemente dá leve desvio no meio e Fábio fez milagre. No rebote, Lucas Paquetá, em posição de impedimento, marca o gol.

O Maracanã explodiu em festa. O Flamengo aproveitou o momento e quase chegou ao segundo gol, em novo escanteio. O jogo pareceu finalmente acender, depois de 75 minutos de poucas chances de gols, muita marcação e pouca criatividade. O Cruzeiro, então, teve que mudar de novo. Mano tirou Thiago Neves e colocou em campo Arrascaeta, com velocidade e habilidade para tentar romper a defesa rubro-negra. O jogo passou a ter um pouco mais de espaço. Já Rueda mudou pouco depois, aos 37. Saiu Lucas Paquetá, cansado, e entrou Gabriel, muito criticado pela torcida neste ano.

Aos 38 minutos, o Cruzeiro encontrou o gol em uma dormida da defesa do Flamengo. Hudson recebeu de fora da área e chutou, o goleiro Thiago espalmou para frente, nos pés de um livre Arrascaeta, que só tocou para as redes: 1 a 1 no placar do Macarnã. Mano Menezes comemorou efusivamente na linha lateral. Nenhum jogador do Flamengo acompanhava o uruguaio no lance.

Com poucos minutos para o final da partida, o Flamengo tentou de forma desesperada o gol da vitória. O Cruzeiro, claro, se armava para esperar o time da casa e puxar contra-ataques. Mano pedia para o time ter calma, enquanto os torcedores cruzeirenses faziam barulho e festa no Rio de Janeiro.

Em um jogo que teve poucas chances de gol e não foi grande coisa tecnicamente, o melhor momento foi mesmo quando saiu o gol do Flamengo. O jogo esquentou por alguns minutos, com o empate do Cruzeiro pouco depois e os últimos minutos com a angústia rubro-negra tentando a vitória. No fim, o Cruzeiro arranca um empate e leva a decisão do título para o Mineirão, em Belo Horizonte, no dia 27 de setembro. A decisão do título ainda está aberta, claro, mas certamente o Cruzeiro é quem sai deste jogo de ida comemorando.