Mané Garrincha é um dos maiores mitos das Copas do Mundo. O que fez contra a União Soviética em 1958 rendeu alguns dos minutos mais espetaculares da história do futebol. Foi um dos destaques no primeiro título mundial do Brasil. E faria mais em 1962, quando chamou a responsabilidade do time que não teve Pelé e se consagrou como o grande protagonista do bicampeonato. Um gênio da bola, que merece todas as homenagens possíveis.

O único estádio da Copa de 2014 que lembra em seu nome um craque do passado é o Mané Garrincha. A arena de Brasília é grandiosa como o futebol do eterno camisa 7, ainda que os seus custos passem longe da humildade do Anjo das Pernas Tortas. O local irá receber sete partidas do Mundial. E, ao menos em uma delas, dá para dizer que a memória e o talento de Garrincha foram honrados no canto do campo onde o passarinho mais voava. Juan Guillermo Cuadrado fez miséria pela ponta direita contra a Costa do Marfim.

Que fique bem claro, Cuadrado nunca será um Garrincha. Dificilmente terá na carreira uma atuação tão magistral quanto os dias mais inspirados de Mané. Ainda assim, se o craque do passado ainda estivesse vivo, certamente estaria orgulhoso de ver aquele pedaço ao lado da grande área ser contemplado com tanta habilidade. O colombiano foi mais piedoso com seus “Joões” ao não repetir os dribles secos de Garrincha. Mas esbanjou ousadia com suas fintas rápidas e arrancadas, cansando a marcação dos Elefantes.

O gol de Cuadrado não saiu. Uma pena. O camisa 11 pedalou sobre o marcador e soltou a bomba. Ia anotando uma pintura, que as pontas dos dedos do goleiro Barry e explodiu no travessão. Não foi isso, no entanto, que impediu que o meia ajudasse na construção do resultado positivo para a sua equipe. Foi dele o cruzamento para James Rodríguez abrir o placar, sua terceira assistência no Mundial. Que se ressalta a importância e a efetividade do jogador – desde antes da Copa especulado por grandes clubes europeus, inclusive o Barcelona.

Em uma seleção sem Falcao García, Cuadrado começa o Mundial como principal nome dos cafeteros. Ao lado de James Rodríguez, forma uma dupla talentosíssima nas meias, e que ainda pode ganhar a companhia de Juan Fernando Quintero – que entrou em campo com muita personalidade durante o segundo tempo e pode se firmar entre os titulares. A ponta direita, de qualquer forma, já tem dono. Alguém capaz de levar a Colômbia além de seus limites na Copa, assim como o patrono daquele mesmo estádio conseguiu fazer com o Brasil.